Janeiro 12, 2009
- COMUNICADO -

Estou cancelando minha conta no Globo.com e não sei se depois disso terei acesso ao Blogger para postar nesse blog.
Deixarei o material aqui publicado porque acredito que ainda pode ser útil para quem busca informação sobre Parto e Episiotomia.
Precisando entrar em contato, meu email é bartirac@gmail.com.

Abraço,
Bartira

:::: Bartira ::::

Novembro 10, 2008
Estava futucando na rede, lendo sobre parto e achei esse site...
Muito legal!

GESTANTE ATIVA

Ando em falta com quem me envia emails, perdão...
Tenho algumas listas de mensagens marcadas com estrelinhas para mandar resposta e sei que para algumas será tarde quando eu enfim conseguir responder, mas não apaguei nenhuma delas. Só ando mesmo um bocado enrolada.

Estou deixando os Blogs no ar porque eles têm muita informação que tenho certeza que é útil ainda para muita gente, mesmo que não consiga mais atualizá-los como antes.

Não deixe de ver o site da PARTO DO PRINCÍPIO! Essas mulheres seguem ativas na luta pacífica pelo parto digno em nosso país!

:::: Bartira ::::

Abril 25, 2008

Callate y Pujá


Fonte: YouTube



É com muita tristeza e dor que assisti a este vídeo.
Pensei muito antes de publicá-lo e de fato não o fiz no blog Parto Humanizado. Mas aqui, onde o clima às vezes "pesa" mais, não me senti incomodada de fazê-lo.

Sempre discutimos se coisas como essas não assustam ainda mais as mulheres, mas hoje, quando o movimento pela Humanização do Nascimento atingiu uma escala maior e muita fonte de informação já está disponível (basta que procurem, muitas vezes), acredito que é importante que vejamos os fatos e como são violentos e ultrajantes. Mudança de paradigma não se faz de maneira suave, na prática.

Quando vejo partos como esse (e o que mais há na Internet é a divulgação desse tipo de coisa) e me lembro dos partos como o da parteira Mexicana Naolí Vinaver (disponível em vídeo), os das mulheres os quais tive o imenso prazer de ver compartilhados em listas de discussão de Parto Humanizado - onde as mulheres pariram sorrindo e gemendo mais de alegria que de dor, com seus parceiros, com seus filhos, em casa ou em hospital, mas com o apoio e carinho que merecem, lembro-me também de quanto já foi mudado no caminho que percorremos, mas, mais ainda, de quanto ainda temos que fazer.

Espero que em breve possamos ver partos e atendimentos neonatais como esse e pensar "que triste história do passado", mas com um sorriso feliz no rosto porque então as crianças nascem com dignidade.

:::: Bartira ::::

Setembro 19, 2007
"Bom dia!

Espero que você consiga encontrar um médico como deseja (adepto do parto natural). Essa tarefa é como procurar agulha num palheiro...
E, sendo muito sincera com você, é fundamental a mulher se informar muito sobre tudo no parto pra saber o que realmente quer, mas, considerando o momento e o estágio onde nos encontramos nesse assunto, lá na hora H o médico acaba decidindo as coisas se a mulher informada não tiver quem a apóie!
Pelo menos uma doula, ou um acompanhante de parto que saiba fincar o pé para apoiar as escolhas da parturiente é necessário.

Quando a gente vai parir, por mais que saiba tudo, acaba ficando fragilizada e o médico nessa hora acaba detendo o poder se for um cara não humanista, não adepto do parto natural. A gente, sensibilizada pra caramba na hora, e sem ninguém que nos apóie, acaba baixando a cabeça e se submetendo às coisas que o médico define. Tenha muita atenção para isso!

Com relação à rotina de parir deitada e a vontade de não passar pela episiotomia, bom, não é loucura isso! De jeito algum. É possível. O que é fundamental para parir sem episiotomia e sem laceração grave é que o período expulsivo (isto é, "o momento que o bebê já está no canal de parto - a vagina - e está saindo dali, nascendo efetivamente") seja SUAVE. É muito normal a mulher tomar anestesia (ou não), não saber o tipo de força fazer, se deve ou não fazer força, ficar desesperada, o médico apressado e inseguro, e na hora do expulsivo todo mundo querer que a coisa seja rápida.

Para ser rápido, o médico manda a mulher fazer força quando não precisa (o expulsivo não requer aquela força desesperada, se a mulher estiver numa posição mais vertical, por exemplo, aí é mais fácil ainda) e alguém sobe por cima da barriga da mulher pra apertá-la e o bebê sair logo. Na verdade isso é como uma bomba pro períneo! :-( Por isso fazem episiotomia...

Para você saber, caso já não saiba, o nome desse ato de alguém subir em cima da barriga apertando-a pro bebê nascer logo é a tal Manobra de Kristeller (que eu acho uma violência sem tamanho! Passei por isso e odiei!!!).

Enfim, o que eu queria lhe dizer é que é uma CASCATA de coisas (intervenções) que leva a um parto totalmente alterado, medicalizado e com a mulher com um papel muito secundário... É o hospital que coloca a gente nua, que raspa, que faz lavagem intestinal (o tal enema), é o médico que comanda e apressa, é a anestesia que nos faz ficar meio alienadas do processo, é a ignorância generalizada que faz todo mundo mexer no processo que deveria ser natural, é ficar deitada numa sala estranha com um monte de gente estranha, o medo da gente (e em grande parte das vezes no inconsciente o medo é maior ainda) que bloqueia nosso corpo e o impede de fazer o que deve na hora de parir, e isso tudo acaba geralmente na Manobra de Kristeller e numa a episiotomia – se a mulher conseguir um parto vaginal – ou, indo mais longe um pouco, numa cesariana. (Na verdade, num cenário mais medicalizado ainda, a cesariana pode ser até marcada desnecessariamente sem que a mulher sequer entre em trabalho de parto!)

Para evitar esse tipo de final, a busca da gente deve começar o quanto antes, se possível antes ainda de engravidarmos, no sentido de nos educarmos de forma diferente sobre a gestação e o parto... de mudar nossa forma de pensar sobre isso... E, enquanto na Classe Médica o parto não for visto como um evento natural, da fisiologia da mulher, nossa busca passa pelo fato de encontrar um profissional de saúde que nos apóie, porque de outra forma é muito comum nosso "sonho" de parto, ou "parto dos sonhos", vir por terra.

Conte comigo no que eu puder ajudar... Fique à vontade para conversar o que quiser... Muitas vezes eu não sei as respostas, mas podemos tentar buscá-las!"


(*Nota da Bartira*: esse texto é meu mesmo... Mudei um pouco, mas foi resposta a um email que me chegou de uma mulher grávida querendo ajuda na sua busca... Achei que a resposta ficou interessante e a modifiquei um pouco para que pudesse ser publicada aqui e fazer sentido em termos mais gerais. Acho que traz reflexões para todas nós.)

:::: Bartira ::::

Agosto 30, 2007

Contato comigo...


Caso queira entrar em contato comigo, por favor mande EMAIL.

Eu tirei o livro de recados antigos do ar (o do "Guestbook") devido a problemas de acesso.

Abraços.

:::: Bartira ::::

Agosto 15, 2007

Depoimento da Lila - Parto Humanizado Hospitalar, depois de já ter tido 2 partos vaginais com anestesia, episiotomia...



Tive a feliz surpresa de, ao abrir hoje minha caixa de msgs, encontrar este depoimento da Lila!
A pedido dela, publico-o aqui no blog.

Parabéns, Lila, pela sua busca, pelo seu sucesso, e pelos filhotes!
Bart


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LILA:

"Olá, tenho 35 anos e tive 2 filhos com 23 e 25 anos, através de parto normal, com epísio. Eu não conhecia o parto humanizado, não tinha idéia de que me cortariam, e então acreditei que fosse um procedimento de praxe. Os pontos após o parto doeram bastante, apesar da anestesia local, e depois, sentia muito desconforto durante as relações sexuais, por até 2 anos após cada parto.
Há 3 meses tive meu terceiro filho no delivery room de um hospital. Posso afirmar que a preparação do meu corpo e da minha mente através do Yoga associada às caminhadas, e ainda, às informações dos sites XôEpisio (obrigada Bartira!), Amigas do Parto e do livro Parto Ativo (Janet Balaskas) foram primordiais para o desenrolar perfeito do nascimento do meu terceiro filho.

O Parto: Durante o trabalho de parto, eu caminhei o tempo todo e me agachava durante as contrações. Fiz uso da banheira de hidromassagem e chuveiro. Quando me senti fraca, tive que me deitar, pois estava zonza. Só que as dores eram terríveis na posição horizontal. Então me lembrei da dica do mel. Tomei cerca de 3 colheres de sopa e em 5 minutos estava reanimada. Incrível! Nem parecia que eu estive tão mal minutos antes!
Era madrugada e, de repente, sabia que era “o” momento! A pressão entre as minhas pernas era enorme, eu sentia muita ardência. Coloquei a mão e percebi a cabeça do meu filho. Posicionei-me na cama, pendurei meu corpo na barra que havia sobre a minha cabeça, ficando de cócoras e comecei a fazer força.
Como ardia! Dos outros dois filhos eu não senti nada porque levei anestesia local. Desta vez, foi tudo bem natural. Nada de soro, anestesia e regras, somente o meu instinto ditava a ordem dos acontecimentos. Após alguns gemidos e palavrões, senti a cabeça do meu filho sair de dentro de mim, e depois, o corpinho. Acho que só precisei fazer força cerca de 5 vezes. Foi muito rápido.

Nicolas nasceu da maneira mais humana e natural que posso imaginar, 3 horas depois que cheguei ao hospital. Eram 03:08, ele media 50 cm, pesava 3180g, tinha 2 voltas de cordão umbilical no pescoço habilmente desfeitas no momento do nascimento e 9/10 Apgar. Muita saúde, uma beleza.

O pós-parto: Logo após nascer, o médico colocou-o no meu colo. Meu filho mamou logo que nasceu e ficou comigo por uns 20 minutos. Só então a pediatra veio pesá-lo e medi-lo, tudo dentro do quarto. Ele não foi aspirado, a vitamina K foi administrada oralmente, mas não escapou do nitrato de prata nos olhinhos por ser norma do hospital.
Enquanto eu eliminava a placenta, as outras pessoas trabalhavam na limpeza e organização do quarto, pois eu e o Nico ficaríamos ali até recebermos alta. Em poucos minutos o quarto, que antes parecia uma sala de parto, ficou com aparência de um aconchegante dormitório. Meu Nico ficou o tempo todo comigo. Meu corpo estava trêmulo e exausto, porém menos do que das outras vezes.

As conseqüências do parto: sofri uma pequena ruptura na direção do ânus, muito menor do que uma episiotomia, e as hemorróidas saltaram um pouquinho. Com 3 dias de parto fui ao shopping comprar soutien. Com 1 semana já usava jeans e nem sentia o corte! Com 1 mês e meio perdi os 14kg extras da gravidez e voltei ao meu peso normal, tinha relações sexuais sem o incômodo da cicatriz e a hemorróida já estava normal. Definitivamente, xô epísio, viva o parto humanizado, Amém ao parto ativo!

Nicolas nasceu há 3 meses e é uma bênção. Estamos todos apaixonados por ele. Só há uma palavra que define a sensação de ser mãe, novamente, aos 35 anos: SUBLIME."

:::: Bartira ::::

Julho 29, 2007

Programa Domingo Espetacular - Parto em Casa


Fonte: YouTube


:::: Bartira ::::

Matrice promove encontro no MASP durante a Semana Mundial de Aleitamento Materno – SMAM 2007


Fonte: Parto do Princípio - Matrice



Matrice, grupo de apoio à amamentação, promove um encontro para celebrar o tema “Amamentação na Primeira Hora, Proteção sem Demora” no MASP (Museu de Arte de São Paulo) no sábado, dia 4 de agosto, às 9h00hs. A ação faz parte da programação da Semana Mundial de Aleitamento Materno (SMAM), que é coordenada mundialmente pela WABA (Aliança Mundial Pró Aleitamento Materno) e que acontece de 1 a 7 de agosto. Nesta edição da SMAM, os holofotes estarão sobre a importância da amamentação na primeira hora de vida do bebê.

Serviço: Comemoração da SMAM2007 com a ação “Amamentando no Masp”
Local: vão livre do MASP (Av. Paulista, 1578 - São Paulo – SP/ tel. (11) 3251.5644 / Fax. (11) 3284.0574)
Dia: Sábado, 4 de Agosto
Horário: das 9h às 12h
Programação:
- Abaixo-assinado das crianças com Hora da Primeira Mamada.
- Roda de conversas com várias atividades como histórias e depoimentos de mães e profissionais.
- Parabéns para nossa representante da primeira hora com apresentação musical e bolo.
Telefones para mais informações: Fabíola Cassab (11) 9622 3737 e Ana Keunecke (11) 9200.1258/3611.3865
Apoio para a imprensa: Sabrina Feldman (11) 7730-8532 - http://www.matrice.wordpress.com

:::: Bartira ::::

Maio 30, 2007

SOBRE VÍDEOS DE PARTO...


A todos que estiveram por aqui pedindo vídeos sobre partos, agradeço a visita e o interesse, mas aqui pelo blog não divulgamos vídeos, nem mto menos vendemos ou enviamos os mesmos.

Caso tenha interesse em adquirir vídeos sobre o tema, recomendamos consultar a REHUNA (http://www.rehuna.org.br/) ou o Grupo GAMA (http://www.maternidadeativa.com.br/).

:::: Bartira ::::

Julho 16, 2006

Mudança de hábito


Fonte: http://www.unifesp.br/comunicacao/sp/ed07/reports1.htm - Por Kátia Stringueto.

Muitas mulheres nem sabem o nome dessa cirurgia, mesmo quando a ela foram submetidas. Trata-se da episiotomia, corte feito no parto normal para apressar o nascimento do bebê. Acontece que esse procedimento, quase sempre, é desnecessário.

Praticada em cerca de 80% dos partos, quando o ideal seria em 20%, a incisão está na mira das autoridades de saúde desde que a Medicina Baseada em Evidências provou que, na maioria dos casos, não protege nem a mãe nem o bebê. Ao contrário, seria responsável por um número maior de infecções pós-operatórias, hemorragias e até rebaixamento da bexiga.

Esse último seria um dos fatores que levam à incontinência urinária na maturidade e ocorre porque o obstetra dificilmente consegue recompor a região pélvica como antes. É mais um motivo para acabar com o vício da episiotomia.

Todo mundo sabe o quanto é difícil sair da rotina. Mesmo que seja para melhor. Em se tratando de medicina, a mudança de paradigmas é ainda mais complicada quando enfrenta a resistência dos próprios médicos.

E a episiotomia, introduzida na obstetrícia em 1742, entra como um desses hábitos duros de mudar. A incisão no períneo, grupo de músculos que vai da vagina ao ânus, seria uma forma de ampliar a abertura vaginal facilitando a saída do bebê durante o parto normal. Há até uma intenção nobre nesse procedimento. O corte, controlado, poderia ser bem suturado recompondo a musculatura local e evitando uma laceração brusca, irregular e, portanto, de difícil correção.

Parecia bom, mas a prática não comprovou a teoria e estudos recentes apontam um aumento no risco de trauma, infecções, hematoma e dor, além de maior tendência à incontinência urinária entre as parturientes que passaram pela cirurgia. "Não existe o efeito protetor que todos imaginávamos. Não é porque se fez episiotomia que a mulher não ficará com a vagina dilatada ou com a bexiga baixa", diz Eduardo de Souza, chefe do centro obstétrico do Hospital São Paulo.

Diante desses resultados, a tendência mundial é restringir o uso da episiotomia. No Brasil, uma campanha nesse sentido começou no ano passado. Há dois benefícios relevantes: primeiro, não se faz o corte na mulher (que implica uso de anestesia e risco de infecção), e, segundo, mantém-se a musculatura perineal íntegra, já que nem sempre o obstetra consegue recompor o assoalho pélvico como antes, o que pode facilitar o afrouxamento da região e rebaixamento da bexiga, levando à incontinência urinária.

Curioso é que, mesmo com todas essas vantagens, a maioria dos obstetras ainda realiza o procedimento como quem cumpre um ritual. Basta o parto demorar um pouco e pronto. Falta paciência e, pior, falta esclarecimento.

"A postura moderna é que se use a episiotomia seletiva, quando o bebê é muito grande e está forçando a região do períneo, por exemplo. Ou quando a musculatura da mulher é muito rígida. Nesse caso, uma rutura no local poderia ser tão extensa que chegaria até o ânus", esclarece Eduardo de Souza.

A inexperiência poderia até justificar que se fizesse a episiotomia antes de se ter certeza de que a musculatura perineal não vai suportar a passagem do bebê.
Não é bem o caso. A maior resistência à mudança de rotina obstétrica vêm dos médicos mais antigos. Às vezes, por uma questão de puro vício.
"Lembro de uma médica que pedia para que lhe segurassem as mãos a fim de evitar que praticasse a episio, como também é conhecida no meio médico", disse a antropóloga americana Robbie Davis-Floyd em visita à São Paulo à convite do Distrito de Saúde de Campo Limpo da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo.

A antropóloga informou que nos Estados Unidos, apesar de estar em queda, a operação ainda ocorre em 80% a 90% dos partos normais de primíparas (grávidas do primeiro filho). No Hospital São Paulo o índice é um pouco inferior: 70%. Mas ainda muito acima do desejável quando se sabe que cerca de 20% a 30% dos partos normais necessitam de episiotomia.


NORMA SEM SENTIDO

O quadro é semelhante a outro hospital conveniado ao Complexo Unifesp/SPDM, o Hospital Estadual de Diadema. Lá, de cada sete partos normais realizados por dia, cerca de cinco incluem o procedimento.

Já é um avanço quando se lembra que antigamente fazia-se episiotomia em todas as mulheres. "Era uma norma sem sentido", diz o obstetra Levon Badiglian Filho, plantonista. "O médico ainda faz a incisão meio que no piloto automático para ajudar a criança a nascer mais rápido. Mas fazer nascer mais rápido não significa fazer nascer melhor."

É essa consciência que se espera do médico. Abreviar o parto quando necessário, se o bebê está em sofrimento. Mas manter a integridade do corpo da mulher sempre que possível. O abuso da episiotomia remete a outra questão importante: como o parto é conduzido. Dar à luz na posição inclinada - e não deitada - facilita o nascimento e diminui a episio. Quanto ao medo de lesões, vale saber: "As lesões que se pode causar à mulher ao cortar-se o músculo perineal, entre a vagina e o ânus, são piores do que as pequenas lacerações", diz a enfermeira obstetra Ana Cristina d'Andretta Tanaka, do Departamento de Saúde Materno Infantil da Faculdade de Saúde Pública da USP. Pela experiência de atendimento no Hospital de Itapecerica da Serra, em São Paulo, a enfermeira observou que 50% dos partos normais acabam não tendo laceração alguma.

"Na outra metade, a maior parte sofreu lacerações superficiais, de primeiro e segundo grau. Rupturas de terceiro grau, que são um pouco mais profundas, aconteceram em 5% das parturientes, enquanto que nenhuma apresentou laceração grave", conta.

:::: Bartira ::::

Junho 1, 2006

Campanha Nacional de Incentivo ao Parto Normal e Redução da Cesárea Desnecessária


Fonte: 27-05-2006 13:05:40 - Da Redação: Fonte - Agência Saúde - http://www.informesergipe.com.br/pagina.php?sec=10&&rec=13588.

O Ministério da Saúde lança na próxima terça-feira (30), a campanha nacional de incentivo ao parto normal e redução da cesárea desnecessária. De acordo com os dados de 2004 do Sistema de Nascidos Vivos (Sinasc) do ministério 41,8% dos partos realizados em todo o Brasil foram cirúrgicos.

Com a deflagração da campanha, entre outras ações, o ministério celebra o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, comemorados no domingo.

A campanha atingirá todo o país. Cerca de 90 mil cartazes e de 3 milhões de fôlderes sobre os benefícios do parto humanizado serão distribuídos, prioritariamente, para mulheres grávidas e profissionais dos serviços de saúde públicos e privados que atendem gestantes e realizam partos. Trata-se de mais uma medida de qualificação do atendimento de mulheres no Sistema Único de Saúde (SUS). O direito da mulher em trabalho de parto e pós-parto à acompanhante na rede SUS, recentemente garantido em lei e regulamentado pelo ministério, também será abordado pela campanha.

"O parto normal pode ser uma experiência enriquecedora para a mulher e sua família se atendido de forma humanizada e com fundamentação em evidências científicas e sem intervenções desnecessárias. As cesáreas aumentam riscos de morte, lesões acidentais, reações à anestesia, infecções e hemorragias das usuárias, e de prematuridade e desconforto respiratório, de seus bebês", ressalta a diretora do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas do Ministério da Saúde, Cristina Boaretto.

:::: Bartira ::::

Maio 10, 2006

Rede de mulheres faz ação pública pelo parto normal em cinco capitais no Dia das Mães


No mês em que se comemora o Dia das Mães e a Semana Mundial de Respeito ao Nascimento, a rede Parto do Princípio, que reúne 200 ativistas em 13 estados brasileiros, vai às ruas para homenagear as mães brasileiras e incentivar uma nova forma de gestar, parir e nascer.



A ação coordenada acontece no sábado, dia 13 de maio, em São Paulo (Parque Ibirapuera - das 14:30 às 17 hs), Rio de Janeiro (Parque dos Patins - das 11 às 14 hs), Recife (Parque da Jaqueira - das 15:30) e Porto Alegre (Parque da Redenção - das 11 às 13 hs).
Em Salvador o evento ocorrerá no final da passarela que liga a Rodoviária com o Shopping Iguatemi, ocorrendo em frente a entrada do mesmo, das 12:00 hs as 13:30 hs, marcando, também, o lançamento do Núcleo Salvador. O evento terá a participação da Dep. Estadual Lidice da Mata.
As ativistas estarão vestidas com a camiseta da Parto do Princípio e vão dar um presente para as mulheres em homenagem ao Dia das Mães. Haverá também a distribuição de panfletos de incentivo ao parto normal ativo e protesto contra o uso indiscriminado da cesariana no Brasil.

A ação também divulgará o novo site da rede (www.partodoprincipio.com.br), que reestréia esta semana totalmente reformulado: novo layout, novos artigos (que exploram a fundo a questão da dor do parto), novas seções (notícias, relatos de partos, entre outras) e uma entrevista exclusiva com Renata Dias Gomes, neta de dois gênios da dramaturgia brasileira, Janete Clair e Dias Gomes. Ela fala sobre seu parto natural hospitalar, seu ativismo pró-parto-normal e a vida como roteirista de telenovelas.

O novo site está lançando ainda a Campanha pelo Fim da Taxa do Acompanhante nas Maternidades Particulares, que pretende levar um abaixo-assinado ao Congresso Nacional, pedindo que a Lei do Acompanhante (recém-aprovada para o SUS, garantindo a presença acompanhante no momento do parto) passe a valer também para os hospitais privados, sem custos para a gestante.

A ação pública e o novo site representam a participação 'antecipada' da Parto do Princípio na Semana Mundial de Respeito ao Nascimento, promovida pela ONG francesa AFAR (www.smar.info), que acontece de 15 e 21 de maio, em diversos países da Europa e na Argentina. O objetivo geral do movimento é protestar contra o uso excessivo de intervenções médicas no momento do nascimento, os desnecessários protocolos hospitalares e a industrialização do processo de nascimento.


*INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES*

Desde seu lançamento, em 8 de março, Dia da Mulher, a Parto do Princípio - Mulheres em Rede pela Maternidade Ativa, vem tendo repercussão muito positiva tanto na mídia quanto na sociedade civil. Durante a semana de estréia do site, por exemplo, foram dadas mais de 20 entrevistas para a mídia, o site recebeu mais de 2 mil acessos e o movimento conquistou 50 novas filiações.

"Nosso objetivo é oferecer 'apoio de mulher para mulher' para quem está grávida ou planeja ficar", diz Ingrid Lotfi, uma das idealizadoras do movimento formado por uma rede virtual de mulheres brasileiras, que trabalham diariamente pela internet na divulgação dos benefícios do parto normal ativo.

O próximo passo é registrar o movimento como ONG, o que deve acontecer ainda este ano para que a Parto do Princípio possa ampliar seu papel enquanto canal de informação e apoio às gestantes que desejam ter um parto normal ativo, mas enfrentam os inúmeros obstáculos no sistema obstétrico brasileiro, que registra altas taxas de cesariana (27% na rede pública e 80% na rede particular de saúde).

O movimento prevê ainda uma série de ações de alcance local e nacional. Conheça algumas delas:

- Promover encontros presenciais gratuitos de apoio e discussão sobre gravidez, parto e pós-parto em todas as cidades onde exista uma representante da rede.

- Articular o envio de críticas e reclamações para veículos de comunicação que divulgarem informações equivocadas sobre gravidez e parto.

- Conquistar espaço na mídia para divulgar informação de qualidade sobre gravidez e parto, sempre alinhadas com as recomendações da Organização Mundial de Saúde.

- Produzir uma cartilha para divulgação dos benefícios do parto normal ativo.

- Oferecer material de divulgação e realizar palestras com informação de qualidade em comunidades locais (igrejas, empresas, escolas, etc).

- Representar a 'voz das mulheres' em eventos científicos e sociais de saúde da mulher, saúde infantil e saúde reprodutiva (congressos, conferências médicas, feiras).

- Produzir documentários, vídeos e programas de rádio educativos para distribuição e veiculação gratuitas em todo o Brasil.

- Produzir campanhas contra o desrespeito e descumprimento dos direitos da mulher nas instituições públicas e particulares.

- Realizar um Congresso Anual para discussão de conquistas e metas das mulheres na luta pela humanização do nascimento e melhoria no atendimento ao parto no Brasil.

- Promover uma comissão política responsável pela elaboração de documentos, manifestos, abaixo-assinados e articulação de projetos de lei municipais, estaduais e federais.


*FICHA TÉCNICA*

Evento:
Ação Parto do Princípio no Dia das Mães

Data:
Sábado, 13 de maio

Locais:

São Paulo - Parque Ibirapuera - Praça do Porquinho - portão 6
Horário: das 14:30 às 17 hs

Rio de Janeiro - Parque dos Patins
Horário: das 11 às 14 hs

Recife - Parque da Jaqueira
Horário: das 15h30 às 17hs

Porto Alegre - Parque da Redenção
Horário: das 11 às 13 hs

Salvador - em frente ao Shopping Iguatemi, final da passarela entre a Rodoviária e o Shopping
Horário: das 12 às 13:30 hs


*MAIS INFORMAÇÕES SOBRE A AÇÃO*

SP
Roberta Marcinkowski - roberta@partodoprincipio.com.br
Tel. (11) 3272-8908 / 8208-2119

Daniela Buono - danibuono@partodoprincipio.com.br
Tels. (11) 5536-0182 / 8158-7004

Ana Cristina Duarte - anacris@partodoprincipio.com.br
Tels. (11) 3727-1735 / 9806-7090

Luiza Naked - luiza@partodoprincipio.com.br
Tel. (11) 9274-3731

Renata Penna - repenna@partodoprincipio.com.br
Tels. (11) 61626654 / 81444816

RJ
Maíra Libertad Soligo Takemoto - maira@partodoprincipio.com.br
Tel. (21) 8204-9279

Ingrid Oliviera Lotfi - ingrid@partodoprincipio.com.br
Tel. (22) 2453-4368 / 9321-2989

RS
Larissa Grandi
Tel. (51) 3249-6034 / 9986-7488 - larissa@partodoprincipio.com.br

BA
Monica Camões - monicatcamoes@hotmail.com
Tel. (71) 3334-5346

PE
Moema Silva - moemasilva@terra.com.br
Tel. (81) 9635-5313 / 3468-7921

Daniela Gayoso - dangayoso@oi.com.br
Tel. (81) 9973-8035 / 3454-2505

Julia Morim - jmorim@yahoo.com
Tel. (81) 9979-8817 / 3266-5043

Marina Maria - marinamts@gmail.com
Tel. (81) 8805-2105 / 3274-0444

:::: Bartira ::::

Maio 8, 2006

Uma rede nacional de mulheres unidas pelo seu direito de parir...


Partimos do princípio de que uma nova forma de gestar é possível.

Partimos do princípio de que toda mulher pode fazer sua revolução particular para ter um parto normal, ativo e saudável.

Nosso princípio é o fim das cesarianas desnecessárias no Brasil!


Conheça nosso trabalho e participe: www.partodoprincipio.com.br.

Com base nos nossos princípios acreditamos que começando por cada uma de nós é que podemos fazer uma história diferente para o parto e nascimento no Brasil!

Junte-se a nós na Ação da Parto do Princípio no Dia das Mães, em prol do protagonismo da mulher no parto e contra as cesarianas desnecessárias no nosso país!

A Ação será realizada em várias cidades do Brasil no sábado, dia 13 de maio, em homenagem também ao dia das mães... Aqui no Rio de Janeiro estaremos no Parque dos Patins, na Lagoa, das 11 às 13 horas.

Às 11 horas haverá a apresentação do Grupo de gestantes da Casa de Parto David Capistrano (Realengo - RJ) que faz dança como terapia corporal na gestação. Após, estaremos reunidas para uma confraternização e para trocar informações, dar orientações sobre nossa rede e divulgar nosso trabalho.

VENHAM NOS ENCONTRAR!!!

Para mais informações, entre em contato comigo por email: bartira.carvalho@globo.com.

:::: Bartira ::::

Abril 15, 2006

Trevas e Luz


Nota da Bart: Mais uma vez peço licença para publicar um texto que não versa diretamente sobre a questão da episiotomia de rotina, mas sim sobre a humanização do nascimento, assunto intimamente correlacionado. Este texto foi copiado de uma mensagem enviada pelo Dr. Ricardo Herbert Jones para a lista Parto Nosso em 14 de Abril de 2006. Onde, como lhe é usual, o autor consegue colocar em palavras bem organizadas a síntese de muita coisa que acho importante informar.
Aproveitando a ocasião da Páscoa, que também significa RENASCIMENTO, acho que cabe perfeitamente a publicação deste texto aqui.



"O caminho que a humanização do nascimento vem trilhando é igual a todos os outros movimentos 'libertários' que podemos distinguir ao analisar a história da humanidade. O ponto de partida para qualquer um desses movimentos, qualquer que seja sua época de aparição, é sempre uma indignação surda, uma inquietação sem objeto claro, uma 'farpa na mente, ardente e corrosiva', como me dizia Maximilian. Sabemos que algo está fora de lugar, mas não entendemos bem o que. É como a clara sensação de que saímos da estrada porque nos falta o asfalto sob os pés, mas não sabemos onde estamos nem como voltar para o caminho. Uma sensação de isolamento e dor; raiva e medo.

Em qualquer uma das situações que possamos analisar, a trajetória será semelhante. Quando observamos as lutas trabalhistas do início do século XX, notamos que a indignação dos trabalhadores com os baixos salários, a exploração, as péssimas condições de higiene e a carga desumana de trabalho foram respondidas por eles com violência e agressão, como a destruição de máquinas e a queima dos equipamentos. Não havia sutileza alguma: a maquinaria e o empresariado eram diabolizados, e criava-se a ilusão de que a simples destruição irrefletida dos equipamentos poderia suavizar a discrepância entre os que detinham o capital e os que se submetiam a ele.

O correr dos anos nos mostrou que esta estratégia não era capaz de solucionar a questão. O empresariado, mesmo que despótico e desumano, era composto de indivíduos que não diferiam, em essência, dos proletários. Bastava que um empregado atingisse os estratos burgueses da sociedade para que passasse a agir de acordo com os antigos inimigos. Assumia todos os trejeitos e vícios dos que outrora criticava. A possibilidade de ascensão social nos mostrou que as diferenças não eram devidas a uma essência diferenciada entre 'bem-nascidos' e 'miseráveis', mas sim o produto de uma ultra-estrutura desigual e perversa que era (é) a arquitetura básica de nossas sociedades.

A destruição dos móveis, equipamentos e mesmo dos próprios burgueses jamais melhorou qualquer modelo social ocidental. A experiência do socialismo científico 'real', da antiga União Soviética, deixou clara a impossibilidade de acabar à força com estas diferenças sociais. Mudanças desta natureza ocorrem apenas quando a sociedade inteira dá um passo no sentido da solidariedade e da união. Jamais ocorreram por decreto.

A humanização do nascimento também surgiu como um movimento de indignação e protesto contra o que nos parecia uma violação da natureza. Carregamos no íntimo um "genus protetans" (expressão que o Max usava) que é ativado quando algo suficientemente ameaçador atinge a nossa espécie. Temos uma percepção inconscientemente de que, se violarmos o momento do nascimento, estaremos colocando em risco a própria sobrevivência da espécie. Os anciãos Innuit diziam 'É preferível que morra uma criança do que exterminar uma cultura', explicando porque achavam que a remoção de mulheres grávidas para grandes cidades do Canadá colocava em risco toda a cultura esquimó, pois que nenhuma criança nascia nos eu solo sagrado: eram todas 'estrangeiras', 'alienígenas em sua própria terra'.

Entretanto, nossa forma de reagir frente ao que entendemos como ameaça difere no tempo, como qualquer outro movimento, mas não nos passos fundamentais. No passado, 'queimávamos' a tecnologia e os médicos, acreditando serem eles os responsáveis por uma cultura que desprezava as qualidades femininas de gestar e parir. Tínhamos a idéia de que eles, movidos por sentimentos egoísticos e interesseiros, eram os culpados pela situação que ainda nos encontramos. A hospitalização de todas as mulheres, o uso de drogas perigosas na gravidez e no parto, as analgesias e cirurgias desmedidas e a alienação crescente das mulheres, eram vistos pelos humanistas como produções que tinham um grande culpado: os médicos e a sua medicina mercantilista.

Foram necessários alguns anos para que percebêssemos o simplismo ingênuo dessas afirmações. Médicos nada mais são do que produtos de uma sociedade tecnocrática, que reproduzem valores que a mesma sociedade valoriza. Não existe sociedade violenta com médicos vestais; não existe sociedade evoluída em que os médicos também não sejam preparados de forma menos agressiva. A tela de Magritte 'Drawing Hands' é para mim a melhor metáfora deste modo de ver nosso crescimento: duas mãos em oposição, em que uma acaba o desenho da outra. Somos responsáveis pelos médicos e pela medicina que cultuamos. Somos os CRIADORES e perpetuadores deste modelo, e só nós poderemos mudá-lo. Médicos e medicina obedecem inconscientemente aos ditames profundos desta cultura e, portanto, mudar o modo como nascemos é uma tarefa de cada um de nós que compõe esta civilização. Uma assistência gentil e digna ao nascimento criará as condições psicológicas para uma sociedade menos violenta; ao mesmo tempo uma sociedade menos violenta EXIGIRÁ que nossos cuidadores atendam mulheres com suavidade, gentileza e respeito no momento de parir. Uma mão acaba o desenho da outra, formando um círculo virtuoso.

As trevas da assistência ao nascimento surgem desta vinculação do nascimento humano às correntes de pensamento que desqualificam a mulher e o feminino. Somos herdeiros de um modelo patriarcal que nos acompanha há mais de 10 mil anos, criado pelas necessidades advindas da posse e da guerra. Enquanto mulheres forem consideradas seres inferiores e defectivas (pois não afeitas ao combate), jamais poderemos ter dignidade no momento do nascimento. Enquanto a violência for o método natural de relação entre as criaturas, os guerreiros e os senhores da guerra serão os donos desta civilização. A mudança será pela paz. Somente a PAZ poderá nos retirar das trevas e nos elevar à luz.

Uma boa Páscoa a todos!

Ric"

:::: Bartira ::::

Março 22, 2006

Como proteger meu Períneo?


Fonte: Renata Dias Gomes (Mãe de Maiara, parto natural hospitalar), Parto do Princípio - Mulheres em Rede pela Maternidade Ativa

"Um dos maiores medos das mulheres que passarão pelo parto normal é o estado que ficará seu períneo depois da passagem do bebê.

Esse é também um dos maiores receios daquelas que peitam tudo e todos e pedem pra que não seja feita episiotomia de rotina.

Assumir os riscos de uma "tragédia" com o períneo como a gente sempre escuta por aí pode não parecer fácil a primeira vista.

Mas se torna muito mais fácil assumir essa posição quando começamos a estudar e perceber que a episiotomia é o vilão de muitos partos vaginais em que a mulher reclama de dores pra sentar no período pós-parto, relata que vai precisar de cirurgia no períneo e reclama da experiência.

Uma laceração natural na maioria das vezes envolve um número muito menor de pontos, além de ser mais superficial que o corte cirúrgico da episiotomia.

Eu briguei por isso e não tive nenhuma laceração (não levei nenhum ponto no parto)! O primeiro passo foi encontrar um médico que fosse favorável e não cortasse nada antes da hora e também me ajudaram bastante os exercícios e conselhos que aprendi no grupo de gestantes.

Além dos exercícios tradicionais de contrair e soltar a musculatura do períneo (prenda e solte o xixi pra testar), nas aulas de yoga treinava bastante a posição de cócoras e me acostumei a ficar também assim dentro de casa ou ao menos não sentar em cadeiras ou sofás, sentando diretamente no chão. Isso facilita bastante a abertura da pelve e aumenta a elasticidade do períneo.

Com a mesma finalidade de elastecer o períneo, aprendi um exercício pra fazer com uma bolinha dessas que se dá pro cachorro morder (nem dura nem mole). De todos, foi o mais eficiente! Sentava com as solas dos pés unidas (borboleta), colocava a bolinha embaixo do "ísquio". O ísquio é um osso que constitui a zona inferior da pélvis (quadril) e que apoia o corpo quando estamos sentados. Eu rebolava sobre a bolinha durante algum tempo numa nádega. Depois, invertia o lado. Incrível como logo em seguida dá pra sentir a diferença conseguindo sentar no chão muito melhor!!!

Além disso, vale lembrar que a posição verticalizada (e eu pari de cócoras) já facilita naturalmente a abertura da pelve e a saída do bebê.

Durante a saída, foi importante controlar pra que ela saísse suavemente (o médico ajudou pedindo pra parar de fazer força quando ela estava no meio do caminho) ...

A alta veio em 15 dias para exercícios e retorno a vida sexual e não houve nenhuma diferença entre antes e depois do parto. As coisas continuam como antes!!!"

:::: Bartira ::::

Março 9, 2006

Mulheres se organizam contra a banalização da cesariana




Lançamento de site no Dia Internacional da Mulher é primeira ação do grupo Parto do Princípio, que reúne 150 ativistas do parto normal em onze estados brasileiros e se prepara para lançar ONG

No 8 de março, Dia Internacional da Mulher, será lançado o site do grupo Parto do Princípio - Mulheres em Rede pela Maternidade Ativa (www.partodoprincipio.com.br).

O site oferecerá informação e "apoio de mãe para mãe" a gestantes que desejam ter um parto normal, mas enfrentam inúmeros obstáculos no sistema obstétrico brasileiro, que registra altas taxas de cesariana (27% na rede pública e 80% na rede particular de saúde).

O site Parto do Princípio estréia com a apresentação dos trabalhos do grupo, artigos de algumas das participantes e um convite para mulheres de todo o país participarem da "rede pela maternidade ativa".

Em breve, o site lançará também uma galeria de relatos de partos (normais hospitalares, domiciliares e cesarianas) e uma enquete sobre como as mulheres que tiveram partos normais percebem essa experiência. E, claro, muitos artigos das participantes e convidados, sempre repletos de crítica, reflexão e informações alinhadas com as recomendações da Organização Mundial de Saúde sobre gravidez, parto e pós-parto.

Haverá ainda um grande banco de imagens de todos os tipos de partos, uma lista de profissionais humanizados em todo o Brasil, um serviço de apoio online 24 horas, programas educativos de rádio para download, uma seção especial para a imprensa (com pesquisas científicas, sugestões de pauta e imagens de divulgação), textos sobre experiências de sucesso na assistência à gravidez e parto pelo mundo afora, debates entre especialistas, produtos exclusivos da marca Parto do Princípio (camisetas, sacolas, adesivos, cartazes) e uma seção científica com todas as recomendações da Medicina Baseada em Evidências e da Organização Mundial de Saúde.

"A gente quer oferecer apoio de mãe para mãe para mulheres que estão ou planejam estar grávidas em todo o país", diz Ingrid Lotfi, uma das idealizadoras do movimento. "Uma de nós estará sempre disponível pra conversar e esclarecer dúvidas pelo site, telefone ou mesmo presencialmente", diz Ingrid. "A sensibilidade é a chave do nosso projeto", diz Andreza, enfermeira de 24 anos, que não tem filhos, mas está participando da rede.

O lançamento do site é a primeira de uma série de ações previstas pelo grupo Parto do Princípio, que já reúne 150 mulheres voluntárias espalhadas em onze estados brasileiros mais o Distrito Federal (SP, RJ, MG, BA, PR, RS, CE, SC, ES, AM, PE), trabalhando diariamente pela Internet.

Por enquanto, a principal meta da rede de mulheres é ser uma ONG para representar "a voz das mulheres" na luta pela melhoria das condições de atendimento ao parto no país.

** Entre as ações previstas estão: **

- Construir o estatuto e regularizar a rede como uma ONG ou OSCIP.

- Promover encontros presenciais gratuitos de apoio e discussão sobre gravidez, parto e pós-parto em todas as cidades onde exista uma representante da rede.

- Articular o envio de críticas e reclamações para veículos de comunicação que divulgarem informações equivocadas sobre gravidez e parto.

- Conquistar espaço na mídia para divulgar mais informações de qualidade sobre gravidez e parto, sempre alinhadas com as recomendações da Organização Mundial de Saúde.

- Produzir uma cartilha para divulgação dos benefícios do parto normal e natural e procedimentos envolvidos.

- Oferecer material de divulgação e realizar palestras com informação de qualidade em comunidades locais (igrejas, empresas, escolas, etc).

- Representar a "voz das mulheres que buscam um parto normal e humanizado" em eventos científicos e sociais de saúde da mulher, saúde infantil e saúde reprodutiva (congressos, conferências médicas, feiras).

- Produzir documentários, vídeos e programas de rádio educativos para distribuição e veiculação gratuitas em todo o Brasil.

- Produzir campanhas contra o desrespeito e descumprimento dos direitos da mulher nas instituições públicas e particulares.

- Realizar um Congresso Anual para discussão de conquistas e metas das mulheres na luta pela humanização do nascimento e melhoria no atendimento ao parto no Brasil.

- Promover uma comissão política responsável pela elaboração de documentos, manifestos, abaixo-assinados e articulação de projetos de lei municipais, estaduais e federais.

- Fazer como as Mães da Plaza de Mayo, andar pelas ruas com cartazes de protesto: "Chega de apenas UM acompanhante no parto!", "Chega destes índices CRIMINOSOS de cesárea em hospitais privados!" ou "Não queremos mais PAGAR para que o pai assista o nascimento do nosso bebê!"


CONTATOS:

Núcleo São Paulo:
Daniela Buono - danibuono@partodoprincipio.com.br
Tels. (11) 5536-0182 / 8158-7004

Núcleo Rio de Janeiro:
Ingrid Oliveira Lotfi - ingrid@partodoprincipio.com.br
Tels. (21) 9321-2989 ou (21) 2453-4368

:::: Bartira ::::

Janeiro 4, 2006

Mitos da Obstetrícia versus Realidade... Capítulo 14: Episiotomia


Fonte: http://www.hencigoer.com/obmyth/epis.html

MITO: um corte bonito e limpo é melhor que uma laceração irregular.

REALIDADE: "Assim como qualquer procedimento cirúrgico, a episiotomia implica em riscos como: perda excessiva de sangue, formação de hematoma e infecção... NÃO HÁ EVIDÊNCIAS de que essa rotina reduza o risco de trauma perineal severo, melhore a cicatrização do períneo, previna trauma fetal ou reduza o risco de incontinência urinária." - Sleep, Roberts, and Chalmers (1989)



**RESUMO DE PONTOS SIGNIFICANTES**

- Episiotomias não previnem laceração em direção ou nos esfíncteres anal ou vaginal. Na realidade, lacerações profundas quase nunca ocorrem na ausência de uma episiotomia.

- Mesmo quando corretamente reparadas, lacerações no esfíncter anal podem causar problemas crônicos como dor no ato sexual e incontinência fecal ou de gases em idade mais avançada. Em adição, injúria anal predispõe à fístulas retovaginais.

- Se uma mulher nunca passou por uma episiotomia, é possível que tenha uma laceração pequena, mas, com raras exceções, a laceração pode ser pior que uma episiotomia.

- Episiotomia não previne contra relaxamento (ou queda - nota da Bart) da musculatura do assoalho pélvico. Assim, ela não previne contra incontinência urinária ou melhora a satisfação sexual.

- Uma episiotomia não é mais fácil de reparar que uma laceração.

- Uma episiotomia não cicatriza melhor que laceração.

- Episiotomias não são menos dolorosas que lacerações. Elas podem, inclusive, causar problemas prolongados como dor, especialmente no ato sexual.

- Episiotomias não previnem injuries no nascimento, nem danos à cabeça do bebê.

- Episiotomia aumenta a perda de sangue.

- Como qualquer outro procedimento cirúrgico, uma episiotomia pode levar a infecção, incluindo infecção fatal.

- Anestesia peridural aumenta a necessidade de episiotomia. Ela também aumenta a probabilidade de parto a fórceps. Parto a fórceps aumenta a ocorrência de episiotomia e lacerações profundas..

- A posição de litotomia (mulher deitada em decúbito dorsal com as pernas em aparadores - nota da Bart) aumenta a necessidade de episiotomia, provavelmente porque o períneo está estirado.

- A filosofia de atendimento ao parto, as técnicas, experiência e habilidade da equipe que auxilia a mulher são os maiores determinantes no sucesso da proteção do períneo.

- Algumas técnicas de redução de trauma perineal que têm sido avaliadas e se mostraram efetivas são: massagem perineal no pré-natal, nascimento suave da cabeça do bebê, apoiando o períneo e mantendo a cabeça do bebê flexionada, deixando sair os ombros um de cada vez, fazendo partos instrumentais sem episiotomia. (Outras técnicas como massagem perineal durante o trabalho de parto ou compressas quentes ainda devem ser estudadas.

- Independente de contrair especificamente a musculatura perineal (como nos os exercícios de Kegel), um programa regular de exercícios para essa musculatura fortalece o assoalho pélvico.


Nota da BART: O texto completo que peguei lá no site citado no item "Fonte" é esse que segue abaixo... Espero um dia traduzi-lo na íntegra. Como ainda não tive tempo, resolvi publicá-lo assim mesmo... Quem tiver como ler um pouco ou muito do Inglês já vai se beneficiando... ;-)


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"Routine or prophylactic episiotomy (as opposed to episiotomy for specific indication such as fetal distress) is the quintessential example of an obstetrical procedure that persists despite a total lack of evidence for it and a considerable body of evidence against it. All the authoritative pronouncements in favor of episiotomy descend from a 75-year-old article (DeLee 1920) that produced not a shred of evidence in its support. Most recently, Williams Obstetrics (Cunningham, MacDonald, and Gant 1989) states, "The reasons for [episiotomy's] popularity among obstetricians are clear. It substitutes a straight, neat surgical incision for the ragged laceration that otherwise frequently results. It is easier to repair and heals better than a tear." Human Labor and Birth (Oxorn-Foote 1986) adds that it averts "brain damage" by "lessen[ing] the pounding of the head on the perineum." An earlier edition of William's Obstetrics (Pritchard, MacDonald, and Gant 1985) claims that it reduces the incidence of cystocele (a herniation of the posterior bladder through the anterior rectal wall), rectocele (a herniation of the anterior rectal wall through the posterior vaginal wall), and stress incontinence (involuntary loss of urine in response to laughing, sneezing, etc., although the 1989 edition admits this benefit is unproved). It then lists "important questions for the obstetrician concerning episiotomy," none of which is whether to do one at all. In a branch of medicine rife with paradoxes, contradictions, inconsistencies, and illogic, episiotomy crowns them all. The major argument for episiotomy is that it "protects the perineum from injury," a protection accomplished by slicing through perineal skin, connective tissue, and muscle. Obstetricians presume spontaneous tears do worse damage, but now that researchers have gotten around to looking, every study has found that deep tears are almost exclusively extensions of episiotomies. This makes sense, because as anyone who has tried to tear cloth knows, intact material is extremely resistant until you snip it. Then it rips easily.

By preventing overstretching of the pelvic floor muscles, episiotomies are also supposed to prevent pelvic floor relaxation. Pelvic floor relaxation causes sexual disatisfaction after childbirth (the concern was the male partner, of course, hence, the once-popular "husband's knot," an extra tightening during suturing that made many women's sex lives a permanent misery), urinary incontinence, and uterine prolapse. But older women currently having repair surgery for incontinence and prolapse all had generous episiotomies. In any case, episiotomy is not done until the head is almost ready to be born. By then, the pelvic floor muscles are already fully distended. Nor has anyone ever explained how cutting a muscle and stitching it back together preserves its strength.

Perhaps the most absurd rationale of all is brain damage from the fetal head's "pounding on the perineum." A woman's perineum is soft, elastic tissue, not concrete. No one has ever shown that an episiotomy protects fetal neurologic well-being, not even in the tiniest, most vulnerable preterm infants, let alone a healthy, term newborn (Lobb, Duthie, and Cooke 1986; The 1990, both abstracted below).

Meanwhile, as the authors of this chapter's "Reality" quotation point out, episiotomy, like any other surgical procedure, carries the risk of blood loss, poor wound healing, and infection. Infections are painful. Sutures must be removed to drain the wound, and later the perineum must be restitched. In their literature survey Thacker and Banta (1983, abstracted below) found wound infections and abscess rates ranging from 0.5% to 3%.

Moreover, there are two extremely rare gangrenous infections called necrotizing fasciitis and clostridial myonecrosis reported in the literature. These infections kill many of the women who contract them and maim the survivors. William's Obstetrics (Cunningham, MacDonald, and Gant 1989) says of them in boldface type, "Mortality is virtually universal without surgical treatment, and it approaches 50% even if aggressive excision is performed." While these infections are rare, they make a substantial contribution to maternal mortality. Between 1969 and 1976 they caused 27% (3/11) of the maternal deaths in Kern County, California (Ewing, Smale, and Eliot 1979). A fourth woman survived, spending 23 days in the hospital. Shy and Eschenbach (1979) report on four cases in King County, Washington, between 1969 and 1977. Three women died, representing 20% of the maternal mortality rate during those years. The fourth woman survived, losing most of her vulva to surgical excision and debridement. Nine additional cases are also reported, of which seven women died and two had extensive surgeries and prolonged hospitalizations (Soper 1986; Sutton et al. 1985; Ewing, Smale and Elliott 1979; Golde and Ledger 1977). Since all fatalities were in healthy women who had uncomplicated labors, their episiotomies literally killed them!

Obviously an infection could start in a repaired tear, but substantial numbers of women who do not have episiotomies have intact perineums. There also appears to be an association between the extent of the wound and these deadly infections. Nine of the 17 cases, or more than half, involved third- or fourth-degree injuries (tears or deliberate cuts into or through the anal sphincter). It bears repeating that women with no episiotomy hardly ever suffer deep tears.

Despite two decades of evidence to the contrary, most doctors and some midwives still cling to the liberal use of episiotomy. The Canadian multicenter randomized controlled trial (Klein et al. 1992, abstracted below) could not get doctors to abandon it. Episiotomy rates were reduced by only one-third in the so-called restricted arm of the study. More than half of primiparas in the restricted group (57%) still had episiotomies, as did nearly one-third of multiparas (31%). "The intensity with which physicians adhere to the belief that episiotomy benefits women is well illustrated by the behavior of many of the participating physicians in this trial. Many were unwilling or unable to reduce their episiotomy rate according to protocol."

If episiotomy lacks scientific rationale, what drives its use? As Robbie Davis-Floyd (1992), medical anthropologist, writes, episiotomy fits underlying cultural beliefs about women and childbirth. It reinforces beliefs about the inherent defectiveness and untrustworthiness of the female body and the dangers this poses to women and babies. So DeLee (1920), imbued with these beliefs, writes:

Labor has been called, and still is believed by many, to be a normal function. . . . [Y]et it is a decidedly pathologic process. . . . If a woman falls on a pitchfork, and drives the handle through her perineum, we call that pathologic--abnormal, but if a large baby is driven through the pelvic floor, we say that is natural, and therefore normal. If a baby were to have its head caught in a door very lightly, but enough to cause cerebral hemorrhage, we would say that it is decidedly pathologic, but when a baby's head is crushed against a tight pelvic floor, and a hemorrhage in the brain kills it, we call this normal.

Having invented the problem, he proffers a solution: as soon as the head passes through the dilated cervix, anesthetize the woman with ether, cut a large mediolateral episiotomy, pull the baby out with forceps, and manually remove the placenta, then give the woman scopolamine and morphine for the lengthy repair work and to "prolong narcosis for many hours postpartum and to abolish the memory of labor." Repair involves pulling down the cervix with forceps to examine it and stitch any tears and laboriously reconstructing the vagina to restore "virginal conditions." While few modern obstetricians are willing to go as far as DeLee, these beliefs about women still pervade obstetrics, and they fuel episotomy.

Episiotomy serves another purpose. Davis-Floyd observes that surgery holds the highest value in the hierarchy of Western medicine, and obstetrics is a surgical specialty. Episiotomy transforms normal childbirth--even natural childbirth in a birthing suite--into a surgical procedure.

Davis-Floyd also points out that episiotomy, the destruction and reconstruction of women's genitals, allows men to control the "powerfully sexual, creative, and male-threatening aspects of women." This is what lurks behind DeLee's emphasis on surgically restoring "virginal conditions." It also partially explains why most trials of episiotomy have been done in European countries where normal birth is conducted by female midwives, not in the U.S. or Canada, where birth is conducted (until recently) by male doctors: women are not subconsciously threatened by birth. Klein et al. attribute the greater success of a British "restricted" versus "liberal" use of episiotomy trial in achieving fewer episiotomies and more intact perineums to "the increased comfort of British midwives in attending births with the intention of preserving an intact perineum."

In short, routine episiotomy has a ritual function but serves no medical purpose. If any reader believes otherwise, I challenge him or her to find a credible study done in the past 15 years that supports those beliefs.

Note: There are two types of episiotomies: midline or median (straight down toward the rectum) and mediolateral (down and off to one side) U.S. and Canadian doctors usually do midline episiotomies while European doctors and midwives prefer mediolateral ones. According to Williams Obstetrics,(Cunningham, MacDonald, and Gant 1989) midline episiotomies are less painful, heal better, are less likely to cause dyspareunia (coital pain), and cause less blood loss, but they are more likely to extend into the rectum. Mediolateral episiotomies are the opposite. Because of these differences, I will note which type was performed after the abstract citation.

Because of these differences, I have excluded studies of mediolateral episiotomy where data were available on median episiotomies. For many areas of interest, however, they were unavailable. (For those living in countries where mediolateral episiotomy is the norm, conclusions about the benefits and risks of episiotomy were similar regardless of type.) This is because until very recently, U.S. and Canadian doctors were so convinced of episiotomy's value that they did not feel it necessary to test their theory. This was less true of European midwives, and by extension, the doctors with whom they work."


**SUMMARY OF SIGNIFICANT POINTS**

- Episiotomies do not prevent tears into or through the anal sphincter or vaginal tears. In fact, deep tears almost never occur in the absence of an episiotomy. (Abstracts 1-12, 16, 19-20, 23-28)
- Even when properly repaired, tears of the anal sphincter may cause chronic problems with coital pain and gas or fecal incontinence later in life. In addition, anal injury predisposes to rectovaginal fistulas. (Abstracts 11, 15, 21-22)
- If a woman does not have an episiotomy, she is likely to have a small tear, but with rare exceptions the tear will be, at worst, no worse than an episiotomy. (Abstracts 1, 2, 5, 8-10, 14, 16, 24-25)
- Episiotomies do not prevent relaxation of the pelvic floor musculature. Therefore, they do not prevent urinary incontinence or improve sexual satisfaction. (Abstracts 1-4, 7, 12-16)
- Episiotomies are not easier to repair than tears. (Abstracts 1, 3, 9)
- Episiotomies do not heal better than tears. (Abstracts 1, 5-6, 12-15, 21)
- Episiotomies are not less painful than tears. They may cause prolonged problems with pain, especially pain during intercourse. (Abstracts 1, 2, 7, 12, 14-15, 19-20)
- Episiotomies do not prevent birth injuries or fetal brain damage. (Abstracts 1, 3, 5-7, 12, 14, 17-18, 27)
- Episiotomies increase blood loss. (Abstracts 1, 12, 19)
- As with any other surgical procedure, episiotomies may lead to infection, including fatal infections. (Abstracts 1, 12, 19, 22)
- Epidurals increase the need for episiotomy. They also increase the probability of instrumental delivery. Instrumental delivery increases both the odds of episiotomy and deep tears. (Abstracts 5, 11-12, 21, 25-26)
- The lithotomy position increases the need for episiotomy, probably because the perineum is tightly stretched. (Abstracts 10, 25, 27)
- The birth attendant's philosophy, technique, skill, and experience are the major determinants of perineal outcome. (Abstracts 2, 5-7, 9-10, 25-27)
- Some techniques for reducing perineal trauma that have been evaluated and found effective are: prenatal perineal massage, slow delivery of the head, supporting the perineum, keeping the head flexed, delivering the shoulders one at a time, and doing instrumental deliveries without episiotomy. (Others, such as perineal massage during labor or hot compresses have yet to be studied.) (Abstracts 23-24, 28)
- Independent of specifically contracting the pelvic floor muscles (Kegels), a regular exercise program strengthens the pelvic floor. (Abstract 13)

:::: Bartira ::::

Novembro 1, 2005

Quando os médicos erram...


Fonte: http://veja.abril.com.br/070905/p_110.html - Revista Veja (07/09/2005).

Diante do crescimento do número de casos de erro médico, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo propôs recentemente a criação de um exame de habilitação para formandos em medicina, a exemplo do que já existe para a profissão de advogado. A cada dia, a entidade recebe dez reclamações. Nem todas se encaixam na definição jurídica. "Confunde-se erro com resultado insatisfatório", diz Henrique Carlos Gonçalves, primeiro-secretário do conselho.

A obrigação do profissional não é curar, e sim tratar o paciente com os meios e conhecimentos disponíveis. O erro é caracterizado apenas por imprudência, negligência ou imperícia danosas ao paciente. Nesses casos, o profissional pode ser punido - e os danos, reparados. Quando o caso é responsabilidade da clínica ou hospital, o paciente deve processar o estabelecimento (ou o Estado, no caso do SUS), e não o médico. Se a falha foi do enfermeiro, a queixa deve ser levada ao Conselho Regional de Enfermagem. Eis os casos mais comuns, como minimizar o risco e o que fazer se for vítima.

Casos mais comuns

- Falta de cuidados durante o parto.
- Anestesia sem teste de alergia.
- Maus resultados em cirurgias plásticas.
- Uso inadequado de aparelhagens ou instrumentos de cauterização.
- Esquecimento de compressa ou instrumento cirúrgico no interior do paciente.
- Falta de higiene nos procedimentos clínicos.
- Prescrição de remédio inadequado.
- Alta hospitalar indevida.

Como reduzir o risco

- Pode-se checar se o profissional é habilitado no Conselho Federal de Medicina. O site www.portalmedico.org.br presta informações.
- Sobretudo em caso de cirurgia, convém informar-se se o médico possui título de especialista ou residência na área em que atua.
- Deve-se perguntar tudo: explicação detalhada dos riscos do tratamento, previsão de recuperação de uma cirurgia, efeitos colaterais do medicamento receitado. Um profissional qualificado deve ser capaz de tirar todas as dúvidas em linguagem clara.
- Médicos que realizam a consulta sem pressa e fazem muitas perguntas tendem a errar menos. Em emergências, deve-se dar preferência ao médico que já conhece o histórico do paciente.
- Pedir indicação a um médico de confiança, mesmo que de outra especialidade, ajuda a garantir um bom atendimento.

O que fazer quando se julgar vítima de erro médico

- Dar queixa no Conselho Regional de Medicina. A denúncia não pode ser anônima. A punição, quando comprovado o erro, vai de advertência a cassação do registro profissional.
- O prazo para buscar reparação, pelo novo Código Civil, é de três anos, contados a partir do momento em que o paciente percebe o erro médico. Em casos de cirurgia em clínicas de estética, os tribunais têm aceitado cinco anos.
- Só se recomenda entrar com o processo quando há certeza de que houve negligência, imperícia ou imprudência. Um advogado especializado saberá estimar as chances de êxito. Quem perde a causa arca com as custas do processo, incluindo a perícia, a não ser quando tiver sido utilizada a assistência jurídica gratuita.

:::: Bartira ::::

Entrevista com a Dra. Cátia Chuba sobre indicações e tipos de episiotomia


(Nota da Bart: Texto originalmente postado pela Marina Maria!)

Xô: Quais os casos que você julga a episiotomia necessária?

Dra. Cátia: Existem muitas controvérsias na literatura, e quando a episiotomia surgiu e passou a ser recomendada (por volta de 1910-1920), o
argumento era de que ocorria relaxamento e lesão do assoalho muscular pélvico, apesar da integridade aparente, quando não se praticava a episio.
Hoje esse assunto continua a ser bastante discutido e existem evidências de que outros fatores poderiam levar à lesão do assoalho pélvico, sem relação
com a episio em si. O período explusivo prolongado, principalmente com bebês acima de 4kg pode levar à super-distensão períneo-vulvar com lesão muscular,
e isso independe da presença de episiotomia.

A tendência atual (e é como julgo mais correto) é a individualização e não a universalização de conduta, ou seja, analisar cada caso, e pensar se é
preciso mesmo fazer a episio, e não "sair fazendo" em todas as mulheres indiscriminadamente.

As indicações mais precisas de se fazer episio seriam:

- Parto prematuro (pois o feto prematuro tem menor reserva de oxigênio, e necessita de canal de parto amplo e com menor dificuldade possível, pois
caso contrário ele fica mais sujeito ao sofrimento fetal e suas conseqüências);
- Parto vaginal em apresentação pélvica (bebê sentado): esse é o parto das dificuldades progressivas (crescentes), pois o maior diâmetro fetal (que é o
da cabeça do bb), é o último a se desprender. Deve ter uma assistência super-cuidadosa, e a episio ajuda muito no desprendimento final;
- Períneo muito curto, onde as chances de rotura são maiores;
- Ângulo sub-púbico (que é o ângulo formado pelos dois ossos da região púbica) menor que 90 graus, por ser uma bacia limítrofe; e isso pode ser
avaliado pelo toque vaginal;
- Volume cefálico grande ("cabeça grande");
- Primiparidade precoce ou idosa (ou seja, primeiro parto em idade precoce ou idosa), pois se sabe que nas adolescentes, os vícios pélvicos são mais
freqüentes (pois as mães ainda estão em desenvolvimento), e nas mulheres mais velhas (os livros falam acima de 35-37 anos), os tecidos perdem a
elasticidade e podem se romper muito mais facilmente;
- Nas apresentações cefálicas bregmáticas ou occípito-sacras, que são apresentações anômalas (embora raras!), mas em que o pólo cefálico fetal se
deflete e/ou gira de maneira a apresentar ao canal de parto e à vulva os maiores diâmetros, o que pode tornar o período explusivo super-prolongado!

Xô: Primeira vez que vejo alguém falar que a episio em direção ao ânus é melhor do que a em direção à coxa. Você tem algum artigo que fale sobre
isso, ou é um dado advindo de sua experiência?


Dra. Cátia: É um dado que vem de ambas as fontes....

A perineotomia (que é a episio mediana) apresenta as seguintes vantagens:
- Menor perda sangüínea;
- Execução e reparação fáceis;
- Maior respeito à integridade anatômica do assoalho muscular;
- Menor queixa dolorosa no puerpério imediato e no coito;
- Melhor aspecto estético.

Só que, apesar dessas vantagens, a episio mediana apresenta maior risco de lesão de esfíncter anal e do reto, e por isso o obstetra que opta por
fazê-la deve ser experiente o suficiente para saber corrigir eventuais lesões (por isso é que no período de Residência Médica, os professores têm
verdadeiro pavor de deixar um residente de 1° ano fazer uma episio mediana!! E muita gente acaba saindo da Residência sem saber fazer!!!). Além disso,
para se praticar a episio mediana, um pré-requisito muito importante é a mulher ter um períneo largo e bem distensível (pelo menos 3 cm), pois isso
torna muito remota a chance de lesão.

Mas, aqui no Brasil, a episio mediana é menos praticada que a médio-lateral, primeiro pelo fator de experiência do obstetra (conforme falei acima), e
segundo que a mulher brasileira tem um biotipo que faz com que a presença de períneos mais curtos seja bem mais freqüente (diferente das mulheres
européias, por exemplo!).

E para complementar, existem alguns autores (posso mandar referências, se quiser), em artigos mais antigos, que apontam que a sutura unilateral do
períneo (como na episio médio-lateral), pode levar à deformidade muscular e estética vulvar, com conseqüente "ruído incômodo" por ocasião do coito, e
também à redução da força muscular do períneo.

:::: Bartira ::::

Relato do parto da Ana Catarina: domiciliar sem episiotomia... MARINA MARIA


(Nota da Bart: Texto originalmente postado pela Marina Maria!)

A história do nascimento da Ana Catarina começou ainda em 2004, no dia 31 de dezembro, quando senti as primeiras contrações. O trabalho de parto terminou não engatando, a Catarina quis nascer em 2005, num ano novinho em folha. Comentando sobre o episódio com minha parteira, a Suely Carvalho, ela previu que algo deveria acontecer uma semana depois, entre quinta e sexta-feira. E assim foi.

Na quinta à noitinha, falei com uma amiga que tinha acabado de ter um parto domiciliar, a Zuka. Talvez a ocitocina tenha vindo via telefone, não sei. Mas logo depois que desliguei o telefone, a Catarina, que estava até então incrivelmente calma durante todo o dia, começou a mexer muito, mas muito mesmo. Deduzi que ela estava encaixando. Logo mais à noite, percebi o tampão ao ir ao banheiro. O tão esperado tampão, que eu achava que era lenda! Depois disso as contrações voltaram, fracas mas perceptíveis.

No dia seguinte, sexta de manhã, providenciei os últimos preparativos. Instalei o chuveiro elétrico, bem a tempo! Depois fiquei, em casa, esperando, porque algo me dizia que seria naquele dia. Mas não foi. Fui dormir meio frustrada, reclamando com a Catarina: "Ô, filha, vem t'embora! Tá tudo pronto!".

Ela ouviu. Era uma da madrugada quando as contrações começaram a não me deixar mais dormir. Levantei e cronometrei: estavam de 4 em 4 minutos. Ás 2h, acordei Fábio, precisava que ele lavasse a bola e a banheira, coisas que eu já vinha pedido há alguns dias pra ele fazer... Ele passou o resto da noite faxinando a casa. E eu andava, sentava na bola, deitava. Mas as contrações começaram a espaçar. De 6 em 6, de 7 em 7, de 8 em 8. Às 4h a Maria Clara acordou (bebês adivinham, né?). Bagunceira como ela só. Às 5h resolvemos levá-la para a casa da minha mãe, que fica bem próxima a minha casa. Fomos, demos uma desculpa qualquer (meu pai não sabia/não concordava) e voltamos a pé. Na ida eu cantava pra não assustar a Clara, que ria bastante das minhas caretas!Quando chegamos em casa eram 7h e eu liguei pra Dani, minha doula, e para a Suely. O TP estava estacionado, contrações de 10 em 10 minutos.

A Dani chegou com a Flora, sua bebê de 3 meses, e ficamos conversando. A Suely chegou com a Marcely (doula e aprendiz de parteira), cerca de 9h da manhã. Fizemos um toque, 6 cm e colo grosso ainda. E as contrações daquele jeito, quase parando. Ela me sugeriu um chá, que eu aceitei e ficamos na sala conversando. Algum tempo depois resolvi tomar um banho e depois a Suely pediu pra escutar a nenê. Ela notou uma leve aceleração nos batimentos da Catarina e pediu que eu ficasse deitada do lado esquerdo para tentar contornar isso, já que, se esse quadro continuasse, teríamos que ir pro hospital. Ela desconfiava de circular de cordão. Não fiquei nervosa, pelo contrário, deitei e tentei deixar minha mente o mais aberta possível, sem pensar em nada, só tentando entrar em contato com a nenê. 20 minutos depois ela escutou novamente e os batimentos tinham normalizado. Fui liberada para usar a banheira. Nossa, foi uma maravilha. A essa altura as dores já estavam me incomodando um bocado e a água aliviou muito. Ao mesmo, tempo, acelerou o processo: saí da água com contrações de 3 em 3 minutos, para fazer um toque e escutar a nenê novamente. 8 cm e outra vez o coraçãozinho dela acelerado! Tive que ficar deitada de novo, o que foi bem difícil, já que as contrações já estavam bem fortes. Muito fortes, mas nem um pouco comparáveis com a dor do primeiro parto, com ocitocina. Para mim ainda levaria muito tempo praquela nenê nascer. Comecei a sentir vontade de ir ao banheiro, sabia que era um sinal, mas não acreditei que poderia estar tão perto, achei que era vontade mesmo e fiquei quieta. Entre as dores eu relaxava, durante as dores eu agarrava o braço de Fábio e tentava vocalizar alguma coisa. Tinham me dito que abrir a boca ajudava a abrir a vagina, e o negócio realmente funciona! Quando eu não agüentava mais a Suely entrou no quarto e perguntou se eu estava sentindo pressão no ânus. É, eu estava. Pediu pra fazer um toque em pé, para ver a direção da cabecinha do bebê (algo assim). A Catarina já estava lá embaixo. Começaram a preparar o cenário e eu me perguntando o porquê, já que esperava sentir muito mais dor ainda. Eu já não raciocinava direito entre as contrações, e durante elas eu agarrava Fábio, que me ajudava a rebolar. Por sinal, ele estava muito tranqüilo, me passou muita segurança, foi fundamental. Suely pediu que eu fosse ao banheiro e fizesse um toque em mim mesma para sentir o bebê, para que eu soubesse onde ela estava e que faltava pouco. Depois todos que estavam na casa me circundaram e Suely fez uma oração, bela pelo que eu consegui escutar e entender... Ela chamou pelas parteiras ancestrais e pediu para ajudar mais do que atrapalhar... Me deixou no quarto e disse que quando eu sentisse vontade de empurrar, era só ir pra sala, onde estava tudo arrumado: um colchonete forrado e uma cadeira. Alguns minutos depois, a vontade veio. Na sala, tentei primeiro a posição de cócoras, que me pareceu desconfortável, já que não é muito rotineira para mim. Me senti muito melhor sentada no colo do Fábio, assim eu tinha mais apoio. Eu estava meio em transe, repetia pra mim mesma coisas do tipo "Eu vou conseguir!", "tenho que fazer força, muita força". O pessoal também ajudava, elogiava quando eu conseguia fazer uma força legal, falava que faltava pouco. A Dani tirava fotos. E eu fazia força. "Suely, eu tô ficando vesga!". "É que você tá deixando força na garganta, ponha essa força pra baixo!" E eu pus a força pra baixo, e a nenê começou a chegar bem perto... "Se você fizer outra força dessa, ela nasce!" Uma força mais e eu abri os olhos e percebi, pela admiração nos rostos das meninas, que a Catarina estava realmente chegando. Resolvi que ela vinha na próxima. Fechei os olhos, esperei a contração vir, e então a Catarina nasceu, e chorou forte assim que saiu. Não havia circular, apenas o cordão era curto. Suely limpou a Catarina rapidamente e me entregou. Eu peguei meu prêmio nos braços, ainda na mesma posição. Eu e Fábio ficamos olhando a carinha dela, ofereci o seio. Quando o cordão parou de pulsar, Fábio o cortou. Depois veio a hora chatinha: esperar a placenta. Perguntei se a gente não podia pular essa parte, mas não, não podíamos. A placenta saiu e fomos ver como estava a região. É, uma pequena laceração, provavelmente causada pela episio anterior. Nessa hora eu realmente quis pular essa parte, detesto agulhas, mas a Suely argumentou que ia ter gente reclamando depois! rs rs Cuidaram de mim e me colocaram na cama. Depois foi a vez da bebê. 49 cm, 2750gr. Miúda, não tinha roupa que coubesse nela! Trouxeram ela pra mim, as meinhas escorregando do pezinho. Ela veio pro peito com uma pega perfeita, fiquei surpresa. É uma menina tranqüila, assim como costumam ser os bebês nascidos em condições naturais. A Clara chegou algumas horas depois, junto com minha mãe, e deu gritinhos de felicidade quando viu a irmã. Queria pegar, abraçar, dar beijos... Uma graça.

Bem, é isso. O parto foi, para mim, muito tranqüilo, apesar do tal cordão curto. Só achei que foi rápido (o TP ativo), nem deu pra fazer muita coisa! Nem explorei muito minhas doulas! rs rs O expulsivo foi mais demorado do que no parto da Clara, porém foi bem gradual, o pessoal via o bebê descer centímetro a centímetro.

Só agora depois do parto da Catarina posso entender o real significado de protagonizar o parto. De parir sem ocitocina, episio, nada, apenas com meu esforço. É uma experiência totalmente diferente, única e sublime.

Agora, vamos aos agradecimentos (são muitos!!!):
- Ao pessoal do Cais do Parto, à Suely, à Marcely, à Kris, à Prazeres e aos amigos do grupo de grávidos, companheiros de luta!
- À Dani, minha doula e amiga querida, pelo apoio, pelo filtro e banheira, pelas caronas no kangoo cor de gema de ovo (doula-móvel!), pela kepina lindona, por tudo! :**** Ah, claro, e à Flora também, pelos gritinhos de apoio durante o expulsivo! rs rs
- A todos da Parto Nosso, especialmente Ingrid, Socorro, Virginia, Mirka, Anacris, Pata, por me mostrarem que é possível parir!
- Aos amigos que acreditaram e apoiaram, reais ou virtuais!

:::: Bartira ::::

Relato do parto da Maria Clara: normal-hospitalar com episiotomia de rotina... MARINA MARIA


(Nota da Bart: Texto originalmente postado pela Marina Maria!)

A minha última semana de gravidez não foi nada tranqüila. Com 40 semanas e 3 dia meu médico quis marcar a cesárea. Não aceitei os argumentos dele (falar que o bebê ia apodrecer na barriga ou que havia algum cordão invisível enrolado no pescoço) e decidi que ele não ia atender meu parto. Fiquei dois dias sem médico, pensando no que eu iria fazer, quando decidi que não me custava nada tentar outro médico do meu plano. Com meu barrigão de 40 semanas e 6 dias fui lá na nova Obstetra. Ela me ouviu, concordou comigo que não havendo nenhum problema, nem com mãe, nem com bebê, não havia motivo para interferirir, e disse que poderíamos esperar até 41 semanas e 5 dias. Do contrário, ela me internava para induzir.

Naquele dia mesmo, voltei pra casa, bem mais aliviada. À noite, comecei a sentir umas dores. Eu não falei pra ninguém em casa, pra não inventarem de sair correndo comigo pro hospital. Fábio, o pai da minha filha, tinha passado a semana lá em casa, mas nesse dia tinha ido pra casa dele, logo nesse dia, pois ele tinha trabalho logo cedo no dia seguinte. Às 22h eu tomei um banho quente bem gostoso e demorado. Levei uma cadeira pro banheiro, me sentei, e comecei a jogar água quentinha pelo corpo, falando com a bebê, me despedindo da barriga. Foi um momento muito especial. As dores abrandaram bastante nesse tempo. Quando eu saí do banheiro, estavam bem regulares... Vinham a cada 10 mintos mais ou menos. Fiquei na internet, mandei e-mails pras listas de discussão falando que estava em tp, de vez em quando andava pela casa inteira, inquieta. Quando deu duas horas, falei com um amigo no msn e ele se propôs a vir me apanhar de carro. Ponderei que não era boa idéia ficar esperando mais em casa e ir morrendo de dor chamar um táxi pra me pegar. Era melhor ir logo, com meu amigo e relaxar no hospital. Péssima idéia. Saí de casa com contrações a cada 5 minutos, às 2h. Cheguei na maternidade com 4 cm de dilatação. Fui pro quarto e fiquei deitada, não veio ninguém me orientar.E as pessoas me olhavam de lado, eu era a ET, queria um parto normal, vê se pode... Desse tamanhinho (1.54m), com essa carinha de menina e vai fazer parto normal! tsc tsc tsc! Era assim que me olhavam! Para piorar, Fábio, o pai, morava longe e ônibus só de manhã. Tudo isso junto culminou que às 8h, quando minha GO finalmente chegou para me ver (antes ela só tinha ligado), eu estava com os mesmo 4 cm! Nessa hora confesso que desanimei. Ela receitou o soro com ocitocina, e me disse que se não evoluísse ia ter que me operar. Ainda receitou a lavagem intestinal. Amigas, foi horrível. Se puderem escolher, não façam! Enfiaram um troço no meu ânus, doeu, viu? Minha mãe disse que foi a única vez no TP que me viu gritar. Depois meu astral foi parar no pé. Eu nunca tomei soro, de repente eu tava lá, deitada, com aquilo no braço e sentindo dores horrendas (porque indução dói muito, vocês sabem, né?). Foi na hora que Fábio chegou. Xinguei todo mundo, com atenção especial a todas que me disseram que a dor era suportável... Logo depois chegou minha Tia Sônia, que é enfermeira e me ajudou muito. Ela me convenceu a levantar e agachar e fazer força quando a dor viesse (hoje eu sei que não é legal fazer força antes do expulsivo!). Nos intervalos eu sentia um sono absurdo, mas ela não me deixava deitar. Fazia massagens na hora da dor e a coisa evoluíu assim. Eu não tomei anestesia porque não tinha direito pelo plano. Mas depois achei até bom, eu não queria usar esse recurso, que às vezes pode mais atrapalhar que ajudar. Doeu muito, mas não morri, enfim.

3 horas depois que me colocaram no soro eu estava com dilatação total. Eram quase 11 horas da manhã do dia em que eu completava 41 semanas de gestação quando me prepararam para a sala de parto. Na hora que a minha GO rompeu minha bolsa (isso doeu muito também), me deu o último toque, mexeu de um jeito e eu senti na hora o bebê descer (Por isso que eu acho que a Clara encaixou só na hora). A partir desse momento surgiu forças não sei de onde... A dor praticamente desapareceu, eu sentia uma imensa vontade de empurrar, eu não conseguia não empurrar! É como uma injeção de adrenalina! Fui feliz pra sala de parto, eu sabia que estava próximo do fim.

Eu só podia escolher uma pessoa para entrar comigo. Eu queria que Fábio entrasse, mas ele não ajudaria em nada. Preferi a minha tia, que estava me servindo de doula e poderia ser muito mais útil. Cheguei na mesa de parto, mandaram eu colocar os pés na perneira (parto deitado, terrível, era a pior posição possível. Meu próximo será de cócoras, se Deus quiser.), botaram
paninho pra eu não ver. Fiquei chateada com isso, eu queria ver. Mas Claro que tinham que cobrir, ou eu veria a episiotomia (corte do períneo), né? Ela fez a episio sem nem me avisar. Lembro que perguntei na hora o que ela estava fazendo. Minha tia me respondeu com uma frase idiota, na hora percebi que ela estava me cortando! Fiquei muito chateada, mas fazer o que? Fazia só 24 horas que eu conhecia a Doutora, não tive tempo de discutir nada com ela sobre o parto, só que eu não queria cesárea! Depois que ela terminou o trabalho sujo, começou o terrorismo: "Olhe, você tem que cooperar, a bebê não pode ficar muito tempo nesse lugar!" Eu não entendia o motivo disso, eu tinha certeza de que não demoraria mais. A cada contração eu sentia mais vontade de empurrar! Chegou a hora, disseram que eu empurrasse na próxima contração: empurrei. Não foi dessa vez. Próxima contração. Empurraaaaaa! Eu empurrava... Daí falaram: tá nascendo, não pare de empurrar! E eu pensei: Não pode estar nascendo, não estou sentindo nada! Mas ela estava! Eu empurrei mais um pouquinho e... ela nasceu!!!! Eram 11h12 do dia 22 de agosto de 2003.

A sensação é maravilhosa, não doeu nada, foi um prazer indescritível! Eu senti um alívio imenso, a doutora cortou o cordão e jogou a Clarinha no meu colo! Eu não sabia nem como segurar a menina! Tiraram ela, levaram para fazer os primeiro testes. Enquanto isso, eu pari a placenta. Depois a enfermeira voltou com ela pra junto de mim. Apgar 9 e 10. Me mostrou, colocou Clarinha para mamar, mas ela não tava muito a fim e eu comecei a sentir a doutora costurando a episio. Ela disse que não era pra sentir, mas eu sentia algumas fisgadas. Levaram Clara para o berçário e eu fiquei sendo costurada e depois esperando a maca, que tinha ido pegar uma cesareada na sala ao lado (soube depois que esse médico da sala ao lado fez 3 cesáreas seguidas naquela manhã!). Lembro que cochilei uns 10 minutos lá na sala de parto ainda.

Me levaram pro quarto, menos de 2 horas depois levaram a Clara, que ficou de vez. Eu não consegui dormir depois do parto, estava muito excitada. Algumas horas depois, almocei (tomei água, é muito ruim ficar sem beber água!) e tomei banho. Morri de medo de sentar, morri de medo de lavar a episio. Recebi visitas, a Clara dormindo o tempo inteiro. No meio da madrugada ela chorou muito, chamamos o berçário, ela me deu umas dicas de pega no seio e a Clara acalmou... Foi a noite mais longa da minha vida!

24 horas depois do parto a Clara estava liberada e eu só fiquei esperando minha obstetra para ir pra casa. Lembro que nos primeiro dias do pós-parto eu dizia que não queria ter mais filhos! De jeito nenhum! Mas quando a Clara estava com 15 dias e a cicatriz da episio começou a parar de doer, eu já falava em ter mais dois!

Sinceramente fiquei traumatizada com muitas coisas que aconteceram no meu parto, mas sei que pior do que uma cesárea não foi. Enfim, foi o parto que eu consegui ter e precisei lutar muito pra isso. Foi um processo de amadurecimento que me tornou capaz de fazer melhores escolhas da próxima vez.

Aguardem o relato do parto de minha segunda filha, dessa vez em casa e sem episiotomia.

:::: Bartira ::::

EPISIOTOMIA NA OBSTETRÍCIA MODERNA: POR QUE RESTRINGIR SEU USO?



*TEXTO COMPLETO!!!*
By: Melania Amorim

A episiotomia consiste na incisão do períneo para ampliar o canal de parto, e sua prática foi historicamente introduzida no século XVIII por uma parteira irlandesa, Oud (1741), para ajudar o desprendimento fetal em partos difíceis. Embora não tenha ganhado popularidade no século XIX, o procedimento tornou-se disseminado no século XX em diversos países, sobretudo nos Estados Unidos da América e países latino-americanos, entre eles o Brasil. Foi a época em que a percepção do nascimento como um processo normal requerendo o mínimo de intervenção foi substituído pelo conceito do parto como um processo patológico, requerendo intervenção médica para prevenir lesões maternas e fetais.

A popularidade da episiotomia difundiu-se enormemente a partir das recomendações de obstetras famosos, como Pomeroy e DeLee. Este último, na década de 1920, lançou um tratado em que recomendava episiotomia sistemática E fórceps de alívio em todas as primíparas. A finalidade da episiotomia, de acordo com os postulados de DeLee, seria reduzir a probabilidade de lacerações perineais graves e o risco de trauma fetal, e isso passou a ser aceito como verdade incontestável e transcrito em tratados de obstetrícia, embora não tivesse sido comprovado em nenhum estudo clínico na época.

A prática da episiotomia foi grandemente alargada nas décadas subseqüentes, coincidindo com o número progressivamente maior de partos hospitalares a partir da década de 1940, nos EUA. Esta mudança no local de parto gerou uma série de intervenções que não se baseavam em nenhuma evidência científica. Alguns autores mencionam que a prática da episiotomia aumentou consideravelmente a partir da década de 1950 porque muitos médicos acreditavam que sua realização reduzia significativamente o período expulsivo, o que lhes permitia atender rapidamente a grande demanda de partos hospitalares, às vezes simultâneos. Deve-se destacar que o uso se tornou bem mais freqüente com a adoção do parto em posição horizontal (baseado fundamentalmente no conforto no obstetra) e da prática sistemática do fórceps de alívio, requerendo "espaço extra" para a manipulação vaginal.

O número de episiotomias só passou a se reduzir a partir da década de 70, quando os movimentos de mulheres e as campanhas pró-parto ativo passaram a questionar o procedimento. Concomitantemente, foram publicados os primeiros estudos clínicos bem conduzidos sobre o tema, em que se questionava o uso rotineiro de episiotomia. Destaca-se a importante revisão de Thacker e Banta, publicada em 1983, em que se demonstrou, além da inexistência de evidências de sua eficácia, evidências consideráveis dos riscos associados ao procedimento: dor, edema, infecção, hematoma e dispareunia. Apesar de ter tido pouco impacto na comunidade científica na época, este estudo despertou o interesse de se estudar sobre episiotomia, e posteriormente foram conduzidos ensaios clínicos randomizados bem controlados, dos quais o maior foi um estudo argentino, publicado em 1993.

A revisão sistemática da Biblioteca Cochrane (Carroli e Belizan), atualizada pela última vez em 1999, inclui seis ensaios clínicos randomizados e um total de 4850, submetidas à episiotomia de rotina ou seletiva. No primeiro grupo, 73% receberam episiotomia, contra 28% no segundo grupo. Os autores concluíram que os benefícios da episitomia seletiva (indicada somente em situações especiais) são bem maiores que a prática da episiotomia de rotina.

Baseando-nos nesses resultados da revisão sistemática, bem como nas conclusões de diversos outros estudos randomizados desde então publicados, podemos afirmar que:

1) Não há diferença nos resultados perinatais nem redução da incidência de asfixia nos partos com ou sem episiotomia, ou seja: os bebês nascem muito bem sem episiotomia, e não há necessidade de realizá-la com esse intuito;

2) Não há proteção do assoalho pélvico materno: a episiotomia não protege contra incontinência urinária ou fecal, e tampouco contra o prolapso genital, associando-se com redução da força muscular do assoalho pélvico em relação aos casos de lacerações perineais espontâneas;

3) A perda sanguínea é mais volumosa (em torno de 800ml contra 500ml no parto vaginal espontâneo), utiliza-se uma maior quantidade de fios para sutura e há mais dor perineal quando se realiza episiotomia;

4) A episiotomia é per se uma laceração perineal de segundo grau, e quando ela não é realizada pode não ocorrer nenhuma laceração ou surgirem lacerações anteriores, de primeiro ou segundo grau, mas de melhor prognóstico;

5) A episiotomia não reduz o dano perineal, ao contrário, aumenta-o: nas episiotomias medianas é maior o risco de lacerações de terceiro ou quarto graus;

6) A episiotomia aumenta a chance de dor pós-parto e dispareunia.

7) A episiotomia pode cursar com complicações como edema, deiscência, infecção (até fasciíte necrosante) e hematoma.

A recomendação atual da Organização Mundial de Saúde não é de proibir a episiotomia, mas de restringir seu uso, porque em alguns casos ela pode ser necessária. Não está muito claro em que situações a episiotomia é, de fato, imprescindível, porque até mesmo partos instrumentais (fórceps ou vácuo-extração) podem ser realizados sem episiotomia. Fala-se muito em "ameaça de ruptura perineal grave", para prevenir rupturas de terceiro ou quarto grau, mas o que, clinicamente, caracteriza essa "ameaça" ainda não está definido.

A episiotomia não é útil na distocia de ombros, porque o problema neste caso é uma desproporção dos ombros fetais com a pelve óssea, e não com o períneo da mãe. Possivelmente esses aspectos serão desvendados em estudos futuros. É importante lembrar que, como todo procedimento cirúrgico, a episiotomia só deveria ser realizada com o consentimento pós-informação da parturiente. O planejamento em relação a esta e outras intervenções também deve fazer parte do plano de parto.

O ideal é que a taxa de episiotomia nos diversos serviços seja inferior a 30%, o que já é realidade em muitos países europeus. A taxa de episiotomias também vem caindo significativamente nos EUA, embora ainda persista elevada: o percentual de episiotomias em partos vaginais variou de 65,3% in 1979 para 38,6% em 1997.

Infelizmente, no Brasil, a situação é ainda mais crítica, porque o procedimento é realizado em cerca de 94% dos partos vaginais. No país que é o segundo "campeão" mundial de cesáreas, quando não se corta por cima, se corta por baixo (Diniz e Chachan, 2004). Urge nos mobilizarmos contra essa prática abusiva, porque reduzir procedimentos cirúrgicos desnecessários é essencial na luta pela humanização do parto e na promoção de cuidados baseados em evidências.

:::: Bartira ::::

Episiotomia... Considerações de uma obstetra que NÃO pratica este procedimento


*Cópia de mensagem que circulou na lista de discussão PARTO NOSSO:*

From: Melania Amorim
To: partonosso@yahoogrupos.com.br
Sent: Thursday, January 20, 2005 12:55 AM

EPISIOTOMIA: temos que considerar as evidências científicas!!!

A episiotomia consiste na incisão do períneo para ampliar o canal de parto e seu uso foi disseminado no século XX em diversos países, sobretudo nos Estados Unidos da América e países latino-americanos, entre eles o Brasil.

Deve-se destacar que o uso se tornou bem mais frequente com a adoção do parto em posição horizontal, chegando ao ponto de um famoso obstetra (DeLee) recomendar episiotomia sistemática E fórceps de alívio em todas as primíparas. Claro que isso foi uma forma (bem sacana) de facilitar a vida dos médicos, que simplesmente podiam se sentar à frente da parturiente, deitada na mesa de parto com as pernas abertas e presas naqueles horrorosos estribos (chama-se litotomia), e confortavelmente proceder a incisões e instruentação, em geral desnecessárias.

Entretanto, as evidências obtidas de ensaios clínicos randomizados, multicêntricos, têm demonstrado que a episiotomia NÃO deve ser feita rotineiramente, por diversos motivos:

1) Não há diferença nos resultados perinatais nem redução da incidência de asfixia, ou seja: os bebês nascem muito bem sem episiotomia, e não há necessidade de realizá-la com esse intuito;
2) Não há proteção do assoalho pélvico materno (estudos com eletromiografia pós-parto não evidenciam diferenças entre mulheres submetidas ou não à episiotomia);
3) A perda sanguínea é mais volumosa, utiliza-se uma maior quantidade de fios para sutura e há mais dor perineal quando se realiza episiotomia;
4) A episiotomia é per se uma laceração perineal de segundo grau, e quando ela não é realizada pode não ocorrer nenhuma laceração ou surgirem lacerações anteriores, de primeiro ou segundo grau, mas de melhor prognóstico.

A recomendação da OMS não é de proibir a episiotomia, mas de se restringir seu uso, porque em alguns casos ela pode ser necessária. O ideal é que a taxa de episiotomia nos diversos serviços seja inferior a 30% (eu ainda acho muito, mas já seria um avanço).

Trabalho com uma equipe em que, há mais de seis anos, adotamos a prática de NÃO realizar episiotomia de rotina, e cada vez temos feito menos esse procedimento. Atualmente nossa taxa de episiotomia fica em torno de 5%. Eu, pessoalmente, nem me lembro quando fiz uma episiotomia pela última vez.

:::: Bartira ::::

Dossiê Humanização do Parto - PARTE II


Assistência ao parto e direitos sexuais

http://www.redesaude.org.br/dossies/html/1asexualhp-4.html


A EPISIOTOMIA DE ROTINA COMO CIRURGIA SEXUAL

Talvez as piadas e o tom jocoso e desrespeitoso que muitas vezes os médicos usam durante a assistência ao parto e diante do sofrimento das mulheres sejam uma forma de os profissionais lidarem com seu próprio sentimento de inadequação, até mesmo com a culpa por causar danos funcionais e estéticos.
Como relata um médico: "Meu Deus, tem colega que faz cada uma, eles aleijam as mulheres! Porque, veja, tem episiotomia que a gente chama de hemibundectomia lateral direita, tamanha é a episiorrafia, entrando pela nádega da paciente, que parece ter três nádegas. Fora aquelas episiotomias que deixam a vulva e a vagina todas tortas, que a gente chama de AVC de vulva, sabe quando a pessoa tem um derrame e fica com a boca e o rosto tortos, assimétricos?" (Fonte: Diniz, 2002.)

Esses casos de aleijões genitais vão depois compor a demanda de outro profissional, o cirurgião plástico especializado em corrigir genitais deformados por episiotomias.
O apelo da episiotomia para "devolver a mulher à sua condição virginal", como proposto por alguns autores na década de 20, teve eco na cultura brasileira. A imagem que o discurso médico sugere é que, depois da passagem de um "falo" enorme - que seria o bebê - o pênis do parceiro seria proporcionalmente muito pequeno para estimular ou ser estimulado pela vagina. Isso poderia implicar uma autorização ao homem para procurar uma mulher "menos usada" ou demandar como alternativa o coito anal. (Fonte: Ceres, 1981.)

A necessidade masculina de um orifício devidamente continente e estimulante para a penetração seria então prevenida ou resolvida pela episiotomia, ou mesmo pela cesárea, preservando-se o estatuto da vagina como órgão receptor do pênis.
Segundo o antropólogo Richard Parker, prevalece no Brasil um "sistema erótico" baseado nas noções de atividade-masculino e passividade-feminino. (Fonte: Parker, 1991.)
Essa idéia ratifica a teoria da vagina apertada ou frouxa (passiva, diante do falo que a estimula e é estimulado), em oposição à compreensão de vagina e vulva como órgãos ativos, capazes de se contrair e relaxar, de acordo com a vontade feminina, pois são músculos voluntários. (Fonte: Australian Broadcasting Company, 2002.)
Essa concepção mecânica e passiva da vagina é transposta para o parto, dificultando a compreensão, mesmo pelos médicos, de que esse órgão se distende para o parto e depois volta ao tamanho normal.

Mais uma vez, não se trata do que é "cientificamente correto", mas de sua representação. As feministas defendem o direito das mulheres à escolha informada, inclusive à "cesárea a pedido". Porém, muitas grávidas escolhem a cesárea com base na crença - sem fundamento científico - de que a cirurgia garante uma vagina "poderosa". Do ponto de vista da evidência científica, a musculatura pélvica (tanto da vagina como do controle da bexiga) pode ser preservada e aperfeiçoada por meio de exercícios, independentemente de partos vaginais ou da necessidade de recursos cirúrgicos.

Segundo a evidência científica, a episiotomia é associada não a uma vida sexual enriquecida, mas a uma substituição do tecido muscular e erétil da vulva por fibrose e a um aumento da dor durante a penetração (dispareunia). Resulta também em maior demora na retomada da vida sexual pós-parto, além de freqüentes deformidades vulvares. Isso quando não ocorrem complicações, quando pode haver risco maior de lacerações graves, de infecção e de hemorragia. (Fonte: Childbirth, 2001.)

No Brasil, a episiotomia e seu "ponto do marido", assim como a cesárea e sua "prevenção do parto", funcionam, no imaginário de profissionais, parturientes e seus parceiros, como promotores de uma vagina "corrigida". Se as mulheres acham que vão ficar com problemas sexuais e vagina flácida após um parto vaginal e que a episiotomia é a solução, elas tendem a querer uma episiotomia. Mas, quando as mulheres têm acesso a informação e sabem que é possível ter uma vagina forte por meio de exercícios, elas passam a compreender que a episiotomia de rotina é uma lesão genital que deve ser prevenida e que elas podem recusá-la.

Desde meados da década de 80, há evidência científica sólida indicando a abolição da episiotomia de rotina. Em grande medida, estão disponíveis no país os elementos técnicos, como manuais e normas, para implementar transformações na assistência ao parto. O que falta é avançar na promoção de mudanças institucionais, para fazer justiça a esses avanços. Essas alterações exigem a mobilização das mulheres, profunda mudança na formação dos profissionais de saúde, além de coragem e firmeza dos responsáveis pelas políticas públicas.

**A garantia de ASSISTÊNCIA HUMANIZADA AO PARTO - orientada pelos direitos e baseada na evidência - constitui uma importante estratégia na busca da promoção dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres em um momento tão especial de suas vidas.**

:::: Bartira ::::

Dossiê Humanização do Parto - PARTE I


Assistência ao parto e direitos sexuais

(Copiado de: http://www.redesaude.org.br/dossies/html/1asexualhp-4.html)

"A episiotomia é a operação obstétrica mais freqüentemente realizada no Ocidente. É uma das maneiras mais dramáticas e intensas em que o território do corpo das mulheres é invadido, a única operação feita sobre o corpo de uma mulher saudável sem o seu consentimento. Ela representa o poder da obstetrícia: os bebês não podem sair sem que as mulheres sejam cortadas. Ela evita que as mulheres vivenciem o parto como evento sexual, e é uma forma de ritual de mutilação genital", escreve Sheila Kitzinger, uma das pioneiras do movimento pela humanização do parto (Fonte: Boston Women's Health Book Collective, 1998).


A SEXUALIDADE NA ASSISTÊNCIA AO PARTO

As referências à sexualidade estão presentes na organização da assistência ao parto, de formas sutis ou muito explícitas. Aparecem nos procedimentos técnicos e sua justificativa, como no caso da episiotomia (corte da vulva e vagina) e da cesárea, e na informalidade das piadas e brincadeiras durante os plantões nos hospitais. Incluem desde as falas supostamente amigáveis ("Vou costurar a senhora de maneira que fique igual uma mocinha") até as acusações e agressões verbais de caráter sexual, principalmente quando a mulher se queixa de dor ("Na hora de fazer achou bom, agora cale a boca e agüente") (Fonte: Diniz, 2002).

Em grande medida, os mecanismos de imposição do silêncio e de contenção das mulheres no parto estão centrados na sua desmoralização por terem atividade sexual. Essa atitude é uma constante em muitos países e em várias formas de assistência à saúde reprodutiva. É utilizada para deslegitimar a fala das mulheres quando elas se queixam de dor ou quando reagem a condutas percebidas como ameaças a sua integridade ou sua segurança.
Os hospitais impõem às mulheres a dolorosa e desnecessária posição deitada, imobilizada e de pernas abertas. Essa situação é percebida por muitas mulheres como uma forma de humilhação sexual e é citada como razão para a escolha da cesárea, que as preservaria dessa exposição degradante (Fonte: Diniz e d'Oliveira, 1998).


**O ABUSO DAS EPISIOTOMIAS**

Uma vez que os procedimentos do chamado "parto típico" (isolamento, aceleração, jejum, episiotomia etc.) são aceitos pelo senso comum como adequados, tanto os profissionais que os infligem quanto as mulheres que os sofrem tendem a percebê-los como um mal necessário.

O uso indevido da episiotomia e da posterior costura (episiorrafia) é um exemplo de violação do direito humano de estar livre de tratamentos cruéis, humilhantes e degradantes. A episiotomia tem sido indicada para facilitar a saída do bebê, prevenir a ruptura do períneo e o suposto afrouxamento vaginal provocado na passagem do feto pelos genitais no parto normal.
Sabe-se que essa indicação não tem base na evidência científica, mas sim na noção arraigada na cultura sexual e reprodutiva do "afrouxamento vaginal", decorrente do "uso" da vagina, seja pelo uso sexual ou reprodutivo. Essa representação da vagina "usada", "lasseada", "frouxa" é motivo de intensa desvalorização das mulheres e se apóia tanto na cultura popular quanto na literatura médica produzida por grandes autores brasileiros e internacionais.

Na fala dos profissionais repete-se a crença de que, sem esse corte e essa sutura adicional que aperta a vagina, chamada "ponto do marido", o parceiro se desinteressaria sexualmente pela mulher ou, no mínimo, por sua vagina. Essa crença é difundida por muitos autores como, por exemplo, Jorge de Rezende - possivelmente, o maior autor de obras sobre obstetrícia no Brasil -, e é, certamente, uma justificativa importante do uso da cesárea:

"A passagem do feto pelo anel vulvoperineal será raramente possível sem lesar a integridade dos tecidos maternos, com lacerações e roturas as mais variadas, a condicionarem frouxidão irreversível do assoalho pélvico" (Fonte: Rezende, 1998).

Se for considerado que, de acordo com evidências científicas, a episiotomia tem indicação de ser usada em cerca de 10% a 15% dos casos e ela é praticada em mais de 90% dos partos hospitalares na América Latina, pode-se entender que anualmente milhões de mulheres têm sua vulva e vagina cortadas e costuradas sem qualquer indicação médica.

Um estudo mostrou que o uso rotineiro e desnecessário da episiotomia na América Latina desperdiça cerca de US$ 134 milhões só com o procedimento, sem contar nenhuma de suas freqüentes complicações (Fonte: Tomasso et al., 2002).

Pode-se calcular o desperdício daquilo que é quantificável, como litros de sangue, dias de incapacidade, prejuízos na amamentação, material cirúrgico ou simplesmente dinheiro público, nesses milhões de episiotomias inúteis realizadas anualmente. Há ainda o imponderável sofrimento físico e emocional da mulher - além da mensagem de que seu corpo é defeituoso e de que ela será sexualmente desprezível se não se submeter a esse ritual, que supostamente lhe devolverá a "condição virginal".

Vários estudos mostram que a episiotomia provoca dor intensa. Mesmo nos serviços onde as mulheres não têm acesso a anestesia adequada, elas têm que enfrentar esses e outros procedimentos altamente dolorosos. Nessas situações, as mulheres freqüentemente gemem e choram de dor, "do primeiro ao último ponto" (Fonte: Alves e Silva, 2000).

Mesmo sem o conhecimento das chamadas evidências científicas, muitas mulheres sentem-se injustiçadas por essa violência física e emocional. A expressão do horror sentido pelas parturientes deveria alertar os profissionais de saúde a refletir sobre a prática. Um diretor de maternidade conta que: "Quando eu estava fazendo residência, atendi uma pessoa que tinha feito um parto em Angola durante a Guerra Civil, outro em Paris e estava fazendo o terceiro comigo, no hospital-escola aqui no Brasil, com tudo o que eu achava que era bom: episiotomia, fórceps, tudo. Quando acabou, a paciente falou: - Prefiro ser torturada a ter um parto como este que acabei de ter. [...] Foi o momento em que eu parei para rever que tipo de obstetrícia aprendemos" (Fonte: Diniz, 2002).

(...)

**Nota da Bart: o Dossiê continua no próximo post!!! A foto que postei hoje aqui foi tirada de (Copiado de: http://www.photowebs.com/thornburg/yoni/index.htm).

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Para saber mais sobre sua Vagina, exercícios e "otras cositas más"...


(Por: Simone G. Diniz - Fique amiga dela: dicas para entender a linguagem de suas partes mimosas - São Paulo: Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, 2003. 32p. Obtido em: http://www.mulheres.org.br/fiqueamigadela)

** Em Português:

- Todo o material desse livro e muito mais em:
http://www.mulheres.org.br/fiqueamigadela

- Outras abordagens sobre exercícios genitais:
http://sexo.bol.com.br/materias/p/2002/09/05/01.jhtm
http://pompoarismo.no.sapo.pt/
http://www.terra.com.br/mulher/sexo/laura/2002/10/23/000.htm

- Sobre episiotomia como lesão vulvo-vaginal a ser prevenida:
http://www.redesaude.org.br/dossies/html/1asexualhp-4.html

- Para se divertir no teatro: Os monólogos da Vagina (versão brasileira de Miguel Falabela, com grande elenco)

**Em Inglês:

- Novas interpretações da anatomia feminina (site eclético com muita informação sobre o clitóris):
http://www.the-clitoris.com/

- Texto médico de anatomia sobre o clitóris e suas estruturas:
Helen E. O'Connell, John M. Hutson, Colin R. Anderson and Robert J. Plenter, "Anatomical relationship between urethra and clitoris", Vol. 159, June 1998.

- Entrevista: Helen O'Connell:
http://www.abc.net.au/quantum/scripts98/9825/clitoris.html

- Site médico com abundante informação sobre Kegel e seus exercícios:
http://www.incontinet.com

- Sites sobre iconografia e arte da vulva e genitais femininos:
http://www.vaginarts.com/vart/Eindex.html
http://www.foggy.net/~yoniart/home.html
http://www.yoni.com/
http://www.sheelanagig.org/

- Ativismo vaginal: site contra a violência, derivado da peça de teatro "Vagina Monologues", de Eve Ensler:
http://www.vday.org/

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Cremerj publica denúncia falsa em jornal interno


PUBLICADO EM 04 DE OUTUBRO DE 2004.

Semana passada, o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro gerou sério constrangimento entre muitos profissionais de saúde ao publicar em seu jornal de circulação interna uma denúncia falsa.

A notícia inverídica de que um bebê teria falecido na Casa de Parto David Capistrano Filho, em Realengo, foi publicada levianamente pelo Cremerj por meio de denúncia proveniente da coordenação do Grupo de Trabalho Materno-Infantil, que é representado pelo conselheiro Dr. Abdu Kexfe. Este comunicado mencionava que o bebê havia chegado morto ao Hospital Albert Schweitzer, sendo que é de conhecimento público que o hospital de referência da Casa de Partos de Realengo é o Hospital Alexandre Fleming. Não houve nenhuma intercorrência no Centro de Parto Normal que tenha resultado em transferência de um bebê grave ou morto para qualquer hospital. Além disso, jamais existiu convênio entre Secretaria Municipal de Saúde e qualquer UTI neonatal privada - outra desinformação também veiculada na matéria publicada no jornal interno deste Conselho.

As inverdades publicadas não pararam por aí, outro estabelecimento público também foi envolvido. Na mesma matéria, as enfermeiras obstétricas da maternidade Herculano Pinheiro foram acusadas injustamente de terem prejudicado um bebê por gerar um clima de privacidade e intimidade através da redução das luzes do ambiente. O bebê nasceu com malformação congênita e veio a falecer dias após o parto, sem que houvesse qualquer relação entre a intensidade da iluminação do local do nascimento e sua morte, e sem que houvesse qualquer impedimento à assistência prestada pelo pediatra no momento do parto.

Ao divulgar informações sem qualquer conexão com a realidade, os atuais representantes do Cremerj demonstram cabalmente estarem desprovidos de argumentos embasados cientificamente. Além disso, demonstram claramente seu repúdio à nova filosofia que privilegia o bem estar de mães e bebês e questiona a realização de procedimentos desnecessários - esses sim, geradores de cascatas de intervenções que podem acarretar consequências imprevistas e nefastas, tanto à mãe como ao seu filho.

Na ausência de argumentos sólidos e embasados, apelam para a difamação e a maledicência dos serviços públicos comprometidos com o bem-estar da população. Através destes artifícios, buscam confundir profissionais preocupados com o bem-estar de sua clientela, bem como as milhares de mulheres que buscam um atendimento de qualidade, com respeito e dignidade no parto.

Aparentemente os integrantes da direção do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro desconhecem evidências científicas mais atualizadas que mostram que casas de parto são uma realidade no mundo inteiro, principalmente em países de menor taxa de mortalidade materna e neonatal. A introdução desse novo ambiente para prestação de assistência ao parto representa uma possibilidade de tratamento diferenciado e de qualidade para grávidas de risco habitual, que não precisam de cuidados intensivos, caros e desnecessários para dar à luz seus bebês. Esse desconhecimento dos atuais conselheiros do Cremerj somente gera constrangimentos entre profissionais que buscam seu aprimoramento através da adesão a uma medicina baseada em evidências científicas, além de provocarem conflitos corporativos que não introduzem melhorias nos resultados na assistência ao parto.

O Rio de Janeiro possui a maior taxa de mortalidade materna e neonatal da Região Sudeste. Além disso, cerca de metade dos partos cariocas são cesarianas (IDB 2003), representando maus indicadores de assistência à gestação. A Organização Mundial de Saúde recomenda que a taxa de cesarianas em qualquer contexto nunca ultrapasse os 15%.

Ao contrário do apregoado pela atual direção do Cremerj, os dados da Casa de Parto têm sido excelentes e animadores. Todas as taxas de intervenções estão dentro do que é recomendado pela OMS e as raras transferências necessárias estão sendo realizadas com tranquilidade e segurança, para o Hospital de referência, Alexandre Fleming.

Os representantes do Cremerj vem tentando já há algum tempo impedir a população carioca de ter acesso à assistência nas Casas de Parto. Houve um mandado de segurança e, em julho deste ano, uma liminar foi concedida pela juíza Neusa Regina Larsen de Alvarenga Leite, da 5ª Vara de Fazenda Pública. Nesta se determinava que a Secretaria Municipal de Saúde contratasse médicos obstetras, anestesistas e pediatras para trabalharem na casa de parto. A Secretaria Municipal recorreu e, no final do mês de Agosto, esta mesma liminar foi revogada pela juíza Eunice Bitencourt Haddad, pois reconheceu, justamente, que a Casa de Parto de Realengo encontra-se dentro dos padrões estabelecidos pelo Ministério da Saúde.

Não tendo alcançado o seu intento, a atual direção do Cremerj desta vez apela para a desinformação infamante, ainda que em informativo de circulação interna. A Secretaria Municipal de Saúde está processando o Cremerj por calúnia e difamação e vai exigir indenização por possíveis danos morais ocasionados pela notícia.

Finalmente, A ReHuNa-RJ (Rede pela Humanização do Parto e Nascimento/RJ) vem a público questionar:

O que tem feito esse Conselho Regional para reduzir as taxas de intervenções desnecessárias e de mortalidade materna e neonatal dos partos hospitalares, que somam 98% na cidade do Rio de Janeiro?

E por que há tanto interesse em combater e difamar as propostas humanistas e os outros profissionais, também capacitados para a assistência ao parto, se é exatamente esse modelo "fora do hospital" que tem obtido maior sucesso no propósito de atingir os índices sugeridos pela OMS?

E até quando os dirigentes do CRM do Rio de Janeiro priorizarão a reserva de mercado e o corporativismo médico em detrimento da saúde das parturientes e seus bebês?


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Rede pela Humanização do Parto e Nascimento
Rio de Janeiro

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Exercícios para o Assoalho Pélvico


(Fonte: Women's Health Library. Em: Fique amiga dela: dicas para entender a linguagem de suas partes mimosas; Simone G. Diniz - São Paulo: Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, 2003. 32p. Obtido em: http://www.mulheres.org.br/fiqueamigadela.)

Como fazer os exercícios e manter uma vagina poderosa

Esses são, esquematicamente, os músculos que compõem o que chamamos de "o oito do assoalho pélvico"...


Para localizar os músculos do assoalho pélvico faça o seguinte:

1. Tente parar o fluxo de urina quando você estiver sentada na privada. Se você conseguir, está usando os músculos certos.
Não se preocupe se não consegue parar a urina no começo. À medida que você vai fazendo os exercícios, eles vão ficando mais fortes.
2. Imagine que você está tentando evitar de soltar gases. Aperte os músculos que você usaria.
3. Deite-se e coloque um dedo dentro da vagina quando contrai a vagina ou segura a urina. Sinta a contração do músculo para conferir que está contraindo o lugar certo.
Tente não apertar outros músculos ao mesmo tempo. Muitas vezes, contraímos os músculos da perna ou da barriga, ou mesmo prendemos a respiração.

Agora que você já sabe como contrair, vamos aos exercícios básicos.
Para começar, você pode fazer em casa, em sua cama, etc. Mas quando você se acostuma, pode fazer em qualquer posição ou lugar: enquanto espera numa fila, no seu trajeto de ônibus, parada no trânsito, enquanto ouve música, durante a transa, enfim, use sua imaginação.

*Exercício número 1 - contração e relaxamento básicos
Deite-se de costas, de lado, ou de bruços, com as pernas e o peito relaxados. Imagine o "oito" do assoalho pélvico. Faça uma contração e sinta os esfíncteres ficando mais apertados e as passagens internas (vagina, uretra, ânus) mais fechadas. Relaxe.
Concentre-se no esfíncter da frente, o que fecha a vagina e a uretra.
Coloque a ponta dos dedos em cima do osso da púbis (mais ou menos onde começam os pêlos, indo da barriga para a vulva) e contraia bem forte a vagina. Dá para sentir a contração nos seus dedos também, pois o osso se move do lugar dele. Conte até cinco e relaxe. Repita 10 vezes.
À medida que você vai ficando mais forte nessa área, vá aumentando as repetições. O ideal é chegar a 50 vezes, três vezes ao dia.

*Exercício número 2 - o elevador
Coloque-se em uma posição confortável. Imagine que você está subindo em um elevador. À medida em que você sobe os andares, tente imaginar os músculos cada vez mais contraídos, sem perder a contração que vai se acumulando. Quando estiver bem contraído, vá descendo os "andares" aos poucos, até relaxar completamente os músculos.
Sempre termine o exercício com uma contração.
Nesses exercícios, a qualidade é tão importante quanto a quantidade.
E o bom é que esses exercícios podem ser feitos durante praticamente qualquer atividade, e ninguém precisa saber que você está se exercitando.

:::: Bartira ::::

Outubro 18, 2005

Série conhecendo seu corpo: 2) A Vagina...


(Por: Diniz, Simone G. - Fique amiga dela: dicas para entender a linguagem de suas partes mimosas - São Paulo: Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, 2003. 32p. Obtido em: http://www.mulheres.org.br/fiqueamigadela.)

A vagina é o tubo muscular que vai da vulva até o útero.
Se dividirmos a vagina em três partes, vemos que a parte mais de fora (na vulva - Nota da Bart: parte que falamos no 1° capítulo da "Série conhecendo seu corpo") corresponde ao que hoje alguns chamam de abertura vaginal do clitóris. É uma área bastante sensível para o sexo.
Os dois terços de dentro da vagina têm muito pouca sensibilidade. Tanto é que colocamos um absorvente interno (tipo OB) ou um diafragma lá dentro e nem sentimos nada. É por isso também que muitas mulheres gostam mesmo é da estimulação da parte de fora e menos da penetração.
Como um tubo muscular, a vagina pode ser contraída e relaxada conforme a vontade da mulher. Nem toda mulher já teve a oportunidade de aprender como relaxar e contrair a vagina, pois em nenhum lugar nos ensinam como ter consciência da musculatura vaginal, e muitas aprendem por conta própria.

Ter essa consciência da musculatura vaginal é importante para:
* Ter uma vida sexual mais prazerosa (controlar o "aperto" e relaxamento na relação sexual);
* Ter partos mais fáceis (evitar romper o períneo ou ser cortada);
* Manter uma vagina forte em qualquer idade (sem perder urina ou ter bexiga caída, etc.).

Para isso é importante entender como funcionam os músculos da vagina e da pélvis (quadris) e como exercitá-los. Esses exercícios são usados por médicos para prevenir e tratar problemas (da vagina, da bexiga, etc.). Os médicos os chamam "exercícios de Kegel", em homenagem a Arnold Kegel, um ginecologista americano que batalhou muito para que seus colegas usassem mais os exercícios e menos cirurgia para resolver os chamados "problema de períneo" (perda de urina ou de fezes, vagina prejudicada por partos com cortes ou fórceps, etc.).
Antes de Kegel, esses exercícios já faziam parte de várias culturas tradicionais, principalmente as orientais, como é o caso do pompoarismo (técnica de desenvolvimento sexual asiática) e do tantrismo, uma das vertentes do Yoga (uma abordagem que une espiritualidade e erotismo).
Ou seja, há milênios as mulheres já conheciam os exercícios para fortalecer a vagina e a pélvis como um todo.

Nota da Bart: Dentro de alguns capítulos, nessa série de posts, explicarei como podem ser feitos esses exercícios.

:::: Bartira ::::

Massagem Perineal


Fonte: http://pregnancy.about.com/library/weekly/aa103199.htm
(Tradução da Bart)

Quando pensamos em como se pode evitar a episiotomia no parto normal, raramente pensamos em alguma coisa além do que os médicos ou as enfermeiras podem fazer por nós.
Há muita coisa que podemos fazer por nós mesmas!
A massagem no períneo no período pré-natal tem se mostrado eficaz na prevenção da necessidade da episio e na diminuição das lacerações que a mulher pode ter durante o parto. Esta massagem é particularmente eficiente em mulheres com idades próximas aos 20 anos.
Essa técnica é usada para ajudar no alongamento/flexibilidade e preparar a pele do períneo (parte de pele, músculos etc. entre a vagina e o ânus) para o parto.
Essa massagem não vai apenas preparar o tecido do seu corpo, mas vai também permitir que você conheça e aprenda sobre as sensações do parto e como controlar esses poderosos músculos. Este conhecimento irá lhe auxiliar e preparar-lhe para dar à luz o seu bebê.
O conhecimento do que você sente nessa região do corpo vai lhe ajudar a manter-se relaxada e relaxar o períneo no parto e também durante outros exames vaginais que você tenha que fazer em sua vida.

INSTRUÇÕES:
- Encontre um lugar onde você possa se sentar e estar sozinha, ou com seu parceiro, ininterruptamente.
- Tente ver seu períneo com ajuda de um espelho, note como ele é... Nem sempre será necessário um espelho para essa tarefa!
- Você pode usar compressas com toalhas mornas no períneo por 10 minutos, ou usar um banho morno (de banheira, assento, ou chuveiro, em último caso), caso precise relaxar.
- Lave suas mãos e peça ao seu companheiro para fazê-lo, caso ele vá lhe ajudar nas massagens.
- Lubrifique seus dedos polegares e o períneo. Você pode usar muitos tipos de lubrificantes: KY Gel®, óleo de vitamina E, óleo vegetal puro (óleo de semente de uva é uma boa indicação!) etc.
- Coloque seus dedos polegares um pouco dentro de sua vagina, empurre-os para baixo e pressione para os lados. Você deve sentir um leve estiramento, formigamento, ou uma leve queimação, mas nada que seja dolorido. Mantenha esse movimento por 2 minutos ou até que região fique levemente adormecida.
- Se você tem episiotomia ou lacerações prévias, esteja certa de prestar especial atenção ao tecido de cicatrização que, geralmente, não é tão estendível e onde a massagem deve ser feita mais intensamente, com cuidado.
- Massageie em volta e por dentro da região mais externa da vagina e seus tecidos, onde ela se abre, e mantenha sempre a lubrificação.
- Use seus polegares para puxar um pouco os tecidos, forçando-os a abrirem-se, imagine como seria se a cabeça do seu bebê estivesse fazendo esse movimento na hora do parto.
- Se seu parceiro estiver fazendo a massagem, pode ser muito útil que ele use os polegares. A sensação pode ser mais bem percebida por você, mas não deixe de guiá-lo com suas sensações para que ele saiba qual a pressão que deve utilizar. Nessa massagem, quando ela está sendo feita pelas primeiras vezes, é comum que seja possível usar somente um dedo, até que a musculatura seja trabalhada e possa ser estendida.

ATENÇÃO:
1. Evite mexer no ou abrir o orifício da uretra (logo acima da vagina) para evitar infecções urinárias.
2. Não faça massagens no períneo se você tiver lesões ativas de herpes (isso pode causar o aumento da área das lesões).
3. Você pode começar essas massagens em torno da 34a semana de gravidez. Se você já passou da 34a semana e ainda não começou, não desista! A massagem pode trazer-lhe benefícios ainda assim. Você pode fazê-la pelo menos uma vez por dia.
4. Lembre-se que a massagem sozinha não vai proteger seu períneo, mas ela é parte de um grande esquema. Escolher uma posição vertical para parir (de cócoras, de joelhos, sentada etc.) favorece a distribuição de pressão no períneo. Se você escolher parir deitada de lado, isso também reduz muito a pressão no períneo. Deitada de costas, totalmente na horizontal, é a posição para parir em que há mais chances de se provocar lacerações e necessidade de episiotomia.

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A Episitomia através dos Tempos


Autoras: SANTOS, Jaqueline de Oliveira (1) & SHIMO, Antonieta Keiko Kakuda Shimo (2)
(1) Aluna de Pós-graduação em Enfermagem da FCM-Unicamp
(2) Professora doutora do Departamento de Enfermagem da FCM - Unicamp
*Trabalho apresentado no II Congresso Internacional de Ecologia do Parto e Nascimento*

A episiotomia foi iniciada por Fiel Ould em 1742, que recomendava uma incisão no intróito vaginal no sentido do ânus das mulheres que apresentavam partos extremamente difíceis. Em 1910, Michaelis propôs a sua realização, seguido por Pomeroy que em 1918, a recomendou para diminuir os traumas cranianos no recém-nascido e restaurar a condição "virginal" das mulheres. Sendo reforçados por De Lee em 1920, ao afirmar que ela indubitavelmente preserva a integridade da parede pélvica e do intróito vulvar, prevenindo patologias ginecológicas posteriores.

No entanto, apesar de ser amplamente defendida por grandes profissionais da época, até o final do século XIX, o procedimento foi pouco aceito pelos obstetras.

Somente a partir do século XX a intervenção incorporou-se à prática obstétrica, sendo recomendada e justificada pela prevenção de traumatismos fetais, laceração do períneo e pela facilidade do seu reparo, acrescendo-se em 1961, a redução do tempo do período expulsivo do trabalho de parto.

Apesar da ausência de evidências científicas que asseguravam seus benefícios, o procedimento tornou-se um elemento essencial durante a assistência ao parto, baseado apenas em experiências pessoais. Como reflexo histórico, na obstetrícia moderna, a episiotomia é reconhecida como o procedimento operatório mais comum, representando o poder da medicina sobre o corpo materno.

Contudo, as evidências científicas atuais demonstram que seu uso liberal e rotineiro pode ser mais prejudicial do que benéfica, não oferecendo a proteção materna e fetal fortemente defendida em tempos remotos. Atualmente, baseado em estudos científicos, a Organização Mundial de Saúde recomenda sua realização restrita e classifica seu uso rotineiro como uma prática claramente prejudicial, devendo ser eliminada.
Porém, ela ainda é realizada rotineiramente durante o parto vaginal nas instituições hospitalares do Brasil e da América Latina, havendo relutância dos profissionais de saúde em abandonar uma técnica realizada há séculos. A permanência desse quadro é amplamente questionável.

:::: Bartira ::::

6º Relato: parto natural, sem episiotomia, sem intervenções, em casa de parto


Autora: Babi
Blog: http://babibarbieri.blog.uol.com.br/

Oi... venho aqui agradecer!!! Graças a vcs eu tive o parto que "pedi a Deus"... depois de ler as informações aqui colocadas e de ver as fotos assustadoras da episotomia eu estava convicta de ter um parto "natural" por mais dolorido q fosse... um belo dia visitando o blog, vi ai do lado o selo da "casa de parto" e resolvi ver como era... li tudo e gostei do q li... foi então q descobri uma casa de parto bem pertinho da minha casa, a "Casa de Maria" no Itaim Paulista... eu moro em Suzano e fica uns 20 minutos daqui... ja estava de 39 semanas de gestação e fui no mesmo dia fazer avaliação. Tudo certo para um parto natural, voltei p/ casa com outra consulta marcada para depois de 3 dias... e assim fui indo de 3 em 3 dias até o dia 8 de maio qd ja estava com 4 cm dilatados mas ainda sem contraçoes regulares... voltei p/ casa... de madrugada estourou a bolsa e fui p/ casa de parto... fui recebida com muito carinho e encaminhada p/ o quarto de parto... meu filho nasceu dia 9 de maio(dia das mães) as 09:07hs sem intervenções e sem episiotomia!!! E tudo isso graças a vcs! Quero agradecer e parabenizar pelo belo trabalho!!! Tenho certeza q como eu muitas outras mães vão ser beneficiadas com suas informações!!! Bjos e visitem meu blog! Tem fotos do meu fofinho lá!
Babi :-)

NOTA da BART:
BABI querida, tomei a liberdade de publicar sua mensagem deixada no nosso livro de visitas aqui, pra ficar na primeira página do blog!!!
Vc não sabe a felicidade que senti ao ler sua msg! São coisas como essas que vc escreveu que nos dão disposição e determinação para seguir ajudando...
Muito obrigada por voltar aqui e contar pra gente como tudo deu certo para vc!
Tenho certeza que com determinação e informação as mulheres conseguem segurar as rédeas dos seus partos, serem as donas deles e parir de maneira feliz e digna!
Estou indo agora lá ver as fotos de vcs!!!
Se eu puder em mais alguma coisa algum dia, é só falar!!!
Beijo grande e saúde pra vcs!

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Mais sobre a experiência da Babi...

Data: 2004-06-21 20:24:42
Por: Babi
URL: http://babibarbieri.blog.uol.com.br/ - E-mail: babibarbieri@uol.com.br
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Olá... adorei ver meu comentario exposto no blog, quem sabe muitas outras mães q tem medo do parto natural, lendo essa mensagem, se encoragem a fazer o mesmo q eu e optar por um parto totalmente humanizado e ter seu bebê do seu lado desde a hr do nascimento até a saída!!! É dolorido, mas é compensador!!! A dor some completamente depois do nascimento e durante o TP as mulheres q trabalham na casa de parto fazem carinho o tempo td na gente e sempre perguntam como vc se sente melhor e o q quer fazer... espero q cada dia mais as mulheres façam partos naturais... e se eu tiver outro bb com certeza terei na casa de parto novamente!!! Bjos e obrigada pelo carinho e atenção comigo!!!
Babi :-)

:::: Bartira ::::

Meu relato de parto... BART



Isso talvez não devesse estar aqui porque afinal relata tudo, desde boa parte da gestação até o parto em si, e não só fala de episiotomia...
Mas o meu objetivo é me expor, falar do que passei, e assim ajudar algumas mulheres...
Afinal, a episio não acontece sozinha... Ela faz parte do todo que é o modelo obstétrico tecnocrático adotado em nosso país (e, infelizmente, na maior parte do mundo!).
Eu fui bem atendida, tive um médico que deve ser um dos melhores desse país, que eu adoro e não tenho nada do que reclamar dele.
O que não foi bom? O modelo de atendimento. Estou certa que ele fez o melhor dele por mim. O melhor que ele acredita ser melhor... Eu não tenho lembrança ruim do parto... Pelo contrário... As críticas que faço formulei-as mais de um ano depois do parto, depois de muito ler e de achar que o modelo de parir no nosso país poderia e pode ser diferente. Na época que minha filha nasceu eu não sabia quase nada para questionar, para dizer que sim ou que não, para fazer diferente, para chamar a responsabilidade do MEU parto pra MIM, e entreguei sim tudo na mão da equipe médica... Tive muita sorte de ter uma boa equipe me ajudando e que não me levou para uma cesariana desnecessária.

Leiam, se quiserem...

Relato do Parto da Ana Carolina (por Bartira, nascida em 22/06/1977, carioca, moradora do Rio de Janeiro)
28/02/2002 - Parto normal, hospitalar, com poucas intervenções, humanizado "em termos"...


O parto da minha filha foi muito bom se considerando que na época eu tinha pouca informação e achava que o único lugar para parir era o hospital... Eu não sabia direito a necessidade real de se fazer episiotomia e nem a necessidade de outras intervenções, embora soubesse que queria fugir de uma cesárea desnecessária a todo custo. Acabei então passando muita coisa desnecessária no parto sem nem saber o porquê... Alguém resolvia pra mim e por mim porque eu não tinha conhecimento para isso...

Tive ainda a sorte de ter um médico obstetra muito bom mesmo e que recomendo para minhas amigas, adepto do parto normal, mas isso infelizmente não é a realidade neste país, muito menos na nossa cidade! Os médicos que temos por aí em sua maioria não se atualizam ou, quando o fazem, escolhem as piores fontes! Muitos não sabem mesmo como auxiliar (veja bem: auxiliar e não fazer) partos normais dignos. Não compreendem a mulher e sua fisiologia porque não acreditam nela! Sei também que muitas vezes a mulher prefere se ausentar da responsabilidade de seu parto, deixando tudo nas mãos do médico, mas isso aí já é outro papo (não era o meu caso, por mais desinformada que eu estivesse)...

Eu cheguei no consultório do meu médico com 8 meses de gestação fugindo do segundo cesarista pelo qual passei na gravidez. Ele foi muito melhor do que eu podia esperar e as consultas que tive com ele no pré-natal foram muito boas. A DPP era 02/03/2002.

Por que fugi do segundo cesarista? Porque o segundo médico que estava comigo viu na ultra que a minha filha "ainda estava sentada no oitavo mes" e começou a falar de uma possível/provável cesárea! Além disso, nessa mesma consulta, vi o cara colocar pressão numa gestante que estava na 40ª semana para que fizesse uma cesárea sem entrar em TP naquele mesmo dia porque ele ia viajar e ela "ficaria nas mãos de qualquer um" (usando palavras do próprio médico).

Já tinha fugido de uma outra médica antes desse. Ela também me parecia cesarista. As consultas dela não passavam de 10 minutos e a espera na ante-sala era de 2 horas (pasmem!). Ela não me explicava quase nada, só media minha barriga, pesava-me e fazia exame de toque toda consulta. Quando eu queria perguntar algo, ela dizia que era "cedo para esse assunto".

No dia em que entrei em TP sabia desde de manhã (27/02/2002) que seria aquele dia. Fiquei em casa andando, tomando banho, relaxando. Liguei para o médico, mas ele não acreditou que já era a hora, afinal, geralmente primigesta demora a parir!

Seis horas da tarde meu marido chegou da rua (ele fazia mestrado e tinha que finalizar um relatório e entregá-lo naquele dia - desde de manhã não falei nada das coisas que estava sentindo para ele afim de não perturbá-lo na finalização e entrega do tal relatório), voltei a ligar pro médico. As contrações estavam fortes e não contei intervalo (nunca prestei atenção nesse lance de intervalos das contrações e nenhum médico havia me dito para prestar atenção nisso)... Ele me disse que não devia ser a hora, mas seu eu quisesse podia ir para a clínica. Chegando na clínica, estava com 5cm de dilatação. Fui pra internação às 22hs... Depois para o quarto, tomei banho e tentei relaxar um pouco. As contrações eram fortes! Eu estava meio perdida e meu marido, coitado, mais ainda.

Às 23:30 chegou o anestesista. O obstetra já estava vindo. Eu fiquei com medo das dores das contrações, ali naquele quarto de hospital com meu marido, tão inexperiente quanto eu, e aceitei a analgesia quando já estava com 7cm de dilatação. Acho que se tivesse tido uma doula, ou estivesse em casa ou numa casa de parto, com alternativas naturais para o alívio da dor, teria conseguido ficar sem a analgesia! Mas ali, deitada, sentindo-me meio só... Foi difícil aguentar! Não havia conversado sobre anestesia com meu obstetra, nunca, e quando o anestesista chegou eu liguei para o obstetra, ele disse que não tinha problema eu tomar a anestesia... Aceitei, muito sem informação. Fui levada para a sala de pré-parto e o médico aplicou uma micro-dose da raqui e introduziu um cateter para uso da peridural em gotas conforme fosse necessário. Eu tinha mesmo medo da dor!

Fiquei na sala de pré-parto deitada, com soro contínuo (exigência do anestesista porque era preciso ter uma "via de acesso em caso de emergência") sem ocitocina, pelo menos! Os médicos iam e vinham analisando a evolução do trabalho de parto. Até que eu ia bem! Estava com sede e só podia beber goles de água...

4 horas manhã do dia 28/02/2002... O médico disse "Vamos pra sala de parto?"... Fiquei semi-deitada no centro cirúrgico, frio, claro demais, com as pernas naqueles aparadores, e os médicos me orientando quando fazer força porque eu não sabia quando deveria fazê-la (não sentia as contrações de fato por causa da analgesia e nem conseguia prestar atenção na rigidez de minha barriga pra saber quando estava numa contração, não controlava meu parto!)...

Ele deu uns toques com o dedo na minha vagina e períneo e eu disse que sentia (não sentia 100%, mas sabia que ele estava mexendo ali). Ele me deu anestesia local e fez a episio (disso eu não gostei porque não fui avisada, embora soubesse o que estava prestes a acontecer e embora confiasse nos procedimentos do meu médico). Mais alguns comandos de voz ("faz força, faz força" e eu obedecia)... Fiquei meio desesperada um momento e tive o consolo da neonatologista que estava lá... Era a única mulher me apoiando naquela hora. Meu marido de mãos dadas comigo, mas meio atônito também. O médico me dizia para ficar calma e não gritar, fazer força. E de repente passei pela manobra de Kristeller (também não gostei disso, porque não fui consultada)... Foi uma grande dor essa manobra (soltei um grito das entranhas), eu senti a queimação do expulsivo - essa queimação é chamada, nos círculos femininos e místicos, de "círculo de fogo" - (apesar da anestesia, que depois vim a saber que era em bem baixa dose mesmo) e o obstetra me chamou para me erguer e ver minha filha nascendo (com a manobra, saiu a cabecinha de minha filha) e fiz mais uma força sozinha e minha filha nasceu inteira... Ele perguntou ao meu marido se ele queria cortar o cordão e ele não quiz (de nervoso!). A minha filhota linda foi colocada em cima de minha barriga e a neonatologista fez os procedimentos necessários ali mesmo, em cima de mim (aspiração, limpeza, e mais alguma coisa). Não me esqueço nunca do olhar dela para mim; não chorou, só me olhava com os olhos mais profundos e brilhantes que vi na vida. Reparei em cada pedacinho dela e no meio do turbilhão vi meu marido com lágrimas nos olhos pela primeira vez na vida (ele não chora!). O médico deu os pontos da episio, minha filha foi pro berçário ficar 6 horas na incubadora sem necessidade (quer dizer, eu creio que foi sem necessidade porque um bebê que nasce com Apgar 10 e o segundo Apgar também é 10 não deve ser mantido em incubadora por tanto tempo; acho que foi por recomendação de rotina) e eu fui pro quarto, esperar o efeito da anestesia passar e esperar que ela viesse ficar comigo, esperei também pela hora em que podia comer alguma coisa, pois estava com muita fome, e esperar pelo banho, porque estava doida para me lavar!

Esse parto foi como foi... Deitada, soro, analgesia, meio que tímida, comandada. Cortada pela episio e amassada pela Kristeller... Eu não tinha o poder dado pela informação que tenho hoje.

No próximo parto espero não deixar: analgesia, empurrão na barriga e episio.
E, se possível, gostaria de parir em minha casa!

:::: Bartira ::::

Fisioterapia no pré-parto para prevenção de Episiotomia


Autora: Angelina de Souza Vieira - Fisioterapeuta
(contato: angelmix.fisio@gmail.com)

Para aquelas que querem ter seus filhos por parto normal sem se submeter ao terrível corte chamado episiotomia!

A fisioterapia obstétrica atua exatamente com a prevenção da episiotomia e da cesária e promove uma recuperação mais rápida da mãe!
São realizado exercícios de alongamento e fortalecimento das musculaturas envolvidas no parto para que, no momento da expulsão do bebê, a musculatura se alongue bem e não rompa as fibras musculares!

O que o médico faz é impedir que isso aconteça (ou seja, que as fibras musculares não se rompam - no popular: "não se rasgue toda") fazendo a episiotomia! Mas ele não vê se a gestante possui uma musculatura bem alongada e preparada para esse momento!

É aí que a fisioterapia entra! Preparando bem esta musculatura e deixando o médico ciente disso, não há necessidade de uma dolorosa episiotomia!

A fisioterapeuta também pode acompanhar a gestante durante o trabalho de parto e parto, podendo orientá-la no que fazer, como respirar, que hora relaxar e que hora contrair e ajudar em um alongamento a mais na musculatura perineal (em torno da vagina).

Hoje, se houver uma boa preparação no pré-parto e a mãe não tiver nenhum tipo de intercorrência como o feto em posição errada ou uma bacia pequena para a passagem do feto, eu afirmo que não há necessidade de uma episiotomia no momento do parto!

Se alguém quiser saber quais os exercícios, o que deve fazer exatamente e quando começar, ou tiver alguma dúvida pode me escrever no email: angelmix.fisio@gmail.com e terei o maior prazer em responder!

:::: Bartira ::::

5° Relato: parto com episio e sérios problemas na cicatrização...


Autora: F.

Mudei de médico no começo da gestação pois o antigo fazia episios de rotina. Que absurdo, pensei... só quero episio se for necessária. Mas nunca, nunquinha mesmo pensei na palavra necessária.
Fiz uma busca na internet e encontrei um médico humanizado em Campinas que defendia parto natural sem muitas intervenções.
Perfeito! Episio só se necessária, vamos lá!
Minha filha nasceu após completo desempoderamento da mãe (euzinha mesmo). Ela nasceu de parto normal atrás de uma cortina, com episio.
O médico me mandou para casa sem receita de analgésico, fiquei 4 dias sentindo muita dor e achando que ia passar logo, até que liguei e pedi um medicamento para dor.... Ele disse: mas eu não receitei?
Comecei a procurar informações sobre episio, pois estou passando por momentos complicados com a minha. Foi aí que encontrei neste site um artigo que explica o que significa necessária: Sofrimento fetal...
Ah, então necessária era isso? O APGAR da minha filha foi 10 e 10.
A cicatriz da episio ficou como um rabinho (após o parto fiquei com o rabinho entre as pernas, no sentido denotativo e conotativo), assava e estava aumentando. O mesmo médico que fez foi consertar. Em duas semanas estaria bem de novo, segundo ele. Na cirurgia o médico cortou meu anus junto. Após 4 semanas esperando melhorar, com dor e a base de laxantes, consultei um proctologista que me operou de novo, não antes de sugerir delicadamente que eu processasse o médico que tinha feito aquilo comigo. Agora já fazem 4 meses e eu ainda estou me recuperando da episio. Amamento de pirraça, pois é dificil ficar sentada amamentando, e ainda não voltei a ser mulher e esposa.
Ah, essa episio só se necessária com apgar do bebê 10 e 10!!!!!!!!

:::: Bartira ::::


Sobre a Webmiss:

Meu nome é Bartira, tenho 31 anos e pari minha filha de parto normal - passei pela episio e demorei quase dois anos para aprender a conviver com ela! Sou defensora do Parto Natural e escrevo outro blog para mulheres, junto com outra mulher, sobre Parto Humanizado... Estou aqui pra dizer a quem quiser ouvir: NÃO ACEITE QUE TE PASSEM A TESOURA À TOA!

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