Outubro 18, 2005

Série conhecendo seu corpo: 2) A Vagina...


(Por: Diniz, Simone G. - Fique amiga dela: dicas para entender a linguagem de suas partes mimosas - São Paulo: Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, 2003. 32p. Obtido em: http://www.mulheres.org.br/fiqueamigadela.)

A vagina é o tubo muscular que vai da vulva até o útero.
Se dividirmos a vagina em três partes, vemos que a parte mais de fora (na vulva - Nota da Bart: parte que falamos no 1° capítulo da "Série conhecendo seu corpo") corresponde ao que hoje alguns chamam de abertura vaginal do clitóris. É uma área bastante sensível para o sexo.
Os dois terços de dentro da vagina têm muito pouca sensibilidade. Tanto é que colocamos um absorvente interno (tipo OB) ou um diafragma lá dentro e nem sentimos nada. É por isso também que muitas mulheres gostam mesmo é da estimulação da parte de fora e menos da penetração.
Como um tubo muscular, a vagina pode ser contraída e relaxada conforme a vontade da mulher. Nem toda mulher já teve a oportunidade de aprender como relaxar e contrair a vagina, pois em nenhum lugar nos ensinam como ter consciência da musculatura vaginal, e muitas aprendem por conta própria.

Ter essa consciência da musculatura vaginal é importante para:
* Ter uma vida sexual mais prazerosa (controlar o "aperto" e relaxamento na relação sexual);
* Ter partos mais fáceis (evitar romper o períneo ou ser cortada);
* Manter uma vagina forte em qualquer idade (sem perder urina ou ter bexiga caída, etc.).

Para isso é importante entender como funcionam os músculos da vagina e da pélvis (quadris) e como exercitá-los. Esses exercícios são usados por médicos para prevenir e tratar problemas (da vagina, da bexiga, etc.). Os médicos os chamam "exercícios de Kegel", em homenagem a Arnold Kegel, um ginecologista americano que batalhou muito para que seus colegas usassem mais os exercícios e menos cirurgia para resolver os chamados "problema de períneo" (perda de urina ou de fezes, vagina prejudicada por partos com cortes ou fórceps, etc.).
Antes de Kegel, esses exercícios já faziam parte de várias culturas tradicionais, principalmente as orientais, como é o caso do pompoarismo (técnica de desenvolvimento sexual asiática) e do tantrismo, uma das vertentes do Yoga (uma abordagem que une espiritualidade e erotismo).
Ou seja, há milênios as mulheres já conheciam os exercícios para fortalecer a vagina e a pélvis como um todo.

Nota da Bart: Dentro de alguns capítulos, nessa série de posts, explicarei como podem ser feitos esses exercícios.

:::: Bartira ::::

Massagem Perineal


Fonte: http://pregnancy.about.com/library/weekly/aa103199.htm
(Tradução da Bart)

Quando pensamos em como se pode evitar a episiotomia no parto normal, raramente pensamos em alguma coisa além do que os médicos ou as enfermeiras podem fazer por nós.
Há muita coisa que podemos fazer por nós mesmas!
A massagem no períneo no período pré-natal tem se mostrado eficaz na prevenção da necessidade da episio e na diminuição das lacerações que a mulher pode ter durante o parto. Esta massagem é particularmente eficiente em mulheres com idades próximas aos 20 anos.
Essa técnica é usada para ajudar no alongamento/flexibilidade e preparar a pele do períneo (parte de pele, músculos etc. entre a vagina e o ânus) para o parto.
Essa massagem não vai apenas preparar o tecido do seu corpo, mas vai também permitir que você conheça e aprenda sobre as sensações do parto e como controlar esses poderosos músculos. Este conhecimento irá lhe auxiliar e preparar-lhe para dar à luz o seu bebê.
O conhecimento do que você sente nessa região do corpo vai lhe ajudar a manter-se relaxada e relaxar o períneo no parto e também durante outros exames vaginais que você tenha que fazer em sua vida.

INSTRUÇÕES:
- Encontre um lugar onde você possa se sentar e estar sozinha, ou com seu parceiro, ininterruptamente.
- Tente ver seu períneo com ajuda de um espelho, note como ele é... Nem sempre será necessário um espelho para essa tarefa!
- Você pode usar compressas com toalhas mornas no períneo por 10 minutos, ou usar um banho morno (de banheira, assento, ou chuveiro, em último caso), caso precise relaxar.
- Lave suas mãos e peça ao seu companheiro para fazê-lo, caso ele vá lhe ajudar nas massagens.
- Lubrifique seus dedos polegares e o períneo. Você pode usar muitos tipos de lubrificantes: KY Gel®, óleo de vitamina E, óleo vegetal puro (óleo de semente de uva é uma boa indicação!) etc.
- Coloque seus dedos polegares um pouco dentro de sua vagina, empurre-os para baixo e pressione para os lados. Você deve sentir um leve estiramento, formigamento, ou uma leve queimação, mas nada que seja dolorido. Mantenha esse movimento por 2 minutos ou até que região fique levemente adormecida.
- Se você tem episiotomia ou lacerações prévias, esteja certa de prestar especial atenção ao tecido de cicatrização que, geralmente, não é tão estendível e onde a massagem deve ser feita mais intensamente, com cuidado.
- Massageie em volta e por dentro da região mais externa da vagina e seus tecidos, onde ela se abre, e mantenha sempre a lubrificação.
- Use seus polegares para puxar um pouco os tecidos, forçando-os a abrirem-se, imagine como seria se a cabeça do seu bebê estivesse fazendo esse movimento na hora do parto.
- Se seu parceiro estiver fazendo a massagem, pode ser muito útil que ele use os polegares. A sensação pode ser mais bem percebida por você, mas não deixe de guiá-lo com suas sensações para que ele saiba qual a pressão que deve utilizar. Nessa massagem, quando ela está sendo feita pelas primeiras vezes, é comum que seja possível usar somente um dedo, até que a musculatura seja trabalhada e possa ser estendida.

ATENÇÃO:
1. Evite mexer no ou abrir o orifício da uretra (logo acima da vagina) para evitar infecções urinárias.
2. Não faça massagens no períneo se você tiver lesões ativas de herpes (isso pode causar o aumento da área das lesões).
3. Você pode começar essas massagens em torno da 34a semana de gravidez. Se você já passou da 34a semana e ainda não começou, não desista! A massagem pode trazer-lhe benefícios ainda assim. Você pode fazê-la pelo menos uma vez por dia.
4. Lembre-se que a massagem sozinha não vai proteger seu períneo, mas ela é parte de um grande esquema. Escolher uma posição vertical para parir (de cócoras, de joelhos, sentada etc.) favorece a distribuição de pressão no períneo. Se você escolher parir deitada de lado, isso também reduz muito a pressão no períneo. Deitada de costas, totalmente na horizontal, é a posição para parir em que há mais chances de se provocar lacerações e necessidade de episiotomia.

:::: Bartira ::::

A Episitomia através dos Tempos


Autoras: SANTOS, Jaqueline de Oliveira (1) & SHIMO, Antonieta Keiko Kakuda Shimo (2)
(1) Aluna de Pós-graduação em Enfermagem da FCM-Unicamp
(2) Professora doutora do Departamento de Enfermagem da FCM - Unicamp
*Trabalho apresentado no II Congresso Internacional de Ecologia do Parto e Nascimento*

A episiotomia foi iniciada por Fiel Ould em 1742, que recomendava uma incisão no intróito vaginal no sentido do ânus das mulheres que apresentavam partos extremamente difíceis. Em 1910, Michaelis propôs a sua realização, seguido por Pomeroy que em 1918, a recomendou para diminuir os traumas cranianos no recém-nascido e restaurar a condição "virginal" das mulheres. Sendo reforçados por De Lee em 1920, ao afirmar que ela indubitavelmente preserva a integridade da parede pélvica e do intróito vulvar, prevenindo patologias ginecológicas posteriores.

No entanto, apesar de ser amplamente defendida por grandes profissionais da época, até o final do século XIX, o procedimento foi pouco aceito pelos obstetras.

Somente a partir do século XX a intervenção incorporou-se à prática obstétrica, sendo recomendada e justificada pela prevenção de traumatismos fetais, laceração do períneo e pela facilidade do seu reparo, acrescendo-se em 1961, a redução do tempo do período expulsivo do trabalho de parto.

Apesar da ausência de evidências científicas que asseguravam seus benefícios, o procedimento tornou-se um elemento essencial durante a assistência ao parto, baseado apenas em experiências pessoais. Como reflexo histórico, na obstetrícia moderna, a episiotomia é reconhecida como o procedimento operatório mais comum, representando o poder da medicina sobre o corpo materno.

Contudo, as evidências científicas atuais demonstram que seu uso liberal e rotineiro pode ser mais prejudicial do que benéfica, não oferecendo a proteção materna e fetal fortemente defendida em tempos remotos. Atualmente, baseado em estudos científicos, a Organização Mundial de Saúde recomenda sua realização restrita e classifica seu uso rotineiro como uma prática claramente prejudicial, devendo ser eliminada.
Porém, ela ainda é realizada rotineiramente durante o parto vaginal nas instituições hospitalares do Brasil e da América Latina, havendo relutância dos profissionais de saúde em abandonar uma técnica realizada há séculos. A permanência desse quadro é amplamente questionável.

:::: Bartira ::::

6º Relato: parto natural, sem episiotomia, sem intervenções, em casa de parto


Autora: Babi
Blog: http://babibarbieri.blog.uol.com.br/

Oi... venho aqui agradecer!!! Graças a vcs eu tive o parto que "pedi a Deus"... depois de ler as informações aqui colocadas e de ver as fotos assustadoras da episotomia eu estava convicta de ter um parto "natural" por mais dolorido q fosse... um belo dia visitando o blog, vi ai do lado o selo da "casa de parto" e resolvi ver como era... li tudo e gostei do q li... foi então q descobri uma casa de parto bem pertinho da minha casa, a "Casa de Maria" no Itaim Paulista... eu moro em Suzano e fica uns 20 minutos daqui... ja estava de 39 semanas de gestação e fui no mesmo dia fazer avaliação. Tudo certo para um parto natural, voltei p/ casa com outra consulta marcada para depois de 3 dias... e assim fui indo de 3 em 3 dias até o dia 8 de maio qd ja estava com 4 cm dilatados mas ainda sem contraçoes regulares... voltei p/ casa... de madrugada estourou a bolsa e fui p/ casa de parto... fui recebida com muito carinho e encaminhada p/ o quarto de parto... meu filho nasceu dia 9 de maio(dia das mães) as 09:07hs sem intervenções e sem episiotomia!!! E tudo isso graças a vcs! Quero agradecer e parabenizar pelo belo trabalho!!! Tenho certeza q como eu muitas outras mães vão ser beneficiadas com suas informações!!! Bjos e visitem meu blog! Tem fotos do meu fofinho lá!
Babi :-)

NOTA da BART:
BABI querida, tomei a liberdade de publicar sua mensagem deixada no nosso livro de visitas aqui, pra ficar na primeira página do blog!!!
Vc não sabe a felicidade que senti ao ler sua msg! São coisas como essas que vc escreveu que nos dão disposição e determinação para seguir ajudando...
Muito obrigada por voltar aqui e contar pra gente como tudo deu certo para vc!
Tenho certeza que com determinação e informação as mulheres conseguem segurar as rédeas dos seus partos, serem as donas deles e parir de maneira feliz e digna!
Estou indo agora lá ver as fotos de vcs!!!
Se eu puder em mais alguma coisa algum dia, é só falar!!!
Beijo grande e saúde pra vcs!

* * * * * * * * * *
Mais sobre a experiência da Babi...

Data: 2004-06-21 20:24:42
Por: Babi
URL: http://babibarbieri.blog.uol.com.br/ - E-mail: babibarbieri@uol.com.br
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Olá... adorei ver meu comentario exposto no blog, quem sabe muitas outras mães q tem medo do parto natural, lendo essa mensagem, se encoragem a fazer o mesmo q eu e optar por um parto totalmente humanizado e ter seu bebê do seu lado desde a hr do nascimento até a saída!!! É dolorido, mas é compensador!!! A dor some completamente depois do nascimento e durante o TP as mulheres q trabalham na casa de parto fazem carinho o tempo td na gente e sempre perguntam como vc se sente melhor e o q quer fazer... espero q cada dia mais as mulheres façam partos naturais... e se eu tiver outro bb com certeza terei na casa de parto novamente!!! Bjos e obrigada pelo carinho e atenção comigo!!!
Babi :-)

:::: Bartira ::::

Meu relato de parto... BART


Isso talvez não devesse estar aqui porque afinal relata tudo, desde boa parte da gestação até o parto em si, e não só fala de episiotomia...
Mas o meu objetivo é me expor, falar do que passei, e assim ajudar algumas mulheres...
Afinal, a episio não acontece sozinha... Ela faz parte do todo que é o modelo obstétrico tecnocrático adotado em nosso país (e, infelizmente, na maior parte do mundo!).
Eu fui bem atendida, tive um médico que deve ser um dos melhores desse país, que eu adoro e não tenho nada do que reclamar dele.
O que não foi bom? O modelo de atendimento. Estou certa que ele fez o melhor dele por mim. O melhor que ele acredita ser melhor... Eu não tenho lembrança ruim do parto... Pelo contrário... As críticas que faço, as formulei mais de um ano depois do parto, depois de muito ler e de achar que o modelo de parir no nosso país poderia e pode ser diferente. Na época que minha filha nasceu eu não sabia quase nada para questionar, para dizer que sim ou que não, para fazer diferente, para chamar a responsabilidade do MEU parto pra MIM, e entreguei sim tudo na mão da equipe médica... Tive muita sorte de ter uma boa equipe me ajudando e que não me levou para uma cesariana desnecessária.

Leiam, se quiserem...

Relato do Parto da Ana Carolina (por Bartira, nascida em 22/06/1977, carioca, moradora do Rio de Janeiro)
28/02/2002 - Parto normal, hospitalar, com poucas intervenções, humanizado "em termos"...


O parto da minha filha foi muito bom considerando-se que na época eu tinha pouca informação e achava que o único lugar para parir era o hospital... Eu não sabia direito a necessidade real de se fazer episiotomia e nem a necessidade de outras intervenções, embora soubesse que queria fugir de uma cesárea desnecessária a todo custo. Acabei então passando muita coisa desnecessária no parto sem nem saber o porquê... Alguém resolvia pra mim e por mim porque eu não tinha conhecimento para isso...

Tive ainda a sorte de ter um médico obstetra muito bom mesmo e que recomendo pras minhas amigas, adepto do parto normal, mas isso infelizmente não é a realidade neste país, muito menos na nossa cidade! Os médicos que temos por aí em sua maioria não se atualizam ou, quando o fazem, escolhem as piores fontes! Muitos não sabem mesmo como auxiliar (veja bem: auxiliar e não fazer) partos normais dignos. Não compreendem a mulher e sua fisiologia porque não acreditam nela! Sei também que muitas vezes a mulher prefere se ausentar das responsabilidade de seu parto, deixando tudo nas mãos do médico, mas isso aí já é outro papo (não era o meu caso, por mais desinformada que eu estivesse)...

Eu cheguei no consultório do meu médico com 8 meses de gestação fugindo do segundo cesarista pelo qual passei na gravidez. Ele foi muito melhor do que eu podia esperar e as consultas que tive com ele no pré-natal foram muito boas. A DPP era 02/03/2002.

Por que fugi do segundo cesarista? Porque o segundo médico que estava comigo viu na ultra que a minha filha "ainda estava sentada no oitavo mes" e começou a falar de uma possível/provável cesárea! Além disso, nessa mesma consulta, vi o cara colocar pressão numa gestante que estava na 40ª semana pra ela fazer uma cesárea sem entrar em TP naquele mesmo dia porque ele ia viajar e ela ia "ficar nas mãos de qq um" (usando palavras do próprio médico).

Já tinha fugido de uma outra médica antes desse. Ela também me parecia cesarista. As consultas dela não passavam de 10 minutos e a espera na ante-sala era de 2 horas (pasmem!). Ela não me explicava quase nada, só media minha barriga, me pesava e fazia exame de toque toda consulta. Quando eu queria perguntar algo, ela dizia que era "cedo para esse assunto".
No dia em que entrei em TP sabia desde de manhã (27/02/2002) que seria aquele dia. Fiquei em casa andando, tomando banho, relaxando. Liguei pro médico, mas ele não acreditou que já era a hora, afinal, geralmente primigesta demora a parir!

Seis horas da tarde meu marido chegou da rua (ele fazia mestrado e tinha que finalizar um relatório e entregá-lo naquele dia - desde de manhã não falei nada das coisas que estava sentindo para ele afim de não perturbá-lo na finalização e entrega do tal relatório), voltei a ligar pro médico. As contrações estavam fortes e não contei intervalo (nunca prestei atenção nesse lance de intervalos das contrações e nenhum médico havia me dito para prestar atenção nisso)... Ele me disse que não devia ser a hora, mas seu eu quisesse podia ir pra Clínica. Chegando na Clínica, estava com 5cm de dilatação. Fui pra internação às 22hs... Depois pro quarto, tomei banho e tentei relaxar um pouco. As contrações eram fortes! Eu estava meio perdida e meu marido, coitado, mais ainda.

23:30 chegou o anestesista. O obstetra já estava vindo. Eu fiquei com medo das dores das contrações, ali naquele quarto de hospital com meu marido, tão inexperiente quanto eu, e aceitei a analgesia quando já estava com 7cm de dilatação. Acho se tivesse tido uma doula, ou estivesse em casa ou numa casa de parto, com alternativas naturais para o alívio da dor, teria conseguido ficar sem a analgesia! Mas ali, deitada, me sentindo meio só... Foi difícil aguentar! Não havia conversado sobre anestesia com meu obstetra, nunca, e quando o anestesista chegou eu liguei pro obstetra, ele disse que não tinha problema eu tomar a anestesia... Aceitei, muito sem informação. Fui levada para a sala de pré-parto e o médico aplicou uma micro-dose da raqui e introduziu um cateter para uso da peridural em gotas conforme fosse necessário. Eu tinha mesmo medo da dor!

Fiquei na sala de pré-parto deitada, com soro contínuo (exigência do anestesista porque era preciso ter uma "veia de acesso em caso de emergência") sem ocitocina, pelo menos! Os médicos iam e vinham analisando a evolução do trabalho de parto. Até que eu ia bem! Estava com sede e só podia beber goles de água...

4 horas manhã do dia 28/02/2002... O médico disse "Vamos pra sala de parto?"... Fiquei semi-deitada no centro cirúrgico, frio, claro demais, com as pernas naqueles aparadores, e os médicos me orientando quando fazer força porque eu não sabia quando deveria fazê-la (não sentia as contrações de fato por causa da analgesia e nem conseguia prestar atenção na rigidez de minha barriga pra saber quando estava numa contração, não controlava meu parto!)...

Ele deu uns toques com o dedo na minha vagina e períneo e eu disse que sentia (não sentia 100%, mas sabia que ele estava mexendo ali). Ele me deu anestesia local e fez a episio (disso eu não gostei porque não fui avisada, embora soubesse o que estava prestes a acontecer e embora confiasse nos procedimentos do meu médico). Mais alguns comandos de voz ("faz força, faz força" e eu obedecia)... Fiquei meio desesperada um momento e tive o consolo da neonatologista que estava lá... Era a única mulher me apoiando naquela hora. Meu marido de mãos dadas comigo, mas meio atônito também. O médico me dizia para ficar calma e não gritar, fazer força. E de repente passei pela manobra de Kristeller (tb não gostei disso, porque não fui consultada)... Foi uma grande dor essa manobra (soltei um grito das entranhas), eu senti a queimação do expulsivo - essa queimação é chamada, nos círculos femininos e místicos, de "círculo de fogo" - (apesar da anestesia, que depois vim a saber que era em bem baixa dose mesmo) e o obstetra me chamou para me erguer e ver minha filha nascendo (com a manobra, saiu a cabecinha de minha filha) e fiz mais uma força sozinha e minha filha nasceu inteira... Ele perguntou ao meu marido se ele queria cortar o cordão e ele não quiz (de nervoso!). A minha filhota linda foi colocada em cima de minha barriga e a neonatologista fez os procedimentos necessários ali mesmo, em cima de mim (aspiração, limpeza, e mais alguma coisa). Não me esqueço nunca do olhar dela para mim; não chorou, só me olhava com os olhos mais profundos e brilhantes que vi na vida. Reparei em cada pedacinho dela e no meio do turbilhão vi meu marido com lágrimas nos olhos pela primeira vez na vida (ele não chora!). O médico deu os pontos da episio, minha filha foi pro berçário ficar 6 horas na incubadora sem necessidade (quer dizer, eu creio que foi sem necessidade porque um bebê que nasce com Apgar 10 e o segundo Apgar também é 10 não deve ser mantido em incubadora por tanto tempo; acho que foi por recomendação de rotina) e eu fui pro quarto, esperar o efeito da anestesia passar e esperar que ela viesse ficar comigo, esperei também pela hora em que podia comer alguma coisa, pois estava com muita fome, e esperar pelo banho, porque estava doida para me lavar!

Esse parto foi como foi... Deitada, soro, analgesia, meio que tímida, comandada. Cortada pela episio e amassada pela Kristeller... Eu não tinha o poder dado pela informação que tenho hoje.

No próximo parto espero não deixar: analgesia, empurrão na barriga e episio.
E, se possível, gostaria de parir em na minha casa!

:::: Bartira ::::

Fisioterapia no pré-parto para prevenção de Episiotomia


Autora: Angelina de Souza Vieira - Fisioterapeuta
(contato: angelmix.fisio@gmail.com)

Para aquelas que querem ter seus filhos por parto normal sem se submeter ao terrível corte chamado episiotomia!

A fisioterapia obstétrica atua exatamente com a prevenção da episiotomia e da cesária e promove uma recuperação mais rápida da mãe!
São realizado exercícios de alongamento e fortalecimento das musculaturas envolvidas no parto para que, no momento da expulsão do bebê, a musculatura se alongue bem e não rompa as fibras musculares!

O que o médico faz é impedir que isso aconteça (ou seja, que as fibras musculares não se rompam - no popular: "não se rasgue toda") fazendo a episiotomia! Mas ele não vê se a gestante possui uma musculatura bem alongada e preparada para esse momento!

É aí que a fisioterapia entra! Preparando bem esta musculatura e deixando o médico ciente disso, não há necessidade de uma dolorosa episiotomia!

A fisioterapeuta também pode acompanhar a gestante durante o trabalho de parto e parto, podendo orientá-la no que fazer, como respirar, que hora relaxar e que hora contrair e ajudar em um alongamento a mais na musculatura perineal (em torno da vagina).

Hoje, se houver uma boa preparação no pré-parto e a mãe não tiver nenhum tipo de intercorrência como o feto em posição errada ou uma bacia pequena para a passagem do feto, eu afirmo que não há necessidade de uma episiotomia no momento do parto!

Se alguém quiser saber quais os exercícios, o que deve fazer exatamente e quando começar, ou tiver alguma dúvida pode me escrever no email: angelmix.fisio@gmail.com e terei o maior prazer em responder!

:::: Bartira ::::

5° Relato: parto com episio e sérios problemas na cicatrização...


Autora: F.

Mudei de médico no começo da gestação pois o antigo fazia episios de rotina. Que absurdo, pensei... só quero episio se for necessária. Mas nunca, nunquinha mesmo pensei na palavra necessária.
Fiz uma busca na internet e encontrei um médico humanizado em Campinas que defendia parto natural sem muitas intervenções.
Perfeito! Episio só se necessária, vamos lá!
Minha filha nasceu após completo desempoderamento da mãe (euzinha mesmo). Ela nasceu de parto normal atrás de uma cortina, com episio.
O médico me mandou para casa sem receita de analgésico, fiquei 4 dias sentindo muita dor e achando que ia passar logo, até que liguei e pedi um medicamento para dor.... Ele disse: mas eu não receitei?
Comecei a procurar informações sobre episio, pois estou passando por momentos complicados com a minha. Foi aí que encontrei neste site um artigo que explica o que significa necessária: Sofrimento fetal...
Ah, então necessária era isso? O APGAR da minha filha foi 10 e 10.
A cicatriz da episio ficou como um rabinho (após o parto fiquei com o rabinho entre as pernas, no sentido denotativo e conotativo), assava e estava aumentando. O mesmo médico que fez foi consertar. Em duas semanas estaria bem de novo, segundo ele. Na cirurgia o médico cortou meu anus junto. Após 4 semanas esperando melhorar, com dor e a base de laxantes, consultei um proctologista que me operou de novo, não antes de sugerir delicadamente que eu processasse o médico que tinha feito aquilo comigo. Agora já fazem 4 meses e eu ainda estou me recuperando da episio. Amamento de pirraça, pois é dificil ficar sentada amamentando, e ainda não voltei a ser mulher e esposa.
Ah, essa episio só se necessária com apgar do bebê 10 e 10!!!!!!!!

:::: Bartira ::::

Série conhecendo seu corpo: 1) A Vulva...


Eu sempre achei que o sucesso do parto e o domínio sobre ele (e leia-se aqui "possibilidade de fugir de intervenções desnecessárias", entre elas a episiotomia de rotina), assim como para qq coisa que a gente quer fazer na vida, depende de bom conhecimento e domínio do assunto. Eu não quero dizer, claro, que pra parir a gente tem que virar PhD em ginecologia e obstetrícia (até porque, esse deve ser o papel do médico e não da mulher gestante/parturiente), mas que é bom sim, fundamental, conhecer seu corpo, conhecer a gestação, o que ele envolve, conhecer o que é o trabalho de parto, suas etapas, para melhor poder decidir, optar, fazer acontecer de fato...

Dentro dessa idéia, estou começando uma série de posts sobre anatomia da mulher em suas partes reprodutoras... Esse é o primeiro post! Nada aqui é exclusivo meu, é sim fruto de pesquisa em sua maioria no site Fique Amiga Dela (base do trabalho que faço aqui nesse blog) - as imagens e textos que vou usar são de lá!

A gente fala muito de episio, períneo, vagina, etc. mas tenho certeza que a maioria de nós nem sabe onde ficam essas "coisas"... ;-)
Minha proposta número um agora é: Vc, mulher, PEGUE UM ESPELHINHO, RECOSTE-SE EM SUA CAMA E OLHE SUA VULVA... Tente estudá-la e comparar com a imagem que vou postar agora, tente identificar as partes que você vê na imagem encontrando-as em você!!! Se for o paceiro, e sua mulher aceitar, tente encontrar essas partes nela...



Se encontrou???
Notas:
A) O que aqui está indicado como ráfia mediana pode não ser mesmo uma linha forte em você (em mim não é), mas quer dizer que essa região é uma região importante, onde na fase embrionária nossa região genital foi se fechando (nos homens fechou até em cima, e formou o pênis). É perto dela que é feita a episiotomia.
B) A anatomia de forma geral é essa, mas o aspecto difere de mulher pra mulher... Umas têm o clitóris maior, menor, os pequenos lábios tb, e por aí vai... Esse é um desenho esquemático que mostra as partes e seus nomes...

:::: Bartira ::::

Uso de incisão para auxiliar parto caiu 36% nos EUA em 15 anos


Fonte: Obstetrics & Gynecology 2002; 99:395-400.
In: http://br.yahoo.com/noticias/saude/article.html?s=br/noticias/020301/
saude/reuters/Uso_de_incisao_para_auxiliar_parto_caiu_36__nos_EUA_
em_15_anos.html

NOVA YORK (Reuters Health) - O número de mulheres que ***necessitam de um corte cirúrgico*** para facilitar o parto normal -- procedimento conhecido como episiotomia -- pode ter caído ao longo das últimas duas décadas nos Estados Unidos, segundo estudo realizado em um hospital Pensilvânia.

(***Nota da Bart***: leiam aqui esse ***necessitam de um corte cirúrgico*** com cuidado! Não concordo de jeito algum que seja necessário, a princípio, corte cirúrgico para facilitar um parto normal. É verdade que a episiotomia apressa o período expulsivo do parto normal, mas a "necessidade" desse corte só ocorre se houver sofrimento fetal.)

A equipe de Jay Goldberg, da Faculdade de Medicina Jefferson, na Filadélfia, informou que quase 70 por cento das mulheres que tiveram bebês por parto normal foram submetidas à episiotomia, em 1983. Essa taxa foi cerca de 19 por cento, em 2000, afirmaram os pesquisadores na edição de março da revista Obstetrics & Gynecology. A diminuição foi verificada apesar de o hospital não ter tomado iniciativas para reduzir ou alterar o uso da técnica durante o período.

Na episiotomia, uma pequena incisão é feita para alargar a abertura da vagina durante o parto. O consenso médico era que esse é o menor de dois males. Para os especialistas, o procedimento era preferível às lacerações que podem ocorrer durante o parto -- lesões que podem ser de difícil reparo ou que podem provocar sérios danos ao ânus ou à vagina. Também acreditava-se que um parto mais rápido fosse benéfico para o bebê.

Apesar disso, no início da década de 80, começaram a ser coletadas evidências de que essa incisão oferece pouco ou nenhum benefício às mulheres e aos bebês. A técnica é útil em algumas circunstâncias, mas seu uso rotineiro parece menos aceito e, gradualmente, ela vem sendo abandonada por médicos e pelas pacientes, indicou o trabalho.

A equipe avaliou os registros médicos de pouco mais de 34 mil mulheres que tiveram parto normal no hospital, entre 1983 e 2000.

"Os índices gerais de episiotomia apresentaram uma redução significativa de 69,6 para 19,4 por cento, entre 1983 e 2000", segundo o estudo. Os pesquisadores verificaram que, no geral, o procedimento foi realizado em 43 por cento dos partos vaginais espontâneos, em 72 por cento dos partos feitos com auxílio de bomba de vácuo, e em 90 por cento dos partos à fórceps. Esses dois últimos procedimentos são utilizados quando há dificuldade ou atraso no surgimento da cabeça do bebê no canal de parto.

O uso da episiotomia não diminuiu em partos com auxílio de vácuo e baixou apenas um pouco em casos de uso de fórceps. De acordo com a pesquisa, o fórceps foi empregado entre 7 e 20 por cento dos nascimentos, dependendo do ano. Já o aparelho de vácuo foi necessário em uma parcela que variou de 1,2 a 13 por cento dos partos.

Houve pouca alteração na realização de episiotomia em partos de crianças com tamanho superior à média -- a taxa flutuou entre 45 e 50 por cento.

Embora tenha ocorrido uma queda no índice geral de episiotomia, essa diminuição variou de acordo com determinados fatores.

"As taxas de episiotomia em mulheres brancas foi reduzida de 79 para 32 por cento. Entre as negras, esse índice baixou de 60,5 para 11, 2 por cento", relataram os pesquisadores.

"Essa alteração da prática padrão pode estar bastante ligada ao impacto do aumento de referências na literatura desfavoráveis ao uso rotineiro da episiotomia", concluiu a equipe.

Os autores do estudo lembraram que a diferença das taxas encontradas entre mulheres brancas e das verificadas entre as negras pode "simplesmente ser um marcador da forma arbitrária e não-específica que os médicos usam para determinar quais pacientes precisam sofrer episiotomia."

As conclusões da pesquisa reforçaram os dados divulgados há poucos anos pelo Centro Nacional de Estatísticas em Saúde. Estes números mostraram que a episiotomia foi feita em 61, 56, 47 e 39 por cento dos partos realizados nos Estados Unidos nos anos de 1985, 1990, 1995 e 1998, respectivamente.

:::: Bartira ::::

Outubro 17, 2005
Quer ver como é um parto normal tradicional (mulher deitada, em hospital, com episiotomia, etc.)?

Clique AQUI.

Quer ver como é feita a episiorrafia (costura da região que foi cortada pela episio)?

Clique AQUI.

:::: Bartira ::::

Duas opiniões de Obstetras Humanistas sobre Explosões Perineais


De: Ricardo Herbert Jones (rhjones@bol.com.br)
Em: 26 de março de 2001 (na lista de discussões Parto Natural)

(...)
Para mim, depois de Thacker & Banta em meados dos anos 80 o tema episiotomia é superado...

A única coisa que seguramente aumenta o risco de lacerações graves no períneo é.... a episiotomia!!! E isso está em diversos trabalhos a respeito do assunto.

Isso nao significa que NUNCA devemos fazer uma episio... Apenas pôs por terra a necessidade ROTINEIRA de episio, que no fundo mandava uma mensagem para a paciente de que ela foi mal feita, que só podia ter um filho sem se "rebentar toda" se um médico (Senhor Excelso do Saber) "consertasse" o que a natureza erroneamente planejou durante milhares de anos.

Eu particularmente utilizo episiotomia em menos de 5% das pacientes e a uso por razões fetais e/ou maternas específicas: cansaço materno, uso de fórceps, bradicardia fetal, emergências, etc... Durante o desprendimento da cabeça eu utilizo algumas das técnicas a seguir: massagens perineais, óleos, sustentação manual do períneo, calor local, paciência, encorajamento, presença da Doula, etc.. Com isso tenho um indice bem razoável de períneos íntegros, inclusive nas primigestas...

Fetos grandes NÃO justificam o uso rotineiro de episiotomia !!! Até porque muitas vezes o tamanho do bebê (quando ainda na barriga) é superestimado ou subestimado... canso de me surpreender com bebês que eu achava pequenos no abdome, mas que se mostraram "tourinhos"... e o contrário tb é verdadeiro...

Claro também me parece que o decúbito dorsal prejudica, e MUITO, o delivramento fetal... quem já assistiu um parto deitado e viu a cabeça de um bebê "bater" contra um períneo sabe do que estou falando.
O parto horizontal será visto daqui a 100 anos nos livros de história da medicina com a mesma curiosidade que nós vemos desenhos de cintos de castidade em resenhas de história da idade média...

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De: Stella Marina
Em: 29 de março de 2001 (na lista de discussões Parto Natural)

Não se quis dizer aqui que a episiotomia sempre leva a complicações. A Perineologia vem demonstrando que, comparada a outros fatores de prejuízo ao períneo, a episiotomia apresenta riscos mais freqüentes e mais sérios.

A episiotomia, como qualquer ato médico, tem indicações e riscos. Praticada quando bem indicada, na maior parte das vezes será útil. Ainda assim, mesmo nas melhores condições, oferece riscos.

Bebês grandes podem nascer de mulheres pequenas, sim. Não é comum, até porque os bebês costumam ter a carga genética dos pais e pais pequenos... O obstetra também pode orientar a gestante quanto à dieta, de forma a permitir que o feto ganhe o peso nescessário no útero mas só cresça mesmo após o nascimento.

Bem raramente a indicação de episiotomia será feita apenas por conta do tamanho do feto.
Já a posição em que habitualmente o parto ocorre, com a mulher deitada, pernas nas perneiras, vagina voltada para cima, é a grande responsável pela incidência de episiotomias: deste jeito, ao defletir a cabeça, o bebê faz do queixinho uma lâmina atuando sobre a parede posterior da vagina...
Além desse fator, também a infusão de ocitócitos ou o incentivo a puxos longos, que aceleram a descida do feto pelo canal de parto, podem levar à necessidade de episiotomia.

A Perineologia ainda vai nos dar muitas explicações e dicas.

:::: Bartira ::::

Eu sei que choca, mas estou pra publicar uma foto de uma episio há algum tempo...


Pensei muito antes de publicar uma foto assim (recebi essa foto de uma participante de uma lista de discussão), mas acho que é importante que a gente veja a verdade, olhe bem pra cara dela!
É isso que é uma episiotomia...
É aí que se corta, é assim que se corta, as vezes de lado, da vagina meio que pra coxa, as vezes pra baixo, da vagina em direção ao ânus. Não dá aflição de ver?
Pra mim que passei por isso dói, dói de ver, de pensar, de lembrar...

Eu já ouvi mulheres dizendo que passaram pela episio facilmente, que doeu sim, um pouco, mas que era suportável, que não incomodou, que não fez mal nenhum. Foi uma longa discussão e não chegamos a conclusão nenhuma porque eu acho que a maioria das mulheres que sofrem uma episiotomia nem sabe direito o que é, não viu o corte, não viu os pontos, não ficou cicatriz feia (que bom, porque para outras tantas ficou sim!), por sorte não foi sofrível e, como consequência, não acha nada demais...
As vezes até sabem na teoria: "episiotomia é um corte feito na vagina para aumentar o canal de parto, proteger o períneo de lasceração e facilitar a passagem do bebê". Linda a definição que ouvi, mas nela mesma já está a semente do problema: fazer um corte desses com uma tesoura para evitar lasceração? E esse corte sozinho já não é pior que uma lasceração? Sim, porque na grande maioria dos partos normais onde não se faz a episio e há lasceração, ela não chega nem perto do que seria um corte desses feito propositalmente pelo médico para "proteção" (por algum acaso você se protege de um machucado no pé arrancando o pé fora?).

A episio, assim como as demais intervenções médicas no parto, não são más por si só, não são vilãs... Elas acabam sendo usadas generalizadamente, indiscriminadamente, por comodidade muitas vezes (porque aceleram o trabalho de parto e parto), sem que se avalie os prós e os contras, sem que haja real necessidade, real indicação, um propósito para aquilo... No caso específico da episio, esse não é um cortezinho de nada! É um corte numa região delicada, com uma musculatura poderosa, muitas terminações nervosas, vasos que trazem e levam sangue. Além de tudo isso, esse corte pode atrapalhar a vida sexual de uma mulher por algum tempo porque a cicatrização nem sempre é perfeita e mesmo que seja, depois da episio trocamos uma musculatura saudável e funcional por um tecido fibroso de cicatriz, rígido.

Bom, depois de tudo isso muitos dirão: "Ahhhhh, então é sério mesmo esse negócio de episio... Então, se não tem como escapar da episio porque quase todos os médicos aqui no Brasil a fazem rotineiramente nos partos normais, prefiro uma cesárea!"
Grande engano, queridos... Se um corte como a episio é um coisa séria e não deve ser feito sem real indicação (leia-se aqui "real indicação" como "sofrimento fetal"), cesárea é pior ainda! A cesárea é uma cirurgia de médio porte que inclui muito mais riscos de vida pra mãe e pro bebê a curto, médio e longo prazo (não vou entrar aqui na questão de que riscos são esses - se lhe interessar vá em http://www.partohumanizado.blogger.com.br/ e busque em Melhores Posts o que fala dos riscos da cesárea). Sem necessidade real, a cesárea é ainda pior, muito pior que a episio (nossa amiga Ciça aqui do Blog que o diga)...

O que fazer então? Basicamente, investir num parto normal verticalizado, sem anestesia (se possível), ou com anestesia (se necessário), com período expulsivo suave, com a saída da cabeça do bebê aparada... Antes disso ainda, preparar o períneo com exercícios que o fortalecerão (veja aqui ao lado na seção Leia mais artigos o item que fala dos exercícios para fortalecer o períneo). E por fim, mas que é ainda mais que fundamental que tudo na triste realidade da obstetrícia do nosso país: ter uma boa equipe humanizada para acompanhar a gestação, trabalho de parto e parto, porque sem isso é difícil mesmo ter um parto normal saudável e natural na nossa terra.

É isso! E não me peçam foto de cesárea...

:::: Bartira ::::

4° Relato: parto com episio e problemas na cicatrização, outro parto sem episio e à espera do 3°...


Autora: Pati da Austrália

"Eu tive minha 1ª filha no Brasil e claro que não escapei da episio!!!
O resultado da minha episio não foi dos melhores. Sem falar na dor que senti quando os estudantes estavam me suturando, acabei gritando prá eles me darem anestesia, na semana seguinte ao parto os pontos arrebentaram, infeccionaram ao ponto de eu ter que entrar no antibiotico. Após o tratamento, tudo melhorou. Me mudei prá Austrália e exatamente 1 ano depois, tive que ser admitida no hospital aqui prá retirada de um abcesso na bichinha por causa da episio. Desde entao, tudo está indo bem. Depois disso tive uma 2ª filha aqui na Austrália, muuito maior que a minha 1ª, mas sem a necessidade da episio, devo admitir que o parto foi muito mais longo, a criança foi muito maior, mas o pós-parto foi sem qualquer complicações. Acrescento também que a tive a minha 2ª filha sem qualquer tipo de anestesia, nem o gás que eles me ofereceram eu quis. Passei por momentos de dor que achei que não iria conseguir terminar, mas consegui e estou aqui pra contar a história agora com mais um na barriga, mas esse vai ser o último!!!"

:::: Bartira ::::

Médica defende parto sem corte cirúrgico na vagina


Por: AURELIANO BIANCARELLI da Folha de São Paulo
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u2481.shtml

Episiotomia é um corte cirúrgico feito na lateral da vagina, na hora do parto, supostamente para facilitar a passagem do bebê. O bisturi corta músculos, nervos e vasos da vulva e da vagina, que em seguida são costurados. Em geral, sem nenhuma anestesia.

A Organização Mundial da Saúde considera que em menos de 10% dos partos vaginais a episiotomia seria necessária. No Brasil e em toda a América Latina, ela é feita de rotina, na grande maioria dos nascimentos.

Na quinta à noite, dia 12 (Nota da Bart: essa entrevista foi feita em junho de 2003), na Câmara Municipal de São Paulo, a Rede pela Humanização do Parto e do Nascimento, Rehuna, lança uma campanha pela redução das episiotomias desnecessárias. No manhã seguinte, no Conselho Regional de Medicina, a campanha tenta convencer os médicos de que o procedimento só provoca dores, complicações para a saúde e danos para a vida sexual da mulher. "Os médicos fazem por desinformação, não por mal.

Acham que assim evitam o afrouxamento vaginal que o parto provocaria, o que não é verdade", diz Simone Diniz, doutora em medicina preventiva e membro da coordenação estadual da Rehuna.

A crença de que a vagina se alarga com a passagem do bebê e que o prazer sexual, especialmente do homem, dependeria de um orifício estreito, está arraigada entre leigos e médicos, afirma Diniz. Não por acaso, os pontos que o médico obstetra dá para fechar o corte da episiotomia é chamado de "ponto do marido".

Abaixo, trechos da entrevista concedida pela médica:

Folha - A episiotomia é utilizada desde o século 18 e ainda hoje ensinada nas escolas médicas e praticada em hospitais considerados de referência. Por que isso?

Simone Diniz - Hospitais maternidades como o Santa Marcelina e o Ipiranga, de São Paulo, dirigidos por médicos que defendem o parto humanizado e condenam a episiotomia, têm um índice de mais de 40% desse procedimento. A cada novo profissional que chega, há resistência, afirmam seus diretores. Em muitos hospitais públicos, a porcentagem de episiotomia chega a 90%. A prática só é pouco frequente nas maternidades privadas, e tão somente porque o número de cesáreas costuma ser muito alto.

No entanto, na medicina baseada em evidências, não há nada que comprove possíveis benefícios desse procedimento. A musculatura pélvica, tanto da vagina como do controle da bexiga, pode ser preservada e aperfeiçoada por meio de exercícios, sem auxílio de cirurgias. A episiotomia é necessária em raros casos, e mesmo nesses poderia ser resolvida com a mãe ficando em posição vertical.

Folha - A episiotomia tem custo?

Simone Diniz - Um estudo publicado em 2002 estimou em US$ 134 milhões as perdas hospitalares apenas com esse procedimento, sem falar nas suas consequências e frequentes complicações. E sem contar a dor intensa e o desrespeito aos direitos reprodutivos e sexuais femininos. A integridade corporal é um dos direitos humanos da mulher, que nesse caso é totalmente desrespeitado.

Da campanha que estamos lançando agora também participará a Rede Latino-Americana e do Caribe pela Humanização do Parto e do Nascimento. A América Latina é o continente que mais resiste a abolir essa prática. Nos EUA, onde se fazia a episiotomia em todos os partos vaginais, o índice já caiu para menos de 50%.

:::: Bartira ::::

3° Relato: cesárea e VBAC, mas ainda assim com episio...


Autora: Mônica Maia

"Meu nome é Mônica, tenho 34 anos e dois filhos. Meu primeiro filho nasceu de uma cesárea desnecessária. Após 12 horas de trabalho de parto, com bolsa íntegra, a médica disse que Mateus estava em sofrimento e precisava ser retirado do útero. Entrei em pânico e permiti a cesárea.
Meu segundo filho, Tomás, tinha indicações de cesárea mas eu insisti em parto normal. Só que o meu parto de normal não teve nada. Além da indução, fui deitada e cortada na vagina. Durante dois anos senti dor na relação sexual.
Eu odeio a episio.
Xô episio!!!!"


2° Relato: mais uma episio desnecessária em com seqüelas...


Autora: ANA PAULA (seu filho é o JOÃO GABRIEL)

"Aos 19 anos tive meu primeiro filho no dia 19 de janeiro, há exatamente 14 dias.
Entrei em trabalho de parto por volta das 3 horas sem dores fortes.
Às onze horas dei entrada na maternidade com contrações regulares de 5 minutos e quatro centímetros de dilatação. O obstetra de plantão, ao examinar-me, garantiu um parto fácil pois afirmou que minha bacia era boa e que não teria maiores problemas, embora o parto fosse demorar.
Às 13 horas as dores se intensificaram e fui para a sala de pré-parto. Em menos de dez minutos meu bebê começou a nascer e a auxiliar de enfermagem correu e chamou o médico que examinou-me novamente e viu que o bebê já estava aparecendo. Colocou-me, então, no soro e saiu correndo comigo para a sala de parto, junto com a pediatra e as enfermeiras que colocavam roupas apropriadas no caminho.
O parto foi imediato e a episiotomia, também. Acho que não tinha mesmo nenhuma necessidade do corte porque foi tão rápido, que na pressa de fazer o corte, o médico feriu-me e o bebê praticamente, escorregou de dentro de mim.
Na saída do hospital, sem prescrição de medicamentos, os pontos infeccionaram e tive que tomar antibióticos para combater a infecção. Agora, 14 dias depois do parto, estou aguardando a cicatrização da episio com a triste impressão de que vou ficar com uma horrível cicatriz no períneo.
E o que é pior, pela rapidez com que meu filho (liiiiindooo!) nasceu, era totalmente desnecessária.
Estou aqui para dar força para o blog e ajudar no que for preciso para que as colegas mamães novatas como eu, não passem por essa experiência num momento tão maravilhoso de nossas vidas.
com amor...
Em CRISTO."

:::: Bartira ::::

Episiotomia aumenta a risco de incontinência anal


Fonte: http://gineconews.org/jornal/2000/maio/maio2000_09.htm
By: Signorello L, Harlow B, Chekos A, Repke J. - In: BMJ 2000;320:86

Estudos epidemiológicos têm indicado que a incontinência anal depois de partos é mais comum do que o se presumia. Até 6 a 10% de todas as mulheres apresentam novos sintomas defecatórios no pós-parto e algo entre 13 e 20% apresentam perda de controle de flatos. Os números são ainda mais altos para aquelas com lacerações de terceiro ou quarto grau.

Apesar das alegações dos que preconizam episiotomia de rotina de que ela ajuda a evitar relaxamento do assoalho pélvico e trauma perineal, há evidências abundantes do contrário. Algumas evidências também sugerem que a episiotomia pode aumentar o risco de lesão de esfíncter, independentemente de sua associação com parto vaginal operatório.

Para determinar se as mulheres submetidas a episiotomia têm diferente risco de incontinência anal do que as mulheres a quem se permitiu a laceração espontânea no mesmo grau, investigadores conduziram um estudo em grupo retrospectivo para estimar o risco de incontinência anal entre uma grande amostra consecutiva de primíparas.

Todas as participantes foram retiradas de uma população de primíparas que tinham passado por parto vaginal simples a termo com apresentação de vértice no Brigham and Women's Hospital, EUA, entre agosto de 1996 e fevereiro de 1997. As mulheres foram divididas em 3 grupos: grupo da episiotomia; grupo da "laceração", compreendendo mulheres que tiveram laceração perineal espontânea de segundo, terceiro e quarto graus; e um grupo "intacto", compreendendo mulheres que não receberam episiotomia e apresentaram, no máximo, laceração perineal de primeiro grau.

As mulheres receberam questionários 6 meses após o parto solicitando informações sobre vários tópicos, inclusive problemas no momento com incontinência fecal ou de flatos (definidas como "evacuar ou eliminar gases quando não deseja"). Foi-lhes pedido para se recordarem de quaisquer problemas até 3 meses depois do parto. As pacientes com história de incontinência anal antes do parto foram excluídas da análise.

O peso médio das crianças no grupo da episiotomia foi significativamente mais alto do que nos 2 outros grupos (3487 g vs 3374 g no grupo laceração e 3340 g no grupo intacto; P < 0,01). A duração mediana da segunda fase do trabalho de parto foi mais longa no grupo da episiotomia (109 minutos vs 81 minutos e 57 minutos). Vinte e sete por cento dos partos no grupo da episiotomia envolveram parto vaginal operatório vs 17% no grupo da laceração e 3% no grupo intacto.

Depois do ajuste para idade materna, peso da criança ao nascer e duração da segunda fase do trabalho de parto, as mulheres que tinham uma episiotomia tinham mais probabilidade de apresentar incontinência anal que as mulheres que não passaram pelo procedimento. Comparadas às mulheres com períneo intacto, as proporções de chances para incontinência fecal com 3 e 6 meses nas mulheres com episiotomias foram de 5,5 e 3,7, respectivamente. Comparadas às mulheres com laceração espontânea, a episiotomia triplicou o risco de incontinência fecal aos 3 meses (OR, 3,2) e aos 6 meses (OR, 2,9) e dobrou o risco de incontinência para flatos com 3 e 6 meses depois do parto.

Para eliminar complicações do trabalho de parto e o uso de instrumental como fatores de confusão, os investigadores repetiram a análise, restringindo-a ao subgrupo de mulheres que tinham parto espontâneo não complicado e não instrumentado. Os resultados indicaram que o efeito da episiotomia não foram influenciados por sua associação com partos cirúrgicos complicados.

Comparar especificamente mulheres com episiotomia que não se estendia (incisão cirúrgica de segundo grau) com aquelas que tinham laceração espontânea de segundo grau resultou em triplicar o risco de incontinência fecal e duplicar o risco de incontinência para flatos após 3 meses do parto no grupo da episiotomia, embora este achado não fosse estatisticamente significativo.

Os autores concluem que a episiotomia na linha média não é eficiente em proteger o períneo e os esfíncteres anais durante o parto e é fator de risco para incontinência anal no pós-parto, independentemente de sua associação com o peso de nascimento da criança, da duração da segunda fase do trabalho de parto e das complicações do trabalho de parto. Mulheres que têm episiotomias parecem correr risco mais alto de incontinência anal do que as que tiveram lacerações espontâneas comparáveis.

:::: Bartira ::::

Algumas verdades sobre a Episiotomia


Fonte: http://www.cosmovisiones.com/primal/t_espisiotomia01.html/
Baseado em "Mitos de la Obstetricia versus Realidades de la Investigación", de Henci Goer (1997), traduzido para Espanhol por Waleska Porras e para Português por essa que vos fala.

Mito: Um corte perfeito e limpo é melhor que uma laceração.
Realidade: "Assim como qualquer procedimento cirúrgico, a episiotomia acarreta um sem número de riscos - excessiva perda de sangue, formação de hematomas e infecção... Não há nenhuma evidência de que a episiotomia rotineira reduza o risco de trauma perineal severo, melhore a recuperação perineal, previna o trauma fetal ou reduza o risco de incontinência urinária" (Sleep, Roberts e Chalmers 1989).

A episiotomia de rotina (ao contrário da episio por indicação específica, como por sofrimento fetal) é um exemplo perfeito de um procedimento obstétrico que persiste apesar da falta total de evidência a seu favor e uma quantidade considerável de evidências contra ele.

Existem alguns trabalhos científicos que defendem a prática da episio de rotina...
- DeLee (1920) foi o primeiro trabalho a defendê-la, mas este não produziu grandes efeitos.
- Em 1989 foi publicado um artigo na Williams Obstetrics onde os autores (Cunningham, MacDonald, y Grant) afirmam que as razões da popularidade da episio entre os obstetras é clara: substitui-se uma laceração rasgada por um corte cirúrgico nítido e perfeito (SIC!), sendo que o primeiro é mais fácil reparar.
- Outros autores em anos seguintes publicaram artigos defendendo a episio e falando de seus benefícios.

Numa área da medicina onde abundam paradoxos, contradições e inconsistências, a episiotomia está em primeiro lugar.
O maior argumento a favor da episio é que ela "protege o períneo de lesões", uma proteção que se obtem mediante o corte da pele perineal, assim como de tecidos e músculos conectivos. Os obstetras presumem que as lacerações espontâneas causam maior dano, mas agora que os pesquisadores têm observado, cada estudo tem encontrado que a lesões profundas são quase exclusivamente extensões (consequências) de episiotomias. Isto faz sentido porque, como todos que alguma vez já experimentaram rasgar uma tela, sabem, o material intacto é extremadamente resistente até que alguém faça o primeiro corte... Depois se rompe facilmente.

Ao prevenir o estiramento dos músculos do assoalho pélvico, presume-se que as episios também previnem o afrouxamento do assoalho pélvico. Este último causa insatisfação sexual depois do parto (e aqui a preocupação é com o parceiro, marido), incontinência urinária e prolapso uterino. No entando, mulheres observadas que recentemente se submeteram a cirugias reparadoras de períneo, todas haviam tido episiotomias "generosas". Em qualquer caso, a episio não é feita até que a cabeça do bebê esteja quase pronta para sair e quando se chega a esse momento, os músculos do assoalho pélvico já estão totalmente dilatados (por que cortar então?). Tampouco ninguém explicou como cortar um músculo e depois costurá-lo pode manter sua força!

É importante ressaltar que as complicações advindas de episiotomia podem ser graves, matam mulheres ou as deixam mutiladas. Ainda que sejam pouco comuns, representam uma contribuição substancial na mortalidade materna. Entre 1969 e 1976 causaram 27% (3/11) das mortes maternas no Condado Kern, California. Shy e Eschenbach (1979) relataram quatro casos complicados que levaram a morte de 3 mulheres no Condado King, Washington, entre 1969 e 1977 (20% dos índices de mortalidade materna nesses anos). A quarta mulher sobreviveu, perdendo a maior parte da vulva. Nove casos adicionais foram reportados, dos quais sete mulheres morreram e duas tiveran cirurgias extensivas e hospitalizações prolongadas. Já que todas estas fatalidades se apresentaram em mulheres saudáveis, que tiveram partos sem complicações, suas episiotomias literalmente as mataram!
Obviamente uma infecção podía começar de uma laceração reparada, mas grandes parte das mulheres que não têm episiotomias têm períneos intactos.

Apesar de duas décadas de evidência que demonstram o contrário, a maioria dos médicos e algumas parteiras ainda defendem o uso liberal da episio.

Mas, se a episio carece de fundamento científico, por que se mantem sua prática??? Como escreveu Robbie Davis-Floyd (1992), uma médica antropóloga, a episio se encaixa em crenças culturais subjacentes sobre as mulheres e o parto. Reforça as crenças sobre as deficiências inerentes à falta de confiança no corpo femenino e ao perigo que este representa para as mulheres e seus bebês. Assim, descreve DeLee (1920) que o parto é uma patologia e apresenta o modelo intervencionista para tratá-lo, como se trata uma doença - essa visão ainda se mantem na cabeça de muitos médicos e pessoas da sociedade.

Segundo Davis-Floyd, a episio cumpre outro propósito: transforma num evento cirúrgico o que seria um evento normal, até natural, o parto. O mesmo autor aponta que a episio, a destruição e reconstrução dos genitais femininos, permite aos homens controlar os "aspectos poderosamente sexuais, criativos e ameaçadores para os homens". Isto é o que se esconde atrás da ênfase que DeLee dá a restaurar cirurgicamente as "condições virginais".

Em resumo, a episiotomia rotineira tem uma função ritual, mas medicamente não cumpre a nenhum propósito. Se algum leitor ou leitora acredita no contrário, tente encontrar algum estudo confiavél realizado nos últimos 15 anos que prove as referidas crenças.

:::: Bartira ::::

Episiotomia baseada em Evidência Científica


In: http://www.porquesoumulher.blogger.com.br/
Autores: Paulo Nassar, Renato Augusto Sá & Laudelino Lopes



Existem benefícios na realização da episiotomia de rotina?
::Guia Clínico baseado em evidências científicas::

INTRODUÇÃO E CONCEITO

Entende-se por episiotomia a incisão cirúrgica do períneo feita por tesoura ou bisturi, durante o final da dilatação ou início do desprendimento fetal.
A episiotomia vem sendo utilizada no decorrer dos anos de forma corriqueira na obstetrícia, a ponto de se tornar um dos procedimentos cirúrgicos mais realizados no mundo. No entanto seu uso rotineiro carece de evidências realmente comprovadas, dando margem a um questionamento científico quanto a sua ampla utilização.

HISTÓRICO E PREVALÊNCIA

A primeira menção a episiotomia foi feita por Ould em 1741, descrevendo como um método de prevenção de lacerações severas a ser utilizado excepcionalmente. Sua popularidade, no entanto, só começou a aumentar na primeira metade do século passado após o início da hospitalização do parto e sua veemente defesa por dois expoentes da época: Pomeroy e De Lee.

Avaliando-se de forma retrospectiva o pensamento a cerca da episiotomia nos últimos 50 anos, no tratado de obstetrícia mais vendido dos Estados Unidos, o Williams Obstetrics, somente em 1993 encontra-se a primeira sinalização sobre a episiotomia, baseada em fatos científicos: "... em resumo, a episiotomia não deveria ser praticada de rotina".

Sua prevalência varia conforme a região do mundo estudada, estimando-se em 62.5% do total de partos nos Estados Unidos e cerca de 30% na Europa. Na América Latina, vem sendo historicamente utilizada como procedimento de rotina em toda primípara e nas parturientes com episiotomia prévia.

OBJETIVO

O objetivo deste guia é estabelecer uma conduta recomendável para a realização rotineira ou restrita da episiotomia na prática clínica diária, visando uma melhor assistência da paciente na sala de parto, bem como na avaliação de possíveis complicações futuras decorrentes da realização ou não da episiotomia. Procurou-se enfocar os argumentos mais comumente utilizados para justificar a realização habitual da episiotomia:

- Prevenção da asfixia neonatal;
- Prevenção de lacerações perineais brandas e severas;
- Necessidade de sutura para lacerações perineais;
- Cicatrização facilitada;
- Prevenção de incontinência urinária e distopias pélvicas

Este guia é destinado a todo profissional de saúde envolvido na atenção à parturiente, como médicos obstetras, residentes, médicos de família e enfermeiras obstetrizes em todos os níveis de assistência.

CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS

O levantamento bibliográfico deste guia incluiu revisões sistemáticas em estudos randomizados comparando o uso rotineiro da episiotomia versus seu uso restrito.A pesquisa foi realizada no banco de dados eletrônicos Medline, Lilacs e da Biblioteca Cochrane.

Seis estudos foram selecionados devido ao rigor científico dispensado a seleção das pacientes e acompanhamento das mesmas, reduzindo a possibilidade de viés: Harrison 1984; Sleep 1984; House 1986; Klein 1992; Belizan 1993; Eltorkey 1994.

RESULTADOS/EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS

Prevenção da asfixia neonatal
Suposto efeito adviria da redução do segundo período do parto, variando de 01 a 09 minutos entre os estudos. Não foi encontrado, no entanto, diferença significativa entre os índices de Apgar no 1º e 5º minutos, bem como na necessidade de cuidados intensivos ao recéns-nascidos dos dois grupos.

Prevenção de lacerações perineais, necessidade de sutura e cicatrização
O uso seletivo da episiotomia está relacionado com a diminuição do risco de lacerações no períneo posterior, necessidade de sutura e complicações de cicatrização até o 7º dia pós-parto.

Em relação ao traumatismo perineal severo (lacerações de 3º e 4ºgraus), dispareunia e dor perineal pós-parto, nenhuma diferença significativa foi encontrada entre os 02 grupos.

A única real evidência a favor do uso sistemático da episiotomia foi uma diminuição do risco de traumatismo perineal anterior. Cumpre-se lembrar que este tipo de laceração normalmente não necessita de sutura e são menos dolorosas que os traumas de períneo posterior.

Prevenção de incontinência urinária e distopias pélvicas
Nenhuma diferença significativa foi encontrada no seguimento em longo prazo dos 02 grupos estudados, no que diz respeito à integridade perineal ou incontinência urinária.

CONCLUSÕES

A resposta é clara. Não há evidência científica que corrobore o uso rotineiro da episiotomia, sendo recomendável o uso seletivo deste procedimento.

É importante ressaltar, que a episiotomia mantém seu espaço, estando indicada, a priori, em situações de exceção como: feto em apresentação pélvica; distocia de ombros; sofrimento fetal no 2º período de parto e ameaça de laceração de 3º grau. Uma vez indicada, não está ainda cientificamente claro qual o tipo de episiotomia a ser realizado, se a mediana ou a médio lateral. Enquanto se carece de evidências palpáveis a este respeito, sugere-se que o tipo de episiotomia seja determinado pela preferência individual do parteiro.

Uma questão que ainda não está totalmente estabelecida é qual a freqüência ideal do uso da episiotomia, como uma política de saúde. O Ministério da Saúde do Brasil, apesar de recomendar o seu uso seletivo, não determina a taxa ideal a ser atingida.Estima-se, por alguns autores, que uma freqüência ótima deveria situar-se entre 10 a 30 % do total de partos vaginais.

Além das vantagens proporcionadas as pacientes com o uso seletivo da episiotomia, outro fator que deve ser considerado é o alto custo quando se adota este procedimento como rotina. Levando-se em conta apenas o gasto com material utilizado.

Na reparação cirúrgica, estima-se que uma política de restrição do uso da episiotomia no Brasil poderia levar a uma economia de 15 a 30 milhões de dólares ao ano.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Banco de dados eletrônicos: Medline, Lilacs e da Biblioteca Cochrane - 2002.
Harrison R. F., Brennan M.. Is routine episiotomy necessary? Br Med J 1984; 288: 1971-1975.
Sleep J., Grant A., Gardia J. WestBerkshire perineal management trial. Br Med J 1984; 289: 587-570.
House M.J., Cario G. and Jones M. H. Episiotomy and the perineum: a random controlled trial. Journal of Obstetrics and Gynaecology 1986: 7.107-110.
Klein M. C., Gauhier R.J., Jorginsen S.H. et cols. Does episiotomy prevent perineal trauma and pelvic floor relaxation? On line J Curr Clin Trails (serial on line) 1992: Jul 1: 1992 (Doc nº 10).
Argentine Episiotomy Trial Collaborative Group, Routine vs. selective episiotomy: a randomized controlled trial. Lancet 1993: 342: 1517-1518.
Eltorkey M. M., AlNuaim M. A., Kurdi A.M., Sabagh T. O. and Clarke F. Episiotomy, elective or selective: a report of a random allocation trial, Journal of Obstetrics and Gynaecology 1994: 14, 317-320.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Área Técnica de Saúde da Mulher. Parto aborto e puerpério: assistências humanizadas à mulher, 2001.

:::: Bartira ::::

Pequena grande crônica sobre o "defeito" da mulher...


Autora: AnaCris Duarte

De: Anjo Gabriel
Para: O Senhor
Data: 1.000.000 anos a.C.
Ref.: Defeito de Fabricação

Prezado Senhor,
Venho comunicar um problema detectado em nosso controle de qualidade, com o produto "Mulher, versão 5.0". Na saída do aparelho reprodutor, conhecida por "Fenda Final" ou por "vagina", como apelidaram os engraçadinhos da produção, está faltando uma abertura maior para a passagem do outro produto, "Bebê, versão 4.3". Peço retificação do modelo piloto.
Atenciosamente,
Anjo Gabriel
Dpto. Qualidade do Produto
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De: O Senhor
Para: Anjo Gabriel
Data: 999.999 anos a.C.
Ref.: Sua queixa

Prezado Gabriel,
Referente à sua queixa, peço desculpas pela demora, mas estive ocupado criando outros produtos, que serão fundamentais para a vida na Terra. Conversando com o projetista, ele me explicou que o material da "Fenda Final" é altamente elástico e pode perfeitamente se adaptar ao diâmetro do produto "Bebê", que aliás já está na versão 5.0, por favor atualize seu cadastro. Ele me garantiu que não há necessidade de modificações.
Cordialmente,
O Senhor
Diretoria
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De: Anjo Gabriel
Para: O Senhor
Data: 999.999 anos a.C.
Ref.: Novo Defeito

Prezado Senhor,
Essa semana tivemos um problema no setor de Testes, quando um funcionário mais, digamos, criativo, experimentou novas técnicas com o produto "Mulher", colocando-a deitada de lado, com alguns químicos na circulação, como ocito-qualquer-coisa, depois colocando-a deitada de costas, com os apêndices terminais (eles chamam de pernas, não sei de onde tiraram esse nome). Teve um funcionário mais fortinho, o Kristeller, que aplicou uma força sobre o abdômen, e o produto "Bebê, já na versão 5.0" foi ejetado com uma força impressionante. O problema é que a "Fenda Final" se rasgou de maneira impressionante, chegando a danificar o "Orifício Proibido". Sugiro reavaliar rapidamente a possibilidade de uma abertura extra, talvez com velcro ou ziper, na lateral direita da Fenda Final.
Atenciosamente,
A.G.
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De: O Senhor
Para: Anjo Gabriel
Data: 999.999 anos a.C.
Ref.: Reavaliação?

Prezado Gabriel,
Não vou reavaliar coisa alguma! O departamento de testes jamais poderia ter inventado esse tipo de manobra para tentar provar que nossos projetistas são incompetentes. O produto foi criado para produzir "Bebê 5.0" sem ajuda, sem força, sem químicos, sem funcionários gordinhos pulando sobre suas partes! Favor demitir o chefe do departamento, junto com o funcionário Kristeller.
E de agora em diante, não me inventem mais esses "Testes Criativos"! Isso se chamará, de agora em diante, "Manejo Ativo do Parto" e será punido com demissão sumária.
O Senhor
Diretoria
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De: Anjo Gabriel
Para: O Senhor
Data: 999.999 anos a.C.
Ref.: Novos Funcionários

Prezado Senhor,
Tomadas as providências solicitadas, abrimos a vaga de chefe no departemento de Testes e estamos aqui em fase de treinamento. O departamento de RH colocou um novo chefe se chama "Obs Tetra de Bisturi", tem 45 anos e é muito sedutor, especialmente com as funcionárias! Ele disse que tem ótimas idéias para implementar o produto "Mulheres 5.0". Hoje mesmo ele disse que vai bolar um novo acessório para o produto, que se chamará "Episio-qualquer-coisa", desculpe, o nome é difícil. Ele disse que o acessório tornará o produto "Mulher 5.0" mais desejável, mais bonito, mas moderno, e utilizável por muito mais tempo. Vou ser honesto, Senhor, eu não estou gostando desse sujeito.
Atenciosamente,
A.G.

:::: Bartira ::::

1° Relato: Uma chaga em minha flor


Autora: Nalu

Foi um belo tempo de preparação para que meu filhote querido viesse ao mundo. Preparação desde o meu sempre, eu acho. Mesmo quando proclamava marota aos quatro ventos, no auge da rebeldia, não querer ter filhos. Mas alguma coisa em mim, talvez o mais puro e simples instinto de perpetuação da espécie se rebelava contra isso e ia calmamente preparando o ninho. Veio a gravidez, esperada, planejada, festejada, celebrada. Lembro de me sentir literalmente mais poderosa no seu início. E junto a este estado mágico veio a necessidade de informação. Saia-se em busca da danada da informação! Dá-lhe neocórtex funcionando! E nas milhares de letras lidas com sofreguidão, uma palavra saltou aos olhos: episiotomia.

Só de ter esse sufixo "tomia" já deveria ser algo no mínimo sangrento, penso eu. Mas se eu estou grávida porque e quando quis, se sou saudável, embora meio fofa, sou de um tamanho adequado penso eu, sou normal, esse bichinho não tem porque me pegar. Mas a danada da palavra continuava lá, nas coisas que eu devorava sobre parto.

Mas eu não ia precisar. Por que iria? Aí começo a ver que esse troço, essa danada dessa coisa de nome feio é praticada como rotina. Então sigo eu catando um médico que não a faça dessa forma. Rotina, meu Deus, cortar as flores das mulheres? Não posso evitar de pensar que se fossem os homens ameaçados de ter seu falo talhado da mesma maneira, certamente já teria sido inventado, repensado, repisado um novo método. Não deu para não ser sexista, me desculpem.

Então quer dizer que eu poderia virar uma espécie de eunuco de saias? Era o que no meu assombro eu pensava....Credo, mas comigo não vai acontecer, eu estou seguindo o manual, até um médico diferente, com taxa de episio abaixo de 20% eu tenho. Vai dar certo, não precisarei disso.

Mas a danada da palavra, lá, me rondando feito um carcará a procura de carne. Ensangüentada nesse caso. Até uma consulta só com esse tema em pauta eu marquei. - Não, episiotomia só quando é realmente necessária!

Tranqüila. Mas eu acho que gostei muito de estar grávida. Gostei demais, perigosamente. Afinal, eu tinha me tornado tão especial de repente! Tratada com tanta deferência, tantos mimos...Os meses e a barriga passando, eu acho que fui me recolhendo, trancando meu corpo. Aí veio outra palavra feia me assombrar esse período: pré-eclâmpsia. Pressão alta, perda de proteína pela urina. E outra palavra feia atrás dessa: cesárea.

Feia para mim, que hoje compreendo mais porque quis tanto um parto normal. Acho que para realizar o que minha mãe não conseguiu no meu nascimento, (desconfio que ela também não queria me parir) precisou dessa cirurgia e ficou em coma, só pude conhecê-la com quinze dias. Essa impressão ficou gravada em mim. Quase ninguém entendia porque eu queria tanto um parto normal.

Mas além de transcender a minha mãe, acho que não queria acabar em coma também. Não sei se estou sendo clara o suficiente, eu teoricamente não tenho nada contra cesárea, não acho o fim do mundo, mas comigo aconteceu alguma coisa além do racional e eu me recusava a passar por isso.

Aí, com essa tal de pré-eclâmpsia me assombrando trazendo no rastro uma cesárea, eu me apavorei. E quis entrar logo em trabalho de parto. Fiz das tripas coração para conseguir. Por meios naturais. Nunca andei tanto em toda minha vida. Nunca dancei tanto.

E entrei em trabalho de parto. Contrações regulares, vamos ao hospital, outra palavra feia. Chegando, Oito horas da manhã, 4-5 cm de dilatação. Dores suportáveis, mas medo do dia acabar e eu não estar mais grávida. Claro que não era o que eu pensava na hora, só agora sei disso.

Uma hora da tarde, 7-8 de dilatação. Muito tempo. Vamos romper a bolsa. Eu, que não estava inteira ali, que já tinha virado paciente, assenti. Bolsa rompida. Quarenta minutos. Dor insuportável. Analgesia. Aqui foi como se eu declarasse minha completa incompetência de fazer o que bilhhões e bilhões de mulheres já tinham conseguido. Anestesia. Mas não o suficiente para perder a força nas pernas. Em algum lugar ao longe, eu escuto: "posição occipito sacra". Tem que virar. Três horas fazendo força, agachada. Nada.
Ele quase vinha mas voltava. Como eu, que queria vê-lo nascer, mas não queria abandonar o status de grávida.
Não queria deixar de ser a Cinderela grávida e passar a ser a borralheira no puerpério.

Mas afinal, já havia me transformado em paciente, precisava de algum recurso salvador. E não era hora do meu corpo ainda. Eu estava em ambiente hostil, eu estava procriando em cativeiro. Em algum outro lugar longínquo, ouço "Nalu, deitar e episiotomia". Protesto, nãaaaaaaaaao, sacudo a cabeça, esperneio. Episiotomia.
Ei-la com seu foice e sua capa negra me esperando. Nãaaaaaaaao!

Batimentos cardíacos da minha cria auscultados: Estão caindo... Está virado, precisa mais espaço para passar. Minha cria também sabia que estava indo para um ambiente hostil e protestava do seu jeito. Batimentos caindo. Mil olhares fixos em mim e no médico. Não vai fazer nada, doutor? Aí o talho. Não adianta, nem aberta à força eu e minha cria queremos nos separar, mas precisamos e sabemos disso. Depois fórceps. Aí ele vem ao mundo, assustado, olhos muito arregalados, choro forte. E o tiram de mim. Trazem depois que ele foi limpo, examinado, cheirado por outra que não eu, revirado do avesso. E comungamos nesse momento.

E depois? Depois muita dor, a sensação de que minha flor não serviu para que o meu filho passasse. Nem vai servir para o amor, de tanto que dói, e dói a alma junto. E não tiro outra palavra feia da cabeça. Mutilada. Corpo e alma. E uma cicatriz que se recusava a fechar. E quando se fechou o fez em demasia. Mas só fechou, não cicatrizou ainda. Está no seu passo, no meu passo.

Eu deveria ter entendido que meu passo é mais lento, que nunca serviria para estar de acordo com horários e procedimentos hospitalares, com doses prontas de anestesia, de remédios. Mas ficou a grande lição: se eu não confiar em meu corpo, se eu não conseguir me conectar com meu timming interno, sempre serei paciente. Sempre precisarei de uma mão salvadora para me resgatar de mim mesma.
Acho que estou aprendendo. Mas a minha filha só vai vir se eu estiver mais conectada comigo.

:::: Bartira ::::

Há razões para não querer uma episiotomia? SIM!


Fonte: baseado em http://www.infonet.com.br/meubebe/parto03.htm

Um estudo canadense publicado em Abril de 2000 mostrou que mulheres que não tiveram uma episiotomia recuperaram-se tão bem como as que tiveram uma.
E melhor, o número de mulheres com demora no fechamento das cicatrizes do parto é quatro vezes maior entre as mulheres com episiotomia do que sem.
O estudo também mostrou que não há maior incidência de incontinência urinária entre as mulheres que não tiveram uma episiotomia como acreditava-se anteriormente. E também que mulheres sem essa incisão, tiveram menos dor na região vaginal depois do parto.
Converse com o seu médico sobre os prós e contras. E exponha a sua vontade.

Ter uma episiotomia pode afetar a vida sexual?
A episiotomia deve estar completamente curada por volta de quatro ou seis semanas. Os médicos dizem que período você não deve estar sentindo nenhuma dor, mas é comum que muitas mulheres ainda sintam dor mesmo passado muito tempo depois do período necessário para a cicatrização. Isso acontece porque na região do corte se desenvolve um tecido de cicatrização que é diferente do tecido original: TROCAMOS UM TECIDO MUSCULAR ÍNTEGRO POR UMA FIBROSE (um tecido de cicatrização, algumas vezes irregular, endurecido).
Faça uma consulta com seu ginecologista para certificar-se de que tudo está normal.
Então você pode voltar a ter relações sexuais. No começo, um certo desconforto pode ser sentido mas é muito normal ter um pouco de preocupação e medo de ter dor.
Tente relaxar o máximo possível... Por exemplo: tome um copo de vinho com seu companheiro, um banho quente e relaxe... Invistam tempo e atenção nas carícias preliminares... Deixe tempo à vontade para elas. Tente adotar uma posição que lhe deixe confortável, que não force a área do corte. Deitar-se lado-a-lado também pode ser confortável. Se possível, use um lubrificante nas primeiras vezes ou até por mais tempo... E tenham paciência.
Exercite sua musculatura do períneo, contraindo-a e relaxando-a várias vezes ao dia (como se estivesse segurando/prendendo o xixi). E use óleo de semente de uva para massagear o períneo levemente...

:::: Bartira ::::

Outubro 14, 2005

Como protegê-la...


Que a episiotomia de rotina é um mal todos nós sabemos e que ela pode ser evitada, também. Mas como? A proteção do períneo não requer pós-graduação, mestrado, doutorado ou PhD, basta um pouco de técnica, experiência e conhecimento no assunto por parte do médico (ou do profissional que estiver acompanhando o parto). Uma pequena "toalha" morna e pressão/proteção no lugar certo podem evitar esse mal. A posição adotada também é um fator determinante. Quanto mais verticalizada a mulher, melhor, pois a força da gravidade é muito mais eficiente e menos danosa que Manobra de Kristeller (= empurrão na parte superior da barriga feito pelos médicos quando a mulher está parindo deitada e que apressa a saída do bebê do canal de parto e aumenta muito a chance de laceração grave do períneo).

Na foto ao lado vemos a cabeça do bebê já quase em expulsão. O trabalho de proteção começa aqui. A cabeça, com uma das mão é "liberada", e com a outra mão o períneo é protegido com o auxílio da compressa morna. Essa é a fase onde o períneo está completamente estendido e a parturiente não necessita mais fazer uma força muito grande. Nos hospitais brasileiros é aqui que entra a episiotomia, em geral ao centro, onde se encontra a linha vermelha.

Fonte de pesquisa:
http://www.singer.ch/geburt.htm

(Texto originalmente escrito pela CIÇA!)

:::: Bartira ::::

DOUTOR, NÃO CORTE ESTA VAGINA!
Fonte: Mundo Foderoso - Arquivo de Junho de 2003
Autor: Vincent Vega

Calma, calma... o assunto que eu vou tratar é sério e não se trata de nenhuma sacanagem: Episiotomia. Pra você ter uma idéia, esse termo médico nem consta no dicionário Aurélio, e só fui achá-lo em sites específicos que tratam sobre gravidez. E peço novamente calma pois não serei papai tão cedo.

Bom, a episiotomia nada mais é do que "um corte cirúrgico feito na lateral da vagina, na hora do parto, supostamente para facilitar a passagem do bebê. O bisturi corta músculos, nervos e vasos da vulva e da vagina, que em seguida são costurados". (Folha)

Na primeira vez que eu soube desse "talho na periquita" fiquei horrorizado. Em primeiro lugar, não conseguia entender tamanha violência, já que sendo um parto natural, nenhuma cirurgia precisaria ser feita. E depois, ainda ficava imaginando o visual do local com um rasgo cirúrgico...

Eu sei que na hora do parto existe uma dilatação natural da vagina, que permite a passagem do bebê. E de acordo com relatos coletados em conversas informais, sei que os partos naturais ocorrem de maneira diferente de mulher pra mulher. Algumas não sentem dor nenhuma, e o bebê quase que sai escorregando de lá de dentro. Outras sofrem muito, sentem dores e não conseguem uma dilatação ideal.

Se aproveitando desse desconforto, a medicina moderna implantou um conceito de que gravidez não precisa ser um sofrimento, e uma intervenção cirúrgica é a solução para todos os problemas da gestante. A cesariana começou a ser utilizada em larga escala, promovendo um grande lucro para hospitais e médicos. E buscando um "aperfeiçoamento" do parto natural tornou-se normal realizar a tal episiotomia.

O tal rasgo cirúrgico prometeria evitar o rasgamento irregular da vagina durante a passagem do bebê, e ainda seria usado para não "afrouxar" a periquita.

Mesmo lendo tudo isso ainda continuo horrorizado com o método sanguinolento utilizado pela medicina. Ao analisar os dois métodos, a sensação que fica é que os doutores não conseguem conter o ímpeto de seus bisturis. E implantam um pensamento de que um parto é coisa pra profissional, ignorando que uma boa parte da população pobre deste país trazem seus filhos ao mundo pelas mãos de parteiras, que atendem em casa.

Isto é só um aspecto a ser analisado sobre o assunto. Eu nem sequer analisei o parto do ponto de vista do bebê, que deve sair de lá de dentro traumatizado com tamanha violência com que é expelido do ventre materno.

E eu aqui achando que aqueles partos aquáticos seriam os mais adequados...

:::: Bartira ::::

- Episiotomia? ARRHHGG... Deus me livre, ainda bem que fiz cesária!!

Quantas vezes já não ouvimos, pelo menos nós aqui, uma frase como essa?? O grande problema: parto normal NÃO significa episiotomia. É um grande equivoco pensar nos dois como um casal inseparável. Difícil entender? Olhando a obstetrícia brasileira não. Como fazer médicos e até você, caro navegante em busca de informação, entender que a equação

parto normal + episiotomia = períneo preservado

é um grande equivoco? Como disse uma colega: um corte para evitar outro pior (!?)

Vamos dar uma olhadinha rapidola em um países como a Alemanha, onde o parto é considerado uma função fisiológica NORMAL e NATURAL. A episiotomia não chega a 15% em hospitais de grande porte, com maior atendimento a grávida de risco. "A episiotomia é um procedimento agressivo...", falou-me certa vez Cloudine (espera, tenho de copiar o sobre nome dela) Matysiak "... e existem casos específicos para ser usada. O procedimento mais comum é anestesiar o local e deixar a natureza agir". Eu sei... Eu sei... Eu sei... Eu também fiz essa mesma cara de "Ai meu DEEEEus do céu" apavorada como alguns de vocês estão fazendo agora. Porém, hoje, depois de muito pesquisar, ler e ouvir relatos, percebo o quanto essa atitude é correta.

Sei que é complicado comparar um país de primeiro mundo (!?) com o Brasil. Mas não é de se fazer pensar como eles conseguem e nós não? O que eles tem que nós não temos? Prática, conhecimento, respeito à mulher e um comportamento não intervencionista?? Tudo isso podemos conquistar, médicos podem assimilar e nós, mulheres, cobrar. Sim meus amores, eu também, por diversas vezes deixei de questionar tais procedimentos, pois o "Deus" médico estudou anos e anos para isso e deve saber o que faz. Mas será que ele estudou certo?

(Texto originalmente escrito pela CIÇA!)

:::: Bartira ::::

E afinal, quando é que tem que fazer episiotomia???


Estive batendo um papo com o Ric (Ricardo Jones - Ginecologista e Obstetra) que participa da lista de discussões Parto Nosso, é membro da REHUNA (REde pela HUmanização do NAscimento) e um dos médicos humanizados que indicamos no blog Parto Humanizado quando alguém de PoA pede indicação de profissional... Achei legal as coisas que ele me falou e por isso tô postando cópia do papo aqui! Será útil, estou certa disso!!!

EU: Qual é realmente o momento e a necessidade de se fazer uma episio?
RIC: Quando há sofrimento fetal.

EU: E isso de que quando o bebê é muito grande se deve fazer para não ter laceração muito grave?
RIC: Isso não é indicação. Já tive casos de paciente com bebê de 5, 350 que não lacerou nada.
A justificativa para episiotomia é um períneo muito rígido, o bebê demora para nascer e entra em sofrimento fetal.

EU: Então a chance de ter aqueles rompimentos sérios em direção ao ânus é mínima? Se for mínima essa chance, posso dizer que isso ocorre nos casos de parto verticalizado somente ou nos posso dizer a mesma coisa para partos horizontalizados tb?
RIC: A chance de lacerações graves é muito maior quando se usa episiotomia e e no parto horizontal as chances de ruptura perineal aumentam, com ou sem episiotomia (isso ocorre devido ao fato de que o períneo é muito mais forçado quando o aprto é deitado)

EU: Como é que o médico sabe se o bebê está em sofrimento fetal quando já está no canal do parto, quase saindo, já no expulsivo? Dá pra acompanhar o batimento cardíaco nesse momento?
RIC: Dá para acompanhar sempre, até no momento do expulsivo. Mas, note, neste momento, pela compressão da cabeça fetal, o batimento sempre cai um pouco.

E o que há de errado na tal EPISIO??? O que de errado realmente acontece em ser fazer uma episio é uma pergunta relativamenre simples de responder: a episiotomia é um intervenção no parto normal que somente deve ser feita no caso de real indicação (LEIA-SE: sofrimento fetal) e não rotineiramente, como tem sido feita no Brasil, daí qualquer vez que a episio tenha sido feita sem que haja sofrimento fetal, ela já está errada.

Fui!

:::: Bartira ::::

Sábado, 1º de maio de 1993... 9:45 da manhã, nasce Johan Guilherme, parto normal, como queria a mãe (mesmo ela tendo gritado com o médico para operá-la poucos minutos antes), sem anestesia, vertical, com episiotomia. Na cabeça de nossa primicia, então com 20 anos, episiotomia era... Era o que mesmo?? Sei lá... Lembrei de uma tia justificando as dela com um "Toda mulher TEM de ser cortada quando vai ter bebê". Fiquei quieta... Já tinham cortado mesmo... Fazer o que? Alguns (muitos) minutos depois vai-se pro quarto... Aquela felicidade: primeiro filho, primeiro neto, primeiro sobrinho, primeiro sobrinho-neto, primeiro afilhado... Se lembraram de mim? Claro... Depois de ter marcado bem o rostinho do bebê, coisa de 3 horas. Recuperação: perfeita... Em poucas horas estava amamentando com as pernas uma em cima da outra. Sem problema. "E aí Ciça, tudo bem no parto?". "O parto foi ótimo. Doeu, mas não deu pra matar... Mas esses cortes aqui em baixo... Putz".

10 anos se passaram (favor não fazer as contas) e novamente estamos em uma sala de parto. Desta vez cesária. "EU, me rasgar toda de novo? Nem pensar." E lá vamos nós... Anestesia, brincadeirinhas com a equipe, deita, corta, tira o menino e.... "Nasceu". Parabéns. Costura, vai embora... Já nasceu?? Tem certeza?? Cadê o choro, as lágrimas, o coração batendo forte... Cadê a emoção de colocar meu filho no mundo??
- Benzinho, você não pode ter tudo...
- Poxa, eu queria escapar da episiotomia e acabei perdendo a emoção de parir meu filho!!!
- Pois é, como eu disse: não se pode ter tudo. Mas por que vc não pediu um parto sem episio??
- Ha ha ha... Tá fazendo graça com a minha cara é? Desde quando existe parto sem episio??
- Desde sempre.
- Ah tá... Só se for aqui.
- Aqui e em qualquer parte do mundo. Ou o períneo da brasileira é de papel??

E assim, tudo começou. Por que fizeram episio em mim? Por que insistem em fazer essa cirurgia, comprovadamente, descaradamente desnecessária? A resposta é uma só: mecanização. Transformaram o parto em um processo mecânico com manual a ser seguido.
- 23h - começa o trabalho de parto
- 02h - dois centímetros de dilatação... Vai deitar e dormir
- 08h - cinco cetímetros? É convênio ou SUS?
- 09h - ainda cinco centímetros? Não evoluiu, vou te colocar no soro... Se não cesária. Chama a "dotora" fulana.
- 10h - ah "dotora", precisa mais não... Ela tava com cinco centímetros "desdas" 8 da manhã, mas agora já evoluiu.
- 11h - dez centimetros... Nignuém estourou a bolsa dessa mulher ainda?? Ah, por isso essa a demora.
- 11:20 - tá coroando, faz força. Tá vindo... Faz força. Já tô vendo... Pera, pera,pera... Esqueci da episio. Pra que "dotô"? Não tá indo tão bem? Fica quieta, não discute. Eu estudei anos e anos pra isso, li o manual todinho umas 30 vezes, e lá tá dizendo pra fazer episiotomia. Pronto, agora, sim... faz força.
- 11:40 - Nasceu!!!!

A pergunta que fica no ar é: que raio de manual é esse?? Onde está escrito que TEM de fazer episiotomia em TODA parturiente, em TODOS os casos?? Enquanto não se acha a resposta, muitas de nós, por desinformação ou por azar de ter caído nas mãos de um mecânico, somos mutiladas a cada dia. Sei que a palavra e forte... É para ser... Para que se tome consciência dessa atrocidade. "Não é tão ruim assim... eu me recuperei bem...".
E por que você se jogou da ponte e não morreu, vai se jogar de novo, ou vai deixar outro se jogar??

Informe-se, colabore, dê seu depoimento, pergunte... estamos aqui para tentar ajudar!!!

P.S: O sistema de comentários mudou, mas copiei os do antigo todos aqui!!!

(Texto originalmente escrito pela CIÇA!)

:::: Bartira ::::

Como se dá a "DIGESTÃO" de uma episotomia feita sem necessidade???


Eu me considero um exemplo de como é importante falar sobre essas dores de parto e suas consequências...

Eu pari a Aninha de parto normal, na época não participava de lista alguma, só sabia que não queria uma cesárea desnecessária e era disso que eu fugia...

Catei o Amigas do parto e lá conversei algumas vezes com a Adriana Tanese. Liguei pra Fadynha e tentei fazer o curso dela, mas não tive $$$, consegui com ela a indicação do Dr. Mário Guilherme Fonseca. Por isso consegui um parto normal.

Não sabia nada de episio, anestesia, cócoras, nada de teoria! Sabia que queria parir a Aninha pelo buraco do meu corpo que foi feito tb pra isso e não pela barriga. Nesses termos!

Pari deitada e passei pela episio.

Fiquei meses sem conseguir transar e sei que apesar das coisas hormonais e tudo o mais que diminuem a libido da mulher, a episio foi PARA MIM, o 1° motivo preu não querer transar.

Tem quase dois anos que a Aninha nasceu! Quando ela estava com 1 ano e 7 meses resolvi voltar a ler sobre parto e então entender como foi o parto dela!

Comecei a ler sobre episio, anestesia, parto humanizado, entrei pras listas, leio e leio e leio. Sou uma viciada neste assunto e divulgadora de tudo que acho correto!

Somente nesse momento consegui falar com alguém, as listas, do quanto a episio me dóia (além de falar, encontrei algum apoio e respostas, dicas e comentários de mulheres como eu - vi que não era a única "estragada e frígida" - sim, era assim que eu me via!)!... Ela foi feita sem minha aprovação, mas na época tb eu não sabia muito para aprovar nada... Doía muito e algumas vezes transei com meu marido com dor mesmo somente para não deixá-lo triste com tamanho desinteresse sexual meu...

Eu o amo, sempre amei, e nunca quiz vê-lo se sentindo o pior dos homens, não desejado (sim, para eles isso é FUNDAMENTAL!)... Sei que ele só ama a mim e durante esses quase dois anos de jejum sexual (transamos 1 ou 2 vezes por mês nesses 2 anos), ele nunca nem tentou ficar com outra mulher... Algumas vezes ele chorava e me perguntava por que eu não o amava mais, não me interessava mais por ele, por que ele não me dava mais tesão como antes... Mas com ele, não adiantava falar sobre nada do parto porque ele não entendia (agora já presta mais atenção nisso tudo!) das "desnecessidades" e "atrocidades" que são feitas no parto no nosso país... Nem muito menos ele entende/sente de um assunto e sentimento tão DA MULHER!

Enfim, comecei a falar e escutar, ver que não era a única...

Meu ginecologista/obstetra já tinha me dito nisso numa das váááááárias consultas psicológicas com ele! Sim, eu cheguei a marcar consulta com ele para ver o que havia de errado comigo, e se havia algum remédio preu tomar e aumentar minha libido, me sentia frígida! Ele dizia "Não há remédio para isso, 99% das mulheres que parem sentem isso. Se vc e seu marido se amam, darão um jeito de melhorar com muito carinho e paciência... Só esse é o remédio. O corpo e a vida da mulher e do casal mudam drasticamente... Vcs terão que reaprender a amar e fazer sexo juntos, com todas as coisas novas da vida de vcs".

Depois de ver depoimentos e falar tudo que eu precisava falar (as vezes eu lia minhas msgs e me assustava até com o que eu mesma havia dito!), comecei a conversar com meu marido, mostrar a ele o que eu lia pra ele ver que não era desamor, desiteresse por ele, que eu o amava, mas meu corpo ainda estava agindo estranhamente, que eu mesma não o entendia, mas que estava lutando, lendo, procurando respostas para que ele, meu corpo, voltasse a funcionar, jamais igual a antes, mas de um novo jeito, porque depois de parir, eu era mesmo uma outra mulher... Ele começou a entender, me ouvir e me ajudar...

Precisava do carinho dele e da atenção para voltar a sentir tesão e prazer...

Hoje em dia nossa vida sexual está voltando ao normal!!! Depois de meses e meses de "sexo mensal", conseguimos transar com beeeem mais frequência, tenho orgamos todas as vezes que transamos, não tenho mais vergonha do meu corpo de Mãe, das estrias, celulites e pequenos vasinhos que apareceram, meu seio que tem bico invertido não é mais motivo de vergonha (por muito tempo desde os problemas com amamentação fiquei com vergonha até disso!), etc. Nossa alma e corpo femininos não são fáceis de compreender muitas vezes e tem facetas que nem nós sabemos!!!

Falar sobre os problemas ao meu ver não é remoê-los intencionalmente para sofrer... Não é masoquismo, mas DIGESTÃO do problema! Uma vez diregido, ele segue o caminho dele e nos deixa mais leves, mas bem resolvidas, mais felizes e prontas pro próximo!

Pensem nisso!!!

:::: Bartira ::::

Porque uma campanha pelo fim da episiotomia de rotina?


Por: Simone Diniz - Rehuna/SP
Fonte: Fique Amiga Dela

A episiotomia é o corte do períneo (região entre a abertura da vagina e o ânus), feito na parturiente, momentos antes do nascimento do bebê.

Episotomia de rotina é o uso indiscriminado do procedimento, como uma regra para todos os partos normais (vaginais).

Desde a década de 80 temos suficientes evidências científicas de que essa cirurgia de rotina (corte da vulva e da vagina) não traz benefícios para a mulher, mas sim causa inúmeros problemas de saúde sexual e reprodutiva. As demais regiões do mundo já reduziram suas taxas de episiotomia a níveis aceitáveis, enquanto na nossa região a resistência à mudança é enorme.

Se for considerado que, de acordo com evidências científicas, a episiotomia tem indicação de ser usada em cerca de 10% a 15% dos casos e ela é praticada em mais de 90% dos partos hospitalares na América Latina, pode-se entender que anualmente milhões de mulheres têm sua vulva e vagina cortadas e costuradas sem qualquer indicação médica. Um estudo mostrou que o uso rotineiro e desnecessário da episiotomia na América Latina desperdiça cerca de US$ 134 milhões só com o procedimento, sem contar as despesas com as freqüentes complicações (Fonte: Tomasso et al., 2002).

Pode-se calcular o desperdício daquilo que é quantificável, como litros de sangue, dias de incapacidade, prejuízos na amamentação, material cirúrgico ou simplesmente dinheiro público, nesses milhões de episiotomias inúteis realizadas anualmente. Há ainda o imponderável sofrimento físico e emocional da mulher - além da mensagem de que seu corpo é defeituoso e de que ela será sexualmente desprezível se não se submeter a esse ritual, que supostamente lhe devolverá a 'condição virginal'.

O abuso das episiotomias

Uma vez que os procedimentos do chamado 'parto típico' (isolamento, soro com hormônio, jejum, episiotomia etc.) são aceitos pelo senso comum como 'adequados', tanto os profissionais que os infligem quanto as mulheres que os sofrem tendem a percebê-los como um mal necessário.

O uso indevido da episiotomia e da posterior costura (episiorrafia) é um exemplo de violação do direito humano de estar livre de tratamentos cruéis, humilhantes e degradantes. A episiotomia tem sido indicada para facilitar a saída do bebê, prevenir a ruptura do períneo e o suposto afrouxamento vaginal provocado na passagem do feto pelos genitais no parto normal.

Sabe-se que essa indicação não tem base na evidência científica, mas sim na noção - arraigada na cultura sexual e reprodutiva - do 'afrouxamento vaginal', decorrente do 'uso' da vagina, seja pelo uso sexual ou reprodutivo Essa representação da vagina 'usada', 'lasseada', 'frouxa' é motivo de intensa desvalorização das mulheres e se apóia tanto na cultura popular quanto na literatura médica produzida por grandes autores brasileiros e internacionais.

Na fala dos profissionais repete-se a crença de que, sem esse corte e essa sutura adicional que aperta a vagina, chamada 'ponto do marido', o parceiro se desinteressaria sexualmente pela mulher ou, no mínimo, por sua vagina. Essa crença é difundida por muitos autores como, por exemplo, Jorge de Rezende - possivelmente, o maior autor de obras sobre obstetrícia no Brasil -, e é, certamente, uma justificativa importante do uso da cesárea: 'A passagem do feto pelo anel vulvoperineal será raramente possível sem lesar a integridade dos tecidos maternos, com lacerações e roturas as mais variadas, a condicionarem frouxidão irreversível do assoalho pélvico' (Fonte: Rezende, 1998).

Vários estudos mostram que a episiotomia e a posterior costura provocam dor intensa. Mesmo nos serviços onde as mulheres não têm acesso a anestesia adequada, elas têm que enfrentar esses e outros procedimentos altamente dolorosos. Nessas situações, as mulheres freqüentemente gemem e choram de dor 'do primeiro ao último ponto' (Fonte: Alves e Silva, 2000).

Mesmo sem o conhecimento das chamadas evidências científicas, muitas mulheres sentem-se injustiçadas por essa violência física e emocional.
Muitas sofrem mutilações severas e dificilmente reversíveis. Esses casos de aleijões genitais vão depois compor a demanda de outro profissional, o cirurgião plástico especializado em corrigir genitais deformados por episiotomias (Fonte: Diniz, 2000).

O apelo da episiotomia para 'devolver a mulher à sua condição virginal' como proposto por alguns autores na década de 20, teve eco na cultura brasileira. A imagem que o discurso médico sugere é que, depois da passagem de um 'falo' enorme - que seria o bebê - o pênis do parceiro seria proporcionalmente muito pequeno para estimular ou ser estimulado pela vagina.

No Brasil, a episiotomia e seu 'ponto do marido', assim como a cesárea e sua 'prevenção do parto', funcionam, no imaginário de profissionais, parturientes e seus parceiros, como promotores de uma vagina 'corrigida'. Se as mulheres acham que vão ficar com problemas sexuais e vagina flácida após um parto vaginal e que e a episiotomia é a solução, elas tendem a querer uma episiotomia. Mas, quando as mulheres têm acesso a informação e sabem que é possível ter uma vagina forte por meio de exercícios, elas passam a compreender que a episiotomia de rotina é uma lesão genital que deve ser prevenida e que elas podem recusá-la.

Desde meados da década de 80, há evidência científica sólida indicando a abolição da episiotomia de rotina. Em grande medida, estão disponíveis no país os elementos técnicos, como manuais e normas, para implementar mudanças na assistência ao parto. O que falta é avançar na promoção de mudanças institucionais, para fazer justiça a esses avanços. Essas mudanças exigem a mobilização das mulheres, profunda mudança na formação dos profissionais de saúde, além de coragem e firmeza dos responsáveis pelas políticas públicas.

A garantia de assistência humanizada ao parto - orientada pelos direitos e baseada na evidência - constitui uma importante estratégia na busca da promoção dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres em um momento tão especial de suas vidas.

:::: Bartira ::::


Sobre a Webmiss:

Meu nome é Bartira, tenho 30 anos e pari minha filha de parto normal - passei pela episio e demorei quase dois anos para aprender a conviver com ela! Sou defensora do Parto Natural e escrevo outro blog para mulheres, junto com outra mulher, sobre Parto Humanizado... Estou aqui pra dizer a quem quiser ouvir: NÃO ACEITE QUE TE PASSEM A TESOURA À TOA!

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